Parece existir toda uma poética nessa busca que tenho feito em relação a minha movimentação. Me sinto um pouco como um artista dos desenhos procurando o seu traço... Relendo alguns textos, percebo que estou falando sobre quase as mesmas coisas faz tempo e nunca me havia dado conta. Acho que eu não havia me dado conta de quem eu sou nesse mundo... Bom, acredito ter encontrado algo, nada que seja suficiente para concluir buscas e pesquisas; só pra botar mais lenha.
Como Ismael disse uma vez, "um bom coreógrafo não deve se apaixonar pelo seu trabalho" e eu estou bem longe disso, mas faz sentido pensar nessa frase como mais um incentivo a uma procura constante.
Vou indo não sei pra onde, e ao mesmo tempo é engraçado porque o caminho está cheio de mim mesma. E não só de mim, mas de interações. Com os olhos bem abertos vou, devagar, parando de me esconder e tomando a coragem de falar.
Estou feliz por me sentir viva outra vez.
arte, cultura, baboseiras, relíquias por aí. saber o que é não importa, só é preciso mexer.
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terça-feira, 21 de outubro de 2014
sábado, 26 de julho de 2014
Sexta
Quando toca, ressoa inteira
Perpassando alma, gesto e figura
Não há nada que dimensione
Os tantos entretantos existentes
Nesse seio reside um intenso
E uma paz peculiar
Reboliço equilibrado pelo encontro dos olhos
Tantos, eram apenas dois
A vida complexa se simplifica
Pela maciez de um toque
Atravessando os poros
Entra suave e desliza
Até o último suspirar de gozo
Hoje só em desalinho
Memória encostada nos braços do impossível
Todo me toma, entregue a guia do caminho...
Perpassando alma, gesto e figura
Não há nada que dimensione
Os tantos entretantos existentes
Nesse seio reside um intenso
E uma paz peculiar
Reboliço equilibrado pelo encontro dos olhos
Tantos, eram apenas dois
A vida complexa se simplifica
Pela maciez de um toque
Atravessando os poros
Entra suave e desliza
Até o último suspirar de gozo
Hoje só em desalinho
Memória encostada nos braços do impossível
Todo me toma, entregue a guia do caminho...
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Inusitado
Desejo dispara o coração
Atiça a ansiedade
Larga a perna bamba a envolver teus quadris a pulsar
Define certa tensão entre os dois
O que estava perto, era dado
Mão sobre os olhos escondendo o que vem depois...
Atiça a ansiedade
Larga a perna bamba a envolver teus quadris a pulsar
Define certa tensão entre os dois
O que estava perto, era dado
Mão sobre os olhos escondendo o que vem depois...
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
Férias
O sal da água poderia disfarçar as lágrimas, mas nem toda a imensidão do mar é suficiente para levar embora aquilo que foi necessário viver... E é com essa consciência que deixo o peso da vida no oceano, guardando toda a sublime sensação da maré cheia a me navegar...
domingo, 8 de setembro de 2013
alforria
é palavra, som, sentido
tocando meu eu sustenido
insiste me fazer escrever
dançar pelo rir e sofrer
artista, em tanto que sobra
da crise à última obra,
o que sou entreato e agora
e dói sentir muito assim
fogo longínquo ardendo em mim
imprimo a mordida no peito
mantenho o quedar do fardo rarefeito
forma de vida sem fôrma
ou lugar onde aperte e transborde
meu corpo esclarece a desforra
que o sapato do calo é a arte
a mesma que a alma retoma
afirmação do que falo e reflito
infinitude instável a qual acredito
Do momento: a gente só publica pra fingir pra gente que não se importa o quão ruim ta o treco.
tocando meu eu sustenido
insiste me fazer escrever
dançar pelo rir e sofrer
artista, em tanto que sobra
da crise à última obra,
o que sou entreato e agora
e dói sentir muito assim
fogo longínquo ardendo em mim
imprimo a mordida no peito
mantenho o quedar do fardo rarefeito
forma de vida sem fôrma
ou lugar onde aperte e transborde
meu corpo esclarece a desforra
que o sapato do calo é a arte
a mesma que a alma retoma
afirmação do que falo e reflito
infinitude instável a qual acredito
Do momento: a gente só publica pra fingir pra gente que não se importa o quão ruim ta o treco.
