quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Diving

[Introduçãozinha Mequetrefe] Quando eu dancei pela última vez com o Balé da Cidade de Santos, achei que fosse a minha última vez em cena. O ballet, Tributo a Villa-Lobos (2005, Renata Pacheco) tinha como música final "Trenzinho do Caipira" e, desde então, sempre que acho que alguma coisa vai ser a última em minha vida, fico triste e ouço essa música. Porque meu ouvido e meu choro me lembram que tem sentimentos especiais que são mais fortes do que a vontade do tempo de por fim em certos encontros.

Wish I could write to you the most beautiful poem ever, but I'm not able to put down in words everything you mean to me. My love is greater than any possible lines...


Diving

Como música atravessando o coração
A saudade me preenche
E deixa o choro na madeira do violino

Ressoava felicidade no corpo a cada arcada
Agora é vazio no peito
Trem que parte sem hora na madrugada
Cheio de carinho roubado de mim

Ao longe é fumaça
Perdida no céu dos teus olhos
Diminui o ruído, finge ser finito
E aumenta a falta que esquece pra trás

E sobre os finais de poema e de alegria absorta
Basta dizer que o tempo é curto
Mas nosso amor nessa arte nunca se acaba



E eu abri meu violino e tirei a música que eu amo tanto... E repito: "Quando duas almas complementares se encontram, não há distância ou tempo que as separem. Pois o amor entre elas se manifesta por um espectro de tamanho colorido que a compreensão de um sem o outro se torna impossível."

domingo, 25 de agosto de 2013

Memória bruta, passada

Por ela você percorreu as mais belas distâncias
Sob a luz da via láctea, estrada iluminada
Pelas estrelas que contávamos a beira d'água

Porque tamanha beleza a ela destinada?
Não pude compreender porque me rechaçara antes de mais nada
Tantos quilômetros percorridos pra me ouvir dizer
Que de você tudo sobrara
Quando teu amor era o sofrimento que significava?

Percorrera a estrada que eu mais amava
Pra encontrá-la passou sobre o monte que me aproximava do infinito do universo
Antes da Riviera e do amanhecer daquele primeiro dia de ano novo
Quando todo sentimento era tão velho, tão usado...
Eu te deixava e você me usava

Caiu sob as pedras, parou o carro
Ouviu meu nunca mais e não voltou
Caiu no meu conceito
Sob a lua, teus defeitos
Caiu e não vi mais nada.
Caio com os pés gelados na minha estrada.

Sobre um passado litôraneo

Podiam ser quaisquer novos amantes em teus bancos
Mas éramos nós das duas às cinco da madrugada
como se nos intimidássemos pelas câmeras da orla
como se sobrasse coragem ao embrenharmos pelos veios das árvores

Eram palmeiras imperiais aquelas da beira da praia
Podiam ser chapéus de sol sob a noite nublada
E as barracas onde escondíamos nosso amor interminável
Apenas cúmplices dos beijos e dos sonhos trocados

Nunca fora aquela areia, entretanto,
Espectadora de outro casal tão apaixonado
Podiam ser quaisquer novos amantes
Mas nenhum como eu e meu [já esquecido amado]



[inspiração inicial pela foto do face de Santos. Depois pelas memórias remexidas no aquário]

sábado, 24 de agosto de 2013

Para Ana

Em que momento um maestro enxerga o artista além do aluno? A maturidade além da pincelada, do movimento preciso da perna, da fala decorada...? É a comunicação entre dois seres humanos, além da palavra, pelos olhos, poros e movimentos que define a magia deste momento. E o maestro, que anseia ser o precursor de tal maturação do aluno, deve buscar humildade em sua alma para compreender que este processo muito interno tem diversos contribuidores. É momento do florescer do estudante, que passa a inspirar e andar lado a lado de quem sempre lhe havia tomado a frente..

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Sobre os 25, 26 e o antes de morrer

Não posso dizer que foi a experiência de quase morte da semana passada que me motivou a escrever esse texto [embora o evento tenha tomado importância maior do que eu gostaria deveria em minha pacata vidinha]. A publicação de um link no face de uma amiga do tumblr de uma desconhecida que me chamou atenção. 25 coisas que eu quero saber aos 25. Confesso que não li.

[pode parecer confuso e conflituoso, mas não é; quis fazer minha lista, sem copiar a da coleguinha]

Lembrei, desse modo esquisito, que eu não fiz nenhuma listinha de coisas que eu queria fazer aos 25. E agora não dá mais tempo, porque, né, faltam 2 meses pros 26.

Eu achava babaca, mais uma dessas de planejamento sem ação, coisa estúpida mesmo. Mas quando você coloca a coisa lá, num papel ou na internet, a coisa toma um rumo de realidade tangível muito mais agradável de tentar botar em prática. Falo isso porque fiz uma lista do tipo quem eu sou/onde estou, quem quero ser/onde quero estar e é lindo como venho me tornando cada vez mais a pessoa que eu quero, onde e quando quero.

Ai eu cai de cabeça numa pedra e quase morri [porra, só acontece comigo]. Tem tudo a ver com a história porque eu me acidentei aos 25. Até domingo nunca tinha tido nenhum trauma, quebra de ossos, nada de interessante. No máximo uma abertura de lábio antes de dançar, mas é texto para outras linhas. E ai eu abro a cabeça quase que nem um melão, momento drama queen da vida, sem saber de uma porção de coisas, sem conhecer mais um milhão.

