Há uma fresta por onde passam os sonhos
Iluminada pela interpretação
Teatro de alguém que não se conhece
Um lugar distante onde não existo
Refúgio onde os pensamentos não alcançam
Frágil memória não me deixa envolver
O irreal é uma ilha cercada de verdades
Que guarda a beleza do que se esvai
Num piscar remoto de olhos
A busca do drama na tela
Apenas escape das paixões e ânimos reais
O que faz de mim alguém que espera
Coisa qualquer, música a apaziguar
O que há além da janela?
Céu de vanilla, vívido azul mortal
Entre nós, a trama da rede que me prende e cega
O estado torpe do meu corpo sentado ao chão da sala
Repleta de tudo o que não tem lugar
Eu não tenho também
Mais um móvel estático coberto de trapo
se pendurando na fragilidade dos sonhos
de um eu desconhecido
à espera de seu destino final
arte, cultura, baboseiras, relíquias por aí. saber o que é não importa, só é preciso mexer.
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sábado, 4 de outubro de 2014
quarta-feira, 28 de maio de 2014
[pensamentos]
Tenho andado muito quieta, espaçando comentários a tiro de bala. Esse silêncio nada tem de positivo: é fruto de uma indefinição interna bloqueando a comunicação. Engraçado, se posso dizer isso é porque algo em mim se restabelece, sou rápida e não posso perder tempo com esses percalços. Já passou...
terça-feira, 29 de abril de 2014
[pensamentos]
Mas tem sempre aquele pedaço de travesseiro que você encosta e está lá, vívido e meio viciante, o cheiro. E as lembranças daquilo que foi bom, apesar da decisão em seguir por caminhos diferentes. Como se pulsasse carinho e risadas, quanta coisa por um cheiro. O difícil é perceber que já se esteve nesse lugar um milhão de vezes, o da falta, da memória, da solidão e dos desencontros. Que quase sempre foi o problema do timing, ou as decisões afastando um do outro. Já foram tantas paixões intermináveis, tantos guardados, cheiros e indispensáveis abandonados que paira no ar a sensação de que só é possível viver mais do mesmo. Não é real, mas existe, maior ainda, um medo de que seja, apesar da ânsia por viver uma nova paixão.
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
turbilhão
entrou na água tomando um golpe do mar
a correnteza levou
aquilo que me havia de mais precioso
a calmaria, acabou
entre as lascas mortas de concha
embrenhando nos cabelos molhados
tanto pensamento absorto
tanto sofrimento guardado
a maré virou, fez-se cheia
atrita contra a pele
a aspereza dos grãos de areia
não tem chão,
turbilhão,
a perder o sentido
não dá pé nem pulso nem anca
é a água enchendo pulmão
desespero da indefinição
a correnteza levou
aquilo que me havia de mais precioso
a calmaria, acabou
entre as lascas mortas de concha
embrenhando nos cabelos molhados
tanto pensamento absorto
tanto sofrimento guardado
a maré virou, fez-se cheia
atrita contra a pele
a aspereza dos grãos de areia
não tem chão,
turbilhão,
a perder o sentido
não dá pé nem pulso nem anca
é a água enchendo pulmão
desespero da indefinição
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