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Shhhh
Silence, quiet little lamb!
A fragilidade da tua voz não interessa
Esconda o brilhante atrás do belo
Deixe admirar a estátua, imóvel de pedra.
Silence, little lamb...
A fragilidade da tua voz não interessa
Esconda o brilhante atrás do belo
Deixe admirar a estátua, imóvel de pedra.
Silence, little lamb...
Primeiro
Teu quarto na vahia cheio de nós
Desculpa qualquer que nos abrigasse
Tensa paixão, momento de impasse
Chamando amizade de algo maior
Naquele apartamento vazio,
Toda a expectativa me enchia
Cortina fechada para a vida lá fora
Voltas pra casa, idas para a escola
Eu não era quem eu dizia
Segredando impulsos, desejos
Bem a verdade, você já sabia
Intérprete perfeito de minha poesia
Mas à distância de duas bicicletas,
Silenciei sobre a tua beleza quando de jeans e de preto
E sobre a mão repousando em minha perna
Revelei a angústia de te ter por tão perto
Tanto calor resguardava teu corpo, abraço sem fim...
Era a menina eu deixando partir
Punha em teus lábios tamanha inocência
Sem saber da tristeza que estava por vir
Primeiro amor rechaçado
Primeiro beijo guardado
Memória pra sempre de ti
[Que difícil de sair, nenhum verso jamais estará perto]
Desculpa qualquer que nos abrigasse
Tensa paixão, momento de impasse
Chamando amizade de algo maior
Naquele apartamento vazio,
Toda a expectativa me enchia
Cortina fechada para a vida lá fora
Voltas pra casa, idas para a escola
Eu não era quem eu dizia
Segredando impulsos, desejos
Bem a verdade, você já sabia
Intérprete perfeito de minha poesia
Mas à distância de duas bicicletas,
Silenciei sobre a tua beleza quando de jeans e de preto
E sobre a mão repousando em minha perna
Revelei a angústia de te ter por tão perto
Tanto calor resguardava teu corpo, abraço sem fim...
Era a menina eu deixando partir
Punha em teus lábios tamanha inocência
Sem saber da tristeza que estava por vir
Primeiro amor rechaçado
Primeiro beijo guardado
Memória pra sempre de ti
[Que difícil de sair, nenhum verso jamais estará perto]
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
Sobre os 25, 26 e o antes de morrer
Não posso dizer que foi a experiência de quase morte da semana passada que me motivou a escrever esse texto [embora o evento tenha tomado importância maior do que eu gostaria deveria em minha pacata vidinha]. A publicação de um link no face de uma amiga do tumblr de uma desconhecida que me chamou atenção. 25 coisas que eu quero saber aos 25. Confesso que não li.
[pode parecer confuso e conflituoso, mas não é; quis fazer minha lista, sem copiar a da coleguinha]
Lembrei, desse modo esquisito, que eu não fiz nenhuma listinha de coisas que eu queria fazer aos 25. E agora não dá mais tempo, porque, né, faltam 2 meses pros 26.
Eu achava babaca, mais uma dessas de planejamento sem ação, coisa estúpida mesmo. Mas quando você coloca a coisa lá, num papel ou na internet, a coisa toma um rumo de realidade tangível muito mais agradável de tentar botar em prática. Falo isso porque fiz uma lista do tipo quem eu sou/onde estou, quem quero ser/onde quero estar e é lindo como venho me tornando cada vez mais a pessoa que eu quero, onde e quando quero.
Ai eu cai de cabeça numa pedra e quase morri [porra, só acontece comigo]. Tem tudo a ver com a história porque eu me acidentei aos 25. Até domingo nunca tinha tido nenhum trauma, quebra de ossos, nada de interessante. No máximo uma abertura de lábio antes de dançar, mas é texto para outras linhas. E ai eu abro a cabeçaquase que nem um melão, momento drama queen da vida, sem saber de uma porção de coisas, sem conhecer mais um milhão.
