A chuva caia repleta de gotas circunscrevendo a madrugada enquanto eu andava com as chinelas lisas pelo tempo de uso, me escorregando nas pinturas do chão. Mas é que daí eu pisquei. Na minha memória, ele passaria a mão na nuca para sempre, imberbe, boca entreaberta de concentração na matemática. "Irremediavelmente apaixonados pelo resto da vida(*)", mas o resto da vida era muito tempo. Seus pequenos olhos sob as sobrancelhas arqueadas, problema insolúvel sobre a folha de papel e aquele momento congelou, me aquecendo. Concentrado, ele era sempre nu, deixava-se ver por inteiro e minha felicidade sabia que sua entrega não era por minha causa. Pisquei e perdi o ponto, corri pelas vias molhadas e segundos depois não tinha controle. É que, estatelada, do chão, já não dava pra voltar atrás. Fico em dúvida se em alguma ocasião haveria tal possibilidade...
(*) Virginia Woolf, As ondas. Na edição da Novo Século, página 40.
arte, cultura, baboseiras, relíquias por aí. saber o que é não importa, só é preciso mexer.
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
terça-feira, 21 de outubro de 2014
Momento
Parece existir toda uma poética nessa busca que tenho feito em relação a minha movimentação. Me sinto um pouco como um artista dos desenhos procurando o seu traço... Relendo alguns textos, percebo que estou falando sobre quase as mesmas coisas faz tempo e nunca me havia dado conta. Acho que eu não havia me dado conta de quem eu sou nesse mundo... Bom, acredito ter encontrado algo, nada que seja suficiente para concluir buscas e pesquisas; só pra botar mais lenha.
Como Ismael disse uma vez, "um bom coreógrafo não deve se apaixonar pelo seu trabalho" e eu estou bem longe disso, mas faz sentido pensar nessa frase como mais um incentivo a uma procura constante.
Vou indo não sei pra onde, e ao mesmo tempo é engraçado porque o caminho está cheio de mim mesma. E não só de mim, mas de interações. Com os olhos bem abertos vou, devagar, parando de me esconder e tomando a coragem de falar.
Estou feliz por me sentir viva outra vez.
Como Ismael disse uma vez, "um bom coreógrafo não deve se apaixonar pelo seu trabalho" e eu estou bem longe disso, mas faz sentido pensar nessa frase como mais um incentivo a uma procura constante.
Vou indo não sei pra onde, e ao mesmo tempo é engraçado porque o caminho está cheio de mim mesma. E não só de mim, mas de interações. Com os olhos bem abertos vou, devagar, parando de me esconder e tomando a coragem de falar.
Estou feliz por me sentir viva outra vez.
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
Fenster... Freiheit
Se fechar os meus posso ver os teus
mas isso aqui não tem lugar
presa em uma emboscada que eu criei
fico atrás de uma janela
Uma janela para a liberdade
Esta manhã me acordaram pássaros verdes
Um prenúncio de felicidade
me pergunto qual o porque de estar
já que o grosso do vidro (ou seria o cinza do tempo?)
Realiza tudo o que é distante
É apenas desatino
Não sofro pelo inexistente
A vida segue rolando ladeira abaixo
São contas, contos e espantos os diários
Pra aquilo, aqui não tem lugar...
somente há falta.
mas isso aqui não tem lugar
presa em uma emboscada que eu criei
fico atrás de uma janela
Uma janela para a liberdade
Esta manhã me acordaram pássaros verdes
Um prenúncio de felicidade
me pergunto qual o porque de estar
já que o grosso do vidro (ou seria o cinza do tempo?)
Realiza tudo o que é distante
É apenas desatino
Não sofro pelo inexistente
A vida segue rolando ladeira abaixo
São contas, contos e espantos os diários
Pra aquilo, aqui não tem lugar...
somente há falta.
