segunda-feira, 31 de março de 2014

Nós e fitas

Trago os dedos ósseos de um amor comprimido
Tantas as veias que me sugam a alma
Só eu sei o quanto ela é infinda
Pois então deixo sugar e tentar esmaecer

Mas é aquilo que não se apaga
O norte da vida a estar por estes castigos
Nada pode de maneira alguma me prender
Sou, ou pareço ser, evasivo

Entretanto, se há algo esquecido de dizer
Posto que fora vento de liberdade
A palavra escorrida da caneta ou lápis anti-borracha
Voltará, rompante brutal do meu ser

Como um grito
Um nó a desprender...

quinta-feira, 6 de março de 2014

2014

Como encontrar o que se procura
Se não se sabe o que quer?
Basta pensar e aguçar a escuta
Abrir o peito e os olhos de si, mulher!

Eu quero dança, quero alegria
Ter amor em volta e dentro
No trabalho, ter talento
E que em casa reine a harmonia

Quero paz, tranquilidade e saúde
Saber que beleza é estado de espírito
Aproveitar os anos de juventude
Envelhecer em tudo, menos na escrita

Se eu sofrer, que seja por bondade
Por olhar para o outro com cautela
Entender que sabedoria vem com a idade
E que cada um sabe de suas mazelas

Desejo ser sensível aos pequenos
Frutos da renovação e do olhar para frente
Orando para que os meus sejam serenos
Saudáveis, senhores de seus corpos e mentes

Quero dançar até o último momento
Até que a carne esteja fria
Sabendo que da minha alma sempre o intento
Fora ser artista, e que fui por todos os dias

Desejo estar de mãos dadas
Nas horas alegres e nas amargas
Com outras, que nunca estejam vagas
Tão amantes e tão amadas

E que contratempos e deslizes não nos afastem
Porque pode ser dura a convivência
Mas que carinho e amor tanto nos enlacem
Que seja fácil a compreensão e a coerência

Quero, anseio por tudo isso!
Mal posso esperar o raiar de amanhã
Para seguir buscando os desejos que em mim atiço...

terça-feira, 4 de março de 2014

Confissões de um amor de carnaval

Não posso me conformar que na era de tanta ligeireza tecnológica possa ter me perdido da saia rodada e da flor de cabelo mais lindas que vi no carnaval. É mais ou menos como se fosse 1700, dançássemos na corte uma coreografia pré-moldada e meus acessórios fossem embora na correria, família toda, antes da 12° batida da meia noite. Logo eu e meu smartphone de última geração, GPS atualizado e internet ilimitada. Duas câmeras, dois chips, três redes sociais (foto, mini-blog e outra mais completa, todas muito na moda), três aplicativos de mensagens instantâneas, um aplicativo de vídeo, um de email, outro de compras aéreas, aliás, vários de compra virtual de todo tipo de coisa, até dois aplicativos de relacionamento virtual. Tudo para me conectar. Acho que a graça da vida está na conexão, especialmente entre as pessoas, e eu tinha tudo na palma da minha mão. Notas, calendário, as músicas que fui ouvindo até chegar no bloco, vídeos dos amigos virando algumas doses, fotos das belezas naturais pelo caminho.

Meu smartphone só não tinha bateria. E o smartbrain não tinha uma caneta. A flor e a saia voaram feito passarinho, e valia ter nas mãos; se foram para sempre, perdidas na 4° ou 5° badalada do relógio da Consolação. Me pergunto se foi mesmo real...