Então, libriana, vamos botar na balança:
DAQUILO QUE SEI
- Sei de amor, de amar, de ser e não ser amada... Amei (e amo!!) amigos, amigas, namorados, amantes. Amei quem nunca me amou de volta. Amei quem me amou com o mesmo furor, amei quem me entregou o coração. Amo meus pais e minha irmãzinha grande. Amei um montão de crianças. Amo minha afilhada, a criança mais linda do mundo, mesmo que ela esqueça quem eu sou de vez em quando (e não há nada mais belo que reconquistá-la a cada sorriso!). Amei o igual, claro. E o diferente. Amei artistas por suas artes, por seus corpos, por seus amores.
E só isso me bastaria ter vivido até agora, mas ia ser chato acabar uma reflexão tão íntima aqui.
- Sei um pouquinho de brigar. Briga com melhor amiga, com melhor amigo, com quem amo.
... com quem amei tanto...
- Sei de sonhar, e acho que é isso o que mais sei nessa vida.
- Sei de bater a cabeça na pedra de escada
- Sei de ficar horas intermináveis em hospitais
- Sei um pouco da solidão. E não quero saber mais.
- Sei de ballet. Quero sempre saber mais
- Sei de umas falhas de personalidade. Sei que quero mudar.
- Sei de bons livros, alguns.
- Sei de bons filmes
- Sei de sofrimento, de perda e de vários tipos de separações. E se eu pudesse saberia só o que sei mesmo.
- Sei de morar com as melhores amigas do mundo. E sei de morar com amigas e com quem tive inimizade também.
- Sei de viajar sem muito destino e sem hotel.
- Sei de esperar em rodoviáriaônibus ou gente que parece que nunca vai chegar
- Sei de praias de São Paulo
- Sei de ser sensível e de ter sensibilidade
- Sei de correr na chuva e preciso de mais chuvaespecialmente se não houverem escadas no caminho
- Sei de escrever quando aperta o calo, quando o coração dispara, quando a música toca...
- Sei que tenho fé.
DAQUILO QUE NÃO SEI
- Não sei de casar. Não de verdade, embora a experiência com quem não queria casar comigo conte um pouco nesse pontoe dá vontade de rir dessa frase
- Não sei de ter filhos
- Não sei de morar fora do país
- Não sei do meu país
- Não sei de coisas cult, não o quanto gostaria de saber
- Não sei do meu estilo, que anda mudando muito. rs.
- Não sei do meu corte de cabelo
- Na verdade, não sei de cuidar da minha aparência
- Não sei de cuidar de gente do modo que eu gostaria
- Não sei de ser bailarina de verdade. E eu quero. E eu busco. E eu fervo pra saber.
- Não sei de ser fria
- Não sei cuidar de um bichinho. E não vou ter um bichinho ao mudar de casa, porque eu não vou poder cuidar dele ficando 838746654 horas fora de casa. Preciso ser enfática nisso porque é uma discussão constante na minha cabeça.
- Falo que sei, mas não sei de beber que nem adulto quando estou triste. A tristeza me faz ter 15 anos de novo. Nota mental: parar com isso, pelamor.
- Não sei de me perder às vezes. Como diria minha querida Clarisse, genia indomável, "perder-se também é caminho".
- Não sei lidar com distâncias. Preciso trabalhar muito isso.
Apesar da lista não sei ser menor, acho que vou descobrindo mais coisas que não faço ideia dia após dia. Me sinto muito feliz em não ter morrido no domingo. Me sinto grata por existir e poder buscar saber dessas coisas que não sei. Mas estou indo bem.
Bater a cabeça é bom pra chacoalhar os miolinhos. Crise é bom pra crescer, bem ericksoniana (e como eu gosto desse fulano Erik Erickson!)
[pode parecer confuso e conflituoso, mas não é; quis fazer minha lista, sem copiar a da coleguinha]
Lembrei, desse modo esquisito, que eu não fiz nenhuma listinha de coisas que eu queria fazer aos 25. E agora não dá mais tempo, porque, né, faltam 2 meses pros 26.
Eu achava babaca, mais uma dessas de planejamento sem ação, coisa estúpida mesmo. Mas quando você coloca a coisa lá, num papel ou na internet, a coisa toma um rumo de realidade tangível muito mais agradável de tentar botar em prática. Falo isso porque fiz uma lista do tipo quem eu sou/onde estou, quem quero ser/onde quero estar e é lindo como venho me tornando cada vez mais a pessoa que eu quero, onde e quando quero.