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
sábado, 4 de outubro de 2014
Repetição sustenida
Há uma fresta por onde passam os sonhos
Iluminada pela interpretação
Teatro de alguém que não se conhece
Um lugar distante onde não existo
Refúgio onde os pensamentos não alcançam
Frágil memória não me deixa envolver
O irreal é uma ilha cercada de verdades
Que guarda a beleza do que se esvai
Num piscar remoto de olhos
A busca do drama na tela
Apenas escape das paixões e ânimos reais
O que faz de mim alguém que espera
Coisa qualquer, música a apaziguar
O que há além da janela?
Céu de vanilla, vívido azul mortal
Entre nós, a trama da rede que me prende e cega
O estado torpe do meu corpo sentado ao chão da sala
Repleta de tudo o que não tem lugar
Eu não tenho também
Mais um móvel estático coberto de trapo
se pendurando na fragilidade dos sonhos
de um eu desconhecido
à espera de seu destino final
Iluminada pela interpretação
Teatro de alguém que não se conhece
Um lugar distante onde não existo
Refúgio onde os pensamentos não alcançam
Frágil memória não me deixa envolver
O irreal é uma ilha cercada de verdades
Que guarda a beleza do que se esvai
Num piscar remoto de olhos
A busca do drama na tela
Apenas escape das paixões e ânimos reais
O que faz de mim alguém que espera
Coisa qualquer, música a apaziguar
O que há além da janela?
Céu de vanilla, vívido azul mortal
Entre nós, a trama da rede que me prende e cega
O estado torpe do meu corpo sentado ao chão da sala
Repleta de tudo o que não tem lugar
Eu não tenho também
Mais um móvel estático coberto de trapo
se pendurando na fragilidade dos sonhos
de um eu desconhecido
à espera de seu destino final
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
Só e a perigo
[[Às vezes me sinto nostálgica
Sobre um tempo que não chegou
Penso que pode não ser nostalgia
Sentimento qualquer que eu não possa nomear
Melancólicos os dias que a cinzenta noite traz
Era espaço o que ficava aberto
Entre o nada e o lugar nenhum
Palavras perdidas ao som da cerveja se abrindo
Tudo isso pode parecer sem sentido
E em alguma medida o é.
Não faz rima, tem ponto
É findo o aquecer perto do peito]]
Estou clara como pode ser a morte
Mas certa do que não vejo
Neblina baixa rasgando a cidade
Cobre meu corpo enquanto me deito
Desce macio cada gole
Muito adjetivo para pouco sofrimento
Pode ser assim que se mata a prole
Aquela que nunca sairá deste ventre
São colchas vazias que cobrem
A esperança de algo que não flui
Estaca repartindo em três pedaços
Estilhaços pontiagudos produzindo finais
Porque todo final é um riste
Apontando no meio da fuça
Entregando o fugitivo a passar pelo ralo
Mas não pode se esconder de si
Vulnerável ao seu próprio estar...
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
Não quero dar um título.
Entre num balão, pra subir bem alto
Que toda queda é passageira
E o certeiro feito a morte só atinge uma vez
Entre num carro, última velocidade
Se o vento arranca os cabelos
A emoção está por vir, corpo contra o banco, pé contra o pedal
Entre em ou na forma.
Não seria mais fácil que lidar
com as pequenas destruições do dia a dia?
O que é mais fácil? Pular de um precipício
Mergulhar até o fundo do mar?
"Tudo eventualmente volta rastejando para casa".
E cadê você, onde está?
Se embrenhando entre arbustos
Só o olhar amedrontado aparece. Está escuro, não te veem.
Não sei o que vai ser daqui pra frente
Depois de tantas tentativas latentes
Pequenas mortes
Entre aqui, entre lá.
Agora que saí, ou nunca entrei
Resta apenas o in between.
O que fazer?
Que toda queda é passageira
E o certeiro feito a morte só atinge uma vez
Entre num carro, última velocidade
Se o vento arranca os cabelos
A emoção está por vir, corpo contra o banco, pé contra o pedal
Entre em ou na forma.
