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sábado, 10 de janeiro de 2015

Por que não vai? (ou Pormenores)

Tenho de ti uma névoa madrugada
Mãos pelos cabelos lisos e grossos
Estado de estar escondido no meio da multidão
Pouco e muito tenho de ti

Guardo-te ainda em nenhuma caixa
Penso que não caberias
Nem dentro daquele apartamento pouco mobiliado
Onde tanto intenso se circunscreveu

Por aquilo que acho pradaria onde passo
Lembro teus olhos refletidos atrás dos meus
Estavas invertido
Eu pensando ser meu erro o que era crasso

Não te culpes, bem amado,
A distância semi-imposta estava à revelia dos fatos
Quis entrar nos teus espaços
Assim como depois entraria no meus

Ainda és bruma, não te conheço nem o mínimo
possível para amá-lo como se fosses
aquele que povoa minha mente
Num noitedianoite incansável

Me afasto, porque é o óbvio a fazer
Mas vens inacessível, uma frase
Um colapso
Tudo se esparrama ao menor contato

Ainda assim...
Num tudonada diferente em mim...
Nenhum outro imã me veste como o teu

sábado, 4 de outubro de 2014

Repetição sustenida

Há uma fresta por onde passam os sonhos
Iluminada pela interpretação
Teatro de alguém que não se conhece
Um lugar distante onde não existo
Refúgio onde os pensamentos não alcançam

Frágil memória não me deixa envolver
O irreal é uma ilha cercada de verdades
Que guarda a beleza do que se esvai
Num piscar remoto de olhos

A busca do drama na tela
Apenas escape das paixões e ânimos reais
O que faz de mim alguém que espera
Coisa qualquer, música a apaziguar

O que há além da janela?
Céu de vanilla, vívido azul mortal
Entre nós, a trama da rede que me prende e cega
O estado torpe do meu corpo sentado ao chão da sala
Repleta de tudo o que não tem lugar

Eu não tenho também
Mais um móvel estático coberto de trapo
se pendurando na fragilidade dos sonhos
de um eu desconhecido
à espera de seu destino final

quarta-feira, 28 de maio de 2014

[pensamentos]

Procuro alguém pra olhar para um lado da Augusta enquanto olho o outro. Vamos atravessá-la com o sinal fechado, a gente fala "deu" e vai. Tem poucas pessoas no mundo que dá pra confiar assim.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Frenético - Intenso

Tomei muito café e agora preciso de um cigarro pra me acalmar. Não é uma droga de mundo? E quando você fala a verdade, as pessoas preferem tampar o ouvido, “me conte uma história de ninar, quero descansar”. As verdades são tão indeléveis, tão profundas, rasgam a gente em dois, antes e depois, e viramos um cristal quebrado. Como é sensível esse mundo do tocável. Como são sensíveis as pessoas que fingem não existir o sofrimento do outro. Como é estranho.
É uma droga de mundo e o MEU cigarro é o problema. Na minha casa, ao lado da cama que ocupo sozinha, acalmando meus nervos, o cigarro é o problema. Dos outros. Botam umas gentes morrendo na capa pra que eu me sensibilize, mas a gente finge não existir o sofrimento do outro. Eu vejo meu prazer. Subindo pelas minhas pernas, me aquecendo as noites frias e as quentes e as de chuva também. Molhando. Mas também não pode, é pecado, você jovem, velha, barriguda, saradinha, casada, carente, solteira, feliz, donzela ou atriz.
O propósito de isso tudo é que não há propósito algum além de falar e falar sobre aquilo que deixo calar tantas vezes. Já disse que tomei café demais, amanhã vai ser difícil acordar e perceber que nada mudou. Volto à rotina como se não houvesse falado nada. Esses desatinos solitários refratam a luz em tantos ângulos que físico nenhum podia suportar. Nem o meu próprio, esse tanto cigarro, e se eu morrer vai ser porque eu quis. Ora, mentira, todo mundo morre. Querendo ou não. Se é o destino, que eu encare a verdade com três doses de tequila em uma mão só, equilibrando aquilo que consigo na vida. Parece não fazer sentido, mas faz, basta ver quanta coisa a gente carrega nos ombros antes de empacotar. Pra NADA. Pra dizer que pode.
Quando a gente larga tudo, aí é depressão. Porque nem se encher o saco nos permitem mais. Ninguém quer ver a verdade, mas os poetas, médicos e jornalistas jogam na nossa cara o tempo todo que é ela a importante. Queria ver se quem faz o discurso usasse daquilo que diz. A verdade é outra droga, mas é uma droga que se faz para vender. Eu compro a sua e você compra a minha, sabe? E por fim, ela nem existe mesmo, a gente inventa, e se inventa não pode ser verdade. Não absoluta. Não há absoluto. Há Absolut. Umas boas quatro doses, é mais fraca que a tequila.
Ou eu que sou fraca. Essa coisa toda tá me endoidando, acabou meu cigarro e a paz.
Bom pra entrar nessa semana cuidando mais do físico. Me masturbo menos, quem sabe encontro um verdadeiro amor. Alguém que me venda carinho e afeto, qualquer droga que alimente.
É uma merda esse mundo.
Beijos, fui comprar um livro de dormir.