Ai eu cai de cabeça numa pedra e quase morri [porra, só acontece comigo]. Tem tudo a ver com a história porque eu me acidentei aos 25. Até domingo nunca tinha tido nenhum trauma, quebra de ossos, nada de interessante. No máximo uma abertura de lábio antes de dançar, mas é texto para outras linhas. E ai eu abro a cabeça
Então, libriana, vamos botar na balança:
DAQUILO QUE SEI
- Sei de amor, de amar, de ser e não ser amada... Amei (e amo!!) amigos, amigas, namorados, amantes. Amei quem nunca me amou de volta. Amei quem me amou com o mesmo furor, amei quem me entregou o coração. Amo meus pais e minha irmãzinha grande. Amei um montão de crianças. Amo minha afilhada, a criança mais linda do mundo, mesmo que ela esqueça quem eu sou de vez em quando (e não há nada mais belo que reconquistá-la a cada sorriso!). Amei o igual, claro. E o diferente. Amei artistas por suas artes, por seus corpos, por seus amores.
E só isso me bastaria ter vivido até agora, mas ia ser chato acabar uma reflexão tão íntima aqui.
- Sei um pouquinho de brigar. Briga com melhor amiga, com melhor amigo, com quem amo.
... com quem amei tanto...
- Sei de sonhar, e acho que é isso o que mais sei nessa vida.
- Sei de bater a cabeça na pedra de escada
- Sei de ficar horas intermináveis em hospitais
- Sei um pouco da solidão. E não quero saber mais.
- Sei de ballet. Quero sempre saber mais
- Sei de umas falhas de personalidade. Sei que quero mudar.
- Sei de bons livros, alguns.
- Sei de bons filmes
- Sei de sofrimento, de perda e de vários tipos de separações. E se eu pudesse saberia só o que sei mesmo.
- Sei de morar com as melhores amigas do mundo. E sei de morar com amigas e com quem tive inimizade também.
- Sei de viajar sem muito destino e sem hotel.
- Sei de esperar em rodoviária
- Sei de praias de São Paulo
- Sei de ser sensível e de ter sensibilidade
- Sei de correr na chuva e preciso de mais chuva
- Sei de escrever quando aperta o calo, quando o coração dispara, quando a música toca...
- Sei que tenho fé.
DAQUILO QUE NÃO SEI
- Não sei de casar. Não de verdade, embora a experiência com quem não queria casar comigo conte um pouco nesse ponto
- Não sei de ter filhos
- Não sei de morar fora do país
- Não sei do meu país
- Não sei de coisas cult, não o quanto gostaria de saber
- Não sei do meu estilo, que anda mudando muito. rs.
- Não sei do meu corte de cabelo
- Na verdade, não sei de cuidar da minha aparência
- Não sei de cuidar de gente do modo que eu gostaria
- Não sei de ser bailarina de verdade. E eu quero. E eu busco. E eu fervo pra saber.
- Não sei de ser fria
- Não sei cuidar de um bichinho. E não vou ter um bichinho ao mudar de casa, porque eu não vou poder cuidar dele ficando 838746654 horas fora de casa. Preciso ser enfática nisso porque é uma discussão constante na minha cabeça.
- Falo que sei, mas não sei de beber que nem adulto quando estou triste. A tristeza me faz ter 15 anos de novo. Nota mental: parar com isso, pelamor.
- Não sei de me perder às vezes. Como diria minha querida Clarisse, genia indomável, "perder-se também é caminho".
- Não sei lidar com distâncias. Preciso trabalhar muito isso.
Apesar da lista não sei ser menor, acho que vou descobrindo mais coisas que não faço ideia dia após dia. Me sinto muito feliz em não ter morrido no domingo. Me sinto grata por existir e poder buscar saber dessas coisas que não sei. Mas estou indo bem.
Bater a cabeça é bom pra chacoalhar os miolinhos. Crise é bom pra crescer, bem ericksoniana (e como eu gosto desse fulano Erik Erickson!)
domingo, 9 de junho de 2013
Ansiedade
Qualquer lugar
Onde eu possa me abandonar
qualquer droga
que me faça esquecer essas horas
qualquer coisa
cuja beleza me aproxime do encanto
de viver mais do que ricos minutos de espanto
Coisa qualquer
que me entorpa
que me drene
Qualquer
que me lembre
que se pode sentir
Suficiência qualquer
Quero qualquer palavra
Que me aproxime
de onde o rio das paixões deságua...