Não seria mais fácil que lidar
com as pequenas destruições do dia a dia?
O que é mais fácil? Pular de um precipício
Mergulhar até o fundo do mar?
"Tudo eventualmente volta rastejando para casa".
E cadê você, onde está?
Se embrenhando entre arbustos
Só o olhar amedrontado aparece. Está escuro, não te veem.
Não sei o que vai ser daqui pra frente
Depois de tantas tentativas latentes
Pequenas mortes
Entre aqui, entre lá.
Agora que saí, ou nunca entrei
Resta apenas o in between.
O que fazer?
Blog Confessionário
Preciso confessar que sinto um incômodo muito grande em relação a algo que eu não faço ideia do que seja... Tem uns dias que ouço reclamações de amigos, dizem eles que demoram a responder perante situações incômodas, angustiantes, etc, etc, etc. Compartilho o sentimento. Me sinto um pouco letárgica até para perceber o que está me afetando, e assim, me mantenho num lugar muito ruim de estática.
Da última vez que aconteceu, era fevereiro e eu não sabia muito bem o que fazer comigo. Descobri meio por acaso em julho, quando me botei em cima das pernas e resolvi andar pra frente. Ou dançar para todos os lados. Agora, meados de setembro, as angústias voltam a ser pungentes e eu nem sei se dá pra chamar de angústia essa sensação de vulnerabilidade. É que da última vez o problema foi abrir e sair de caixas; me questiono se hoje o problema não é fechar.
Da última vez que aconteceu, era fevereiro e eu não sabia muito bem o que fazer comigo. Descobri meio por acaso em julho, quando me botei em cima das pernas e resolvi andar pra frente. Ou dançar para todos os lados. Agora, meados de setembro, as angústias voltam a ser pungentes e eu nem sei se dá pra chamar de angústia essa sensação de vulnerabilidade. É que da última vez o problema foi abrir e sair de caixas; me questiono se hoje o problema não é fechar.
domingo, 7 de setembro de 2014
segunda-feira, 25 de agosto de 2014
Verão em Viena. Ou Antes do amanhecer. Ou o que valha.
Esse texto é sobre as coisas como eu queria que tivessem sido. São muitos desejos obstruídos pela realidade da memória daqueles tempos. Aqueles tempos que tive medo de sentar ao seu lado e tomar café junto, conectados. Tive medo de tantas coisas e ele mesmo me impediu de viver mais detalhes de cada uma daquelas horas rápidas. Não era o meu mundo, nem o dele, mas fui eu todo o tempo, entre a beleza de um olhar, o encontro, e a distância do abraço que sela aquilo que foi. Foi. Não há como voltar nem ao menos para olhar de fora. A memória, traiçoeira, passa a borrar os rostos, os poucos objetos do apartamento. Eu quis deixar apagar. Não sei por onde ir, se é melhor reviver os enquantos que a lembrança não se vai ou se o esforço para esquecer me cabe mais.
Eu queria caber em seus braços por mais horas, que as horas parassem por todo o verão. E as reconexões se dessem de forma naturalmente expandidas mais um milhão de vezes. Talvez o que eu queria mesmo é voltar no momento de aproximação e me deixar ficar lá, estática, olhando-o intensamente até que todos fossem embora. Pra que eu virasse de costas e não quisesse olhar para trás, pois era aquilo e aquilo só.
Talvez tenha sido aquilo o que foi e só; provavelmente. Mas a sensação de que ainda há mais não morreu com a sua entrada no táxi, nem com a moeda, presente dele, lançada rio abaixo. Quero achar um modo de terminar o texto com a pouca esperança do que "ainda pode ser" que me sobra.
Chega de texto, de frase, de palavras mas, por fim, não acaba.
