Tenho de ti uma névoa madrugada
Mãos pelos cabelos lisos e grossos
Estado de estar escondido no meio da multidão
Pouco e muito tenho de ti
Guardo-te ainda em nenhuma caixa
Penso que não caberias
Nem dentro daquele apartamento pouco mobiliado
Onde tanto intenso se circunscreveu
Por aquilo que acho pradaria onde passo
Lembro teus olhos refletidos atrás dos meus
Estavas invertido
Eu pensando ser meu erro o que era crasso
Não te culpes, bem amado,
A distância semi-imposta estava à revelia dos fatos
Quis entrar nos teus espaços
Assim como depois entraria no meus
Ainda és bruma, não te conheço nem o mínimo
possível para amá-lo como se fosses
aquele que povoa minha mente
Num noitedianoite incansável
Me afasto, porque é o óbvio a fazer
Mas vens inacessível, uma frase
Um colapso
Tudo se esparrama ao menor contato
Ainda assim...
Num tudonada diferente em mim...
Nenhum outro imã me veste como o teu
arte, cultura, baboseiras, relíquias por aí. saber o que é não importa, só é preciso mexer.
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sábado, 10 de janeiro de 2015
sábado, 4 de outubro de 2014
Repetição sustenida
Há uma fresta por onde passam os sonhos
Iluminada pela interpretação
Teatro de alguém que não se conhece
Um lugar distante onde não existo
Refúgio onde os pensamentos não alcançam
Frágil memória não me deixa envolver
O irreal é uma ilha cercada de verdades
Que guarda a beleza do que se esvai
Num piscar remoto de olhos
A busca do drama na tela
Apenas escape das paixões e ânimos reais
O que faz de mim alguém que espera
Coisa qualquer, música a apaziguar
O que há além da janela?
Céu de vanilla, vívido azul mortal
Entre nós, a trama da rede que me prende e cega
O estado torpe do meu corpo sentado ao chão da sala
Repleta de tudo o que não tem lugar
Eu não tenho também
Mais um móvel estático coberto de trapo
se pendurando na fragilidade dos sonhos
de um eu desconhecido
à espera de seu destino final
Iluminada pela interpretação
Teatro de alguém que não se conhece
Um lugar distante onde não existo
Refúgio onde os pensamentos não alcançam
Frágil memória não me deixa envolver
O irreal é uma ilha cercada de verdades
Que guarda a beleza do que se esvai
Num piscar remoto de olhos
A busca do drama na tela
Apenas escape das paixões e ânimos reais
O que faz de mim alguém que espera
Coisa qualquer, música a apaziguar
O que há além da janela?
Céu de vanilla, vívido azul mortal
Entre nós, a trama da rede que me prende e cega
O estado torpe do meu corpo sentado ao chão da sala
Repleta de tudo o que não tem lugar
Eu não tenho também
Mais um móvel estático coberto de trapo
se pendurando na fragilidade dos sonhos
de um eu desconhecido
à espera de seu destino final
quarta-feira, 28 de maio de 2014
[pensamentos]
Procuro alguém pra olhar para um lado da Augusta enquanto olho o outro. Vamos atravessá-la com o sinal fechado, a gente fala "deu" e vai. Tem poucas pessoas no mundo que dá pra confiar assim.
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
Frenético - Intenso
Tomei muito café e agora preciso de um cigarro pra me
acalmar. Não é uma droga de mundo? E quando você fala a verdade, as pessoas
preferem tampar o ouvido, “me conte uma história de ninar, quero descansar”. As
verdades são tão indeléveis, tão profundas, rasgam a gente em dois, antes e
depois, e viramos um cristal quebrado. Como é sensível esse mundo do tocável.
Como são sensíveis as pessoas que fingem não existir o sofrimento do outro.
Como é estranho.
É uma droga de mundo e o MEU cigarro é o problema. Na minha
casa, ao lado da cama que ocupo sozinha, acalmando meus nervos, o cigarro é o
problema. Dos outros. Botam umas gentes morrendo na capa pra que eu me
sensibilize, mas a gente finge não existir o sofrimento do outro. Eu vejo meu
prazer. Subindo pelas minhas pernas, me aquecendo as noites frias e as quentes
e as de chuva também. Molhando. Mas também não pode, é pecado, você jovem,
velha, barriguda, saradinha, casada, carente, solteira, feliz, donzela ou
atriz.
O propósito de isso tudo é que não há propósito algum além
de falar e falar sobre aquilo que deixo calar tantas vezes. Já disse que tomei
café demais, amanhã vai ser difícil acordar e perceber que nada mudou. Volto à
rotina como se não houvesse falado nada. Esses desatinos solitários refratam a
luz em tantos ângulos que físico nenhum podia suportar. Nem o meu próprio, esse
tanto cigarro, e se eu morrer vai ser porque eu quis. Ora, mentira, todo mundo
morre. Querendo ou não. Se é o destino, que eu encare a verdade com três doses
de tequila em uma mão só, equilibrando aquilo que consigo na vida. Parece não
fazer sentido, mas faz, basta ver quanta coisa a gente carrega nos ombros antes
de empacotar. Pra NADA. Pra dizer que pode.
Quando a gente larga tudo, aí é depressão. Porque nem se
encher o saco nos permitem mais. Ninguém quer ver a verdade, mas os poetas,
médicos e jornalistas jogam na nossa cara o tempo todo que é ela a importante.
Queria ver se quem faz o discurso usasse daquilo que diz. A verdade é outra
droga, mas é uma droga que se faz para vender. Eu compro a sua e você compra
a minha, sabe? E por fim, ela nem existe mesmo, a gente inventa, e se inventa
não pode ser verdade. Não absoluta. Não há absoluto. Há Absolut. Umas boas
quatro doses, é mais fraca que a tequila.
Ou eu que sou fraca. Essa coisa toda tá me endoidando,
acabou meu cigarro e a paz.
Bom pra entrar nessa semana cuidando mais do físico. Me
masturbo menos, quem sabe encontro um verdadeiro amor. Alguém que me venda
carinho e afeto, qualquer droga que alimente.
É uma merda esse mundo.
Beijos, fui comprar um livro de dormir.
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