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terça-feira, 8 de outubro de 2013

Repente de poesia fria

Sob os ventos, os cabelos novamente voam
À espreita da chuva a voltar
O gelado no rosto e nas mãos
É a poética trazida ao altar

Revoltas as folhas que caem
Neste frio acabar de setembro
Primavera esperada não chega
Outono que findo recolhe o intento

Tantas flores perdidas
Salpicam o chão, sinos de vento
Tanta santa estrela esquecida
Sobre o peso das nuvens do tempo

Visita da dor e da morte
Neblina levando a boiada
Cada sopro arrastando era forte
Passos gélidos, escorregadia estrada 

Foi-se vida pairando o norte
A felicidade na madrugada parada



*pequena nota: veio rompante de choro na rua escura e vazia. Vento que faz a gente sentar e pensar sobre a vida e sua finitude, sobre o amor que se vai mas é eterno, sobre a saudade que fica quando o destino final é mais forte que o querer estar sempre por perto. Para meu avô.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Diving

[Introduçãozinha Mequetrefe] Quando eu dancei pela última vez com o Balé da Cidade de Santos, achei que fosse a minha última vez em cena. O ballet, Tributo a Villa-Lobos (2005, Renata Pacheco) tinha como música final "Trenzinho do Caipira" e, desde então, sempre que acho que alguma coisa vai ser a última em minha vida, fico triste e ouço essa música. Porque meu ouvido e meu choro me lembram que tem sentimentos especiais que são mais fortes do que a vontade do tempo de por fim em certos encontros.

Wish I could write to you the most beautiful poem ever, but I'm not able to put down in words everything you mean to me. My love is greater than any possible lines...


Diving

Como música atravessando o coração
A saudade me preenche
E deixa o choro na madeira do violino

Ressoava felicidade no corpo a cada arcada
Agora é vazio no peito
Trem que parte sem hora na madrugada
Cheio de carinho roubado de mim

Ao longe é fumaça
Perdida no céu dos teus olhos
Diminui o ruído, finge ser finito
E aumenta a falta que esquece pra trás

E sobre os finais de poema e de alegria absorta
Basta dizer que o tempo é curto
Mas nosso amor nessa arte nunca se acaba



E eu abri meu violino e tirei a música que eu amo tanto... E repito: "Quando duas almas complementares se encontram, não há distância ou tempo que as separem. Pois o amor entre elas se manifesta por um espectro de tamanho colorido que a compreensão de um sem o outro se torna impossível."

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Enfim, o que é daquilo que poderia ter sido

Se me esqueço da complexidade de escrever
rapidamente me volta a memória você
tradução insuficiente de sutileza sobre si,
não há nada que te descreva

Mais que tempo,
Música ou lembrança
Mantenho sua existência guardada
Quando momentos transformaram-se em anos

E até hoje,
Pessoa alguma no mundo
Me inspira e me toca em profundo
com a clareza do teu olhar
mesmo que seja distante
na memória,
na palavra,
no minuto em que não fomos amantes

Seria um presente
se minhas palavras, coisas faladas
aproximassem a deliciosa sensação
de te ter como inspiração

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Sobre a foto de Suellen

te vejo tão triste, pendurada nessa janela deixando a vida escorrer no horizonte
estás tão distante que o olhar que te faz ainda mais bela enxerga a lonjura e segreda a beleza defronte
do alto da cidade vento nenhum te congela; aferventa a procura pela paixão de existir
e existe, assim, tão bela, diante da tua janela...




Para Susie, minha amiga linda.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Caminhante

Bate sol no movimento
Caminhante contra o vento
Corpo versus alma crua
Silhueta desenhando a rua

Caminhante solitário
Passageiro mercenário
Habitante da memória
Caminhante

Se afasta pela borda fria
Segue a sombra pela via
Se sorri ou se chora já não vejo
Segue a dúvida despedida pelo beijo

Sussurrar em teu ouvido era arrepio
Longe, grito teu nome no vazio
Caminhante distante
Cala a lágrima, deixa o coração estanque

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Pós-pós


Clique é (des)toque
Brilho no rosto escuro da vida
Não destoca: retoca
a imagem, o espelho sem volta.

Descontrole pelo medo de estar controlado
clicado
marcado
curtido em massa, tempero para não apodrecer.

Sem luz, o único corpo é o da vela.
Deixa o fogo consumir o comprado
Vontade de estar ao lado
Mantendo a distância da tela.