Eu queria caber em seus braços por mais horas, que as horas parassem por todo o verão. E as reconexões se dessem de forma naturalmente expandidas mais um milhão de vezes. Talvez o que eu queria mesmo é voltar no momento de aproximação e me deixar ficar lá, estática, olhando-o intensamente até que todos fossem embora. Pra que eu virasse de costas e não quisesse olhar para trás, pois era aquilo e aquilo só.
Talvez tenha sido aquilo o que foi e só; provavelmente. Mas a sensação de que ainda há mais não morreu com a sua entrada no táxi, nem com a moeda, presente dele, lançada rio abaixo. Quero achar um modo de terminar o texto com a pouca esperança do que "ainda pode ser" que me sobra.
Chega de texto, de frase, de palavras mas, por fim, não acaba.
domingo, 27 de julho de 2014
Inofensivo
Ele lhe disse que era a primeira vez e ela jurou não contar a ninguém. Sabiam, olhando nos olhos, que contavam saborosas mentiras, mas era a conexão o importante na brevidade daquelas horas.
sábado, 26 de julho de 2014
Sexta
Quando toca, ressoa inteira
Perpassando alma, gesto e figura
Não há nada que dimensione
Os tantos entretantos existentes
Nesse seio reside um intenso
E uma paz peculiar
Reboliço equilibrado pelo encontro dos olhos
Tantos, eram apenas dois
A vida complexa se simplifica
Pela maciez de um toque
Atravessando os poros
Entra suave e desliza
Até o último suspirar de gozo
Hoje só em desalinho
Memória encostada nos braços do impossível
Todo me toma, entregue a guia do caminho...
Perpassando alma, gesto e figura
Não há nada que dimensione
Os tantos entretantos existentes
Nesse seio reside um intenso
E uma paz peculiar
Reboliço equilibrado pelo encontro dos olhos
Tantos, eram apenas dois
A vida complexa se simplifica
Pela maciez de um toque
Atravessando os poros
Entra suave e desliza
Até o último suspirar de gozo
Hoje só em desalinho
Memória encostada nos braços do impossível
Todo me toma, entregue a guia do caminho...
[pensamentos]
Como pode o toque de dois corpos, pele contra pele, sugerir tamanha intimidade? Como se houvesse uma fusão momentânea entre as duas pessoas, transformando-as em uma. Porosidade sentimental e entrega. Unicidade.
segunda-feira, 14 de julho de 2014
[pensamentos]
Sou afeita a repetições. Mas quando você entra num processo de exploração, repetir demais não se torna interessante.
terça-feira, 1 de julho de 2014
[pensamentos - pré Viena]
Levo na mala uns sonhos, umas memórias, bastante carinho e muito, muito espaço. Coração aberto para outras experiências, novos caminhos e compreensões. Cada última aula foi uma pequena despedida, única e especial, cada último abraço e beijo dos amigos. Mas despedidas são sempre recomeços. Me despeço nesse primeiro de julho de vários pedaços de mim, em busca de reconstruções... E que assim seja.
quarta-feira, 18 de junho de 2014
[pensamentos]
Bambear a vida entre o tempo perdido e corridas atrás dele não deixa espaço para simplesmente estar...
sábado, 14 de junho de 2014
[pensamentos]
Às vezes estamos tão preocupados e seguir em frente que a vida trata de colocar quadros do nosso passado no caminho. O encontro entre a representação de algo não cabível no tempo do agora e o prumo para o futuro causa uma estranheza muito produtiva no olhar e no lidar com as coisas, lança mão da história de nós mesmos e arrebata a gente de qualquer automatismo.