Então, libriana, vamos botar na balança:

DAQUILO QUE SEI
- Sei de amor, de amar, de ser e não ser amada... Amei (e amo!!) amigos, amigas, namorados, amantes. Amei quem nunca me amou de volta. Amei quem me amou com o mesmo furor, amei quem me entregou o coração. Amo meus pais e minha irmãzinha grande. Amei um montão de crianças. Amo minha afilhada, a criança mais linda do mundo, mesmo que ela esqueça quem eu sou de vez em quando (e não há nada mais belo que reconquistá-la a cada sorriso!). Amei o igual, claro. E o diferente. Amei artistas por suas artes, por seus corpos, por seus amores.
  
E só isso me bastaria ter vivido até agora, mas ia ser chato acabar uma reflexão tão íntima aqui.
  
- Sei um pouquinho de brigar. Briga com melhor amiga, com melhor amigo, com quem amo.
... com quem amei tanto...
  
- Sei de sonhar, e acho que é isso o que mais sei nessa vida.
- Sei de bater a cabeça na pedra de escada
- Sei de ficar horas intermináveis em hospitais
- Sei um pouco da solidão. E não quero saber mais.
- Sei de ballet. Quero sempre saber mais
- Sei de umas falhas de personalidade. Sei que quero mudar.
- Sei de bons livros, alguns.
- Sei de bons filmes
- Sei de sofrimento, de perda e de vários tipos de separações. E se eu pudesse saberia só o que sei mesmo.
- Sei de morar com as melhores amigas do mundo. E sei de morar com amigas e com quem tive inimizade também.
- Sei de viajar sem muito destino e sem hotel.
- Sei de esperar em rodoviária ônibus ou gente que parece que nunca vai chegar
- Sei de praias de São Paulo
- Sei de ser sensível e de ter sensibilidade
- Sei de correr na chuva e preciso de mais chuva especialmente se não houverem escadas no caminho
- Sei de escrever quando aperta o calo, quando o coração dispara, quando a música toca...
- Sei que tenho fé.

DAQUILO QUE NÃO SEI
- Não sei de casar. Não de verdade, embora a experiência com quem não queria casar comigo conte um pouco nesse ponto e dá vontade de rir dessa frase
- Não sei de ter filhos
- Não sei de morar fora do país
- Não sei do meu país
- Não sei de coisas cult, não o quanto gostaria de saber
- Não sei do meu estilo, que anda mudando muito. rs.
- Não sei do meu corte de cabelo
- Na verdade, não sei de cuidar da minha aparência
- Não sei de cuidar de gente do modo que eu gostaria
- Não sei de ser bailarina de verdade. E eu quero. E eu busco. E eu fervo pra saber.
- Não sei de ser fria
- Não sei cuidar de um bichinho. E não vou ter um bichinho ao mudar de casa, porque eu não vou poder cuidar dele ficando 838746654 horas fora de casa. Preciso ser enfática nisso porque é uma discussão constante na minha cabeça.
- Falo que sei, mas não sei de beber que nem adulto quando estou triste. A tristeza me faz ter 15 anos de novo. Nota mental: parar com isso, pelamor.
- Não sei de me perder às vezes. Como diria minha querida Clarisse, genia indomável, "perder-se também é caminho".
- Não sei lidar com distâncias. Preciso trabalhar muito isso.

Apesar da lista não sei ser menor, acho que vou descobrindo mais coisas que não faço ideia dia após dia. Me sinto muito feliz em não ter morrido no domingo. Me sinto grata por existir e poder buscar saber dessas coisas que não sei. Mas estou indo bem.


Bater a cabeça é bom pra chacoalhar os miolinhos. Crise é bom pra crescer, bem ericksoniana (e como eu gosto desse fulano Erik Erickson!)

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Dearest friend

Quando duas almas complementares se encontram, não há distância ou tempo que as separem. Pois o amor entre elas se manifesta por um espectro de tamanho colorido que a compreensão de um sem o outro se torna impossível.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Mais um inacabado

Dois
Escorregando entre os dedos dos sentimentos incertos
Um
Anseio carregado de rompantes de ansiedade
Pois o silêncio do olhar é um refúgio natural
e se a entrega me parece consequente
Dois, quente
A sutileza dos instantes define o que vem adiante
(esperança), um ou dois

Doce é a poética do desejo
Escancarada a cada gesto recheado de ardor
Palavra cuja rima perigosa de ser revelada
Define a tensão sobre tudo o aquilo que é sincero

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Enfim, o que é daquilo que poderia ter sido

Se me esqueço da complexidade de escrever
rapidamente me volta a memória você
tradução insuficiente de sutileza sobre si,
não há nada que te descreva

Mais que tempo,
Música ou lembrança
Mantenho sua existência guardada
Quando momentos transformaram-se em anos

E até hoje,
Pessoa alguma no mundo
Me inspira e me toca em profundo
com a clareza do teu olhar
mesmo que seja distante
na memória,
na palavra,
no minuto em que não fomos amantes

Seria um presente
se minhas palavras, coisas faladas
aproximassem a deliciosa sensação
de te ter como inspiração