Onde eu possa me abandonar
qualquer droga
que me faça esquecer essas horas
qualquer coisa
cuja beleza me aproxime do encanto
de viver mais do que ricos minutos de espanto
Coisa qualquer
que me entorpa
que me drene
Qualquer
que me lembre
que se pode sentir
Suficiência qualquer
Quero qualquer palavra
Que me aproxime
de onde o rio das paixões deságua...
sábado, 8 de junho de 2013
Re-verso
Quem dera resgatar os minutos
Os segundos seguidos dos risos e dos beijos
Saudade que vem sem endereço
Do que me fugiu no coar dos momentos
Passa o tempo,
conta a história
No vazio do vento
larguei a memória
Ando cheia dos versinhos.
Os segundos seguidos dos risos e dos beijos
Saudade que vem sem endereço
Do que me fugiu no coar dos momentos
Passa o tempo,
conta a história
No vazio do vento
larguei a memória
Ando cheia dos versinhos.
terça-feira, 28 de maio de 2013
medos privados em lugares públicos: içar
como suportar finais tão tristes
encarar a solidão em riste?
esqueci de aprender a cair
e voar fora o único desejo
quando tantos pés nesse mundo eu vi
entretanto,
o solo traz tamanho incômodo
que preciso sair deste encanto
buscar o centro, sustentar o meneamento
encontrar de volta o eixo
por movimento torpe levanto
pé ante pé pelas mãos
e sobre o corpo pensamento absorto:
no peso reside a densa beleza
de escapar por entre os dedos da tristeza
se não esbarro em respostas
sei que delas não hão amostras
deixo o grito ecoar no vazio
ressoar no negrume daquilo que não vejo
pois basta por ora
viver a vida sem deixa-la ir embora
encarar a solidão em riste?
esqueci de aprender a cair
e voar fora o único desejo
quando tantos pés nesse mundo eu vi
entretanto,
o solo traz tamanho incômodo
que preciso sair deste encanto
buscar o centro, sustentar o meneamento
encontrar de volta o eixo
por movimento torpe levanto
pé ante pé pelas mãos
e sobre o corpo pensamento absorto:
no peso reside a densa beleza
de escapar por entre os dedos da tristeza
se não esbarro em respostas
sei que delas não hão amostras
deixo o grito ecoar no vazio
ressoar no negrume daquilo que não vejo
pois basta por ora
viver a vida sem deixa-la ir embora
domingo, 24 de março de 2013
Onde bebe o desejo
não quero nada pelo qual não me apaixone
as negativas que afirmam minha existência
são resistência perante àquilo que insiste em me anular
não, eu quero é o intenso
não peço que me deixe fazer o que sinto
ninguém deixa e desdeixa de nada que é meu
não peço, nem mando
sou, pulso
taquicardia, filha do admirar por entre as frestas
não fatiga meus pulmões nem cansa o coração
revés da melancolia brinda com o estrago
não sinto que me para, eu ando pra frente
meu peito brada sem forçar a escuta:
não, não quero nada pelo qual não me apaixone!
quero que se quede infinito o desejo
quero o coração corifeu de minha história...
quinta-feira, 7 de março de 2013
Reflexão
A beleza da vida reside em tudo o que é fugidio. A mão do outro tocando a tez molhada, a expiração perto da boca, o olhar desviado pela primeira vez. É a experiência singular que define os frames coados pela memória, frações de segundo levadas para sempre ao eterno. O regurgitar da lembrança transforma os milésimos em milhões, colore ou romanceia em preto e branco o que já era belo. Lapida o diamante e faz da saudade um raio de sol certeiro, impossível de resistir; deixa o momento ao alcance das mãos, tão perto... É apenas reflexo no espelho que engana fingindo voltar.
Mas quando a beleza dá lugar ao vazio, a esperança sussurra: há mais segundos do que se imagina...
Mas quando a beleza dá lugar ao vazio, a esperança sussurra: há mais segundos do que se imagina...
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Looping
Chorando num canto de solidão
Martela marasmo sem precisão
Busca e cria um rio de chiste
Como se fosse o poeta triste
Escreve, caneta em riste
Desola a fé que mente e padece
Porque a palavra esquece
E o momento aquece
A dor que traz no coração
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