sábado, 7 de junho de 2014
[pensamentos]
A criança experimenta e reproduz as experiências corpóreas que lhes são mais interessantes. Tem grande ânsia pela repetição e, ao mesmo tempo, uma tranquilidade muito natural em relação a isso. Repete o que sente ser bom, quer milhões de vezes. Mas apenas a repetição não causaria a pequena sensação do descobrir o que tem dentro da caixa, segundos de estupefação. Descobrir um novo modo físico, indo mais por ali ou mais por aqui é o que o adulto, tão cheio de consciência, deveria resgatar. Usar a consciência para sair do consciente, se arriscar e viver sentindo experiências diferentes sem se achar ridículo por isso...
quinta-feira, 5 de junho de 2014
[pensamentos]
Algumas pessoas tem algo de místico dentro de si. Não sei dizer se é a pele, a respiração ofegante no pescoço ou os olhos. Ah sim. Definitivamente os olhos... Que quando cruzam com os nossos trazem a mesma sensação arrebatadora da brisa quente depois de longos dias de inverno. É o sagrado manifestando-se em sua plenitude.
quarta-feira, 28 de maio de 2014
[pensamentos]
Tenho andado muito quieta, espaçando comentários a tiro de bala. Esse silêncio nada tem de positivo: é fruto de uma indefinição interna bloqueando a comunicação. Engraçado, se posso dizer isso é porque algo em mim se restabelece, sou rápida e não posso perder tempo com esses percalços. Já passou...
[pensamentos]
Procuro alguém pra olhar para um lado da Augusta enquanto olho o outro. Vamos atravessá-la com o sinal fechado, a gente fala "deu" e vai. Tem poucas pessoas no mundo que dá pra confiar assim.
segunda-feira, 12 de maio de 2014
Rebel
Transeunte das tardes tão frias
Se sacodem os cabelos rebeldes
Não há controle na intensidade que emana
A cada fio rebolante, todos os lados
Que são ângulos curvilíneos
Os desenhos no espaço
É sabido, é visível
Cada faísca de desejo bruxoleando
Ao olhar nos teus olhos,
Encoberta tua tempestade de areia,
Sinto que estás inflamando
There is something, there is something...
Identificação desnecessária, sei quem tu és
Cabelos rebeldes, fogo nos pés
A cada labareda te revelas
Completamente tangível e tangente à incoerente realidade
22/04 - 12h19
Se sacodem os cabelos rebeldes
Não há controle na intensidade que emana
A cada fio rebolante, todos os lados
Que são ângulos curvilíneos
Os desenhos no espaço
É sabido, é visível
Cada faísca de desejo bruxoleando
Ao olhar nos teus olhos,
Encoberta tua tempestade de areia,
Sinto que estás inflamando
There is something, there is something...
Identificação desnecessária, sei quem tu és
Cabelos rebeldes, fogo nos pés
A cada labareda te revelas
Completamente tangível e tangente à incoerente realidade
22/04 - 12h19
terça-feira, 29 de abril de 2014
[pensamentos]
Mas tem sempre aquele pedaço de travesseiro que você encosta e está lá, vívido e meio viciante, o cheiro. E as lembranças daquilo que foi bom, apesar da decisão em seguir por caminhos diferentes. Como se pulsasse carinho e risadas, quanta coisa por um cheiro. O difícil é perceber que já se esteve nesse lugar um milhão de vezes, o da falta, da memória, da solidão e dos desencontros. Que quase sempre foi o problema do timing, ou as decisões afastando um do outro. Já foram tantas paixões intermináveis, tantos guardados, cheiros e indispensáveis abandonados que paira no ar a sensação de que só é possível viver mais do mesmo. Não é real, mas existe, maior ainda, um medo de que seja, apesar da ânsia por viver uma nova paixão.
terça-feira, 22 de abril de 2014
[pensamentos]
Às vezes é preciso calar para ouvir os próprios silêncios, respeitar os próprios espaços. Ou deixar tantas vozes entrarem numa mesma frequência, ouvir um uníssono interno pra seguir alguma direção...
segunda-feira, 31 de março de 2014
Nós e fitas
Trago os dedos ósseos de um amor comprimido
Tantas as veias que me sugam a alma
Só eu sei o quanto ela é infinda
Pois então deixo sugar e tentar esmaecer
Mas é aquilo que não se apaga
O norte da vida a estar por estes castigos
Nada pode de maneira alguma me prender
Sou, ou pareço ser, evasivo
Entretanto, se há algo esquecido de dizer
Posto que fora vento de liberdade
A palavra escorrida da caneta ou lápis anti-borracha
Voltará, rompante brutal do meu ser
Como um grito
Um nó a desprender...
quinta-feira, 6 de março de 2014
2014
Como encontrar o que se procura
Se não se sabe o que quer?
Basta pensar e aguçar a escuta
Abrir o peito e os olhos de si, mulher!
Eu quero dança, quero alegria
Ter amor em volta e dentro
No trabalho, ter talento
E que em casa reine a harmonia
Quero paz, tranquilidade e saúde
Saber que beleza é estado de espírito
Aproveitar os anos de juventude
Envelhecer em tudo, menos na escrita
Se eu sofrer, que seja por bondade
Por olhar para o outro com cautela
Entender que sabedoria vem com a idade
E que cada um sabe de suas mazelas
Desejo ser sensível aos pequenos
Frutos da renovação e do olhar para frente
Orando para que os meus sejam serenos
Saudáveis, senhores de seus corpos e mentes
Quero dançar até o último momento
Até que a carne esteja fria
Sabendo que da minha alma sempre o intento
Fora ser artista, e que fui por todos os dias
Desejo estar de mãos dadas
Nas horas alegres e nas amargas
Com outras, que nunca estejam vagas
Tão amantes e tão amadas
E que contratempos e deslizes não nos afastem
Porque pode ser dura a convivência
Mas que carinho e amor tanto nos enlacem
Que seja fácil a compreensão e a coerência
Quero, anseio por tudo isso!
Mal posso esperar o raiar de amanhã
Para seguir buscando os desejos que em mim
atiço...terça-feira, 4 de março de 2014
Confissões de um amor de carnaval
Não posso me conformar que na era de tanta ligeireza tecnológica possa ter me perdido da saia rodada e da flor de cabelo mais lindas que vi no carnaval. É mais ou menos como se fosse 1700, dançássemos na corte uma coreografia pré-moldada e meus acessórios fossem embora na correria, família toda, antes da 12° batida da meia noite. Logo eu e meu smartphone de última geração, GPS atualizado e internet ilimitada. Duas câmeras, dois chips, três redes sociais (foto, mini-blog e outra mais completa, todas muito na moda), três aplicativos de mensagens instantâneas, um aplicativo de vídeo, um de email, outro de compras aéreas, aliás, vários de compra virtual de todo tipo de coisa, até dois aplicativos de relacionamento virtual. Tudo para me conectar. Acho que a graça da vida está na conexão, especialmente entre as pessoas, e eu tinha tudo na palma da minha mão. Notas, calendário, as músicas que fui ouvindo até chegar no bloco, vídeos dos amigos virando algumas doses, fotos das belezas naturais pelo caminho.
Meu smartphone só não tinha bateria. E o smartbrain não tinha uma caneta. A flor e a saia voaram feito passarinho, e valia ter nas mãos; se foram para sempre, perdidas na 4° ou 5° badalada do relógio da Consolação. Me pergunto se foi mesmo real...
Meu smartphone só não tinha bateria. E o smartbrain não tinha uma caneta. A flor e a saia voaram feito passarinho, e valia ter nas mãos; se foram para sempre, perdidas na 4° ou 5° badalada do relógio da Consolação. Me pergunto se foi mesmo real...
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
Frenético - Intenso
Tomei muito café e agora preciso de um cigarro pra me
acalmar. Não é uma droga de mundo? E quando você fala a verdade, as pessoas
preferem tampar o ouvido, “me conte uma história de ninar, quero descansar”. As
verdades são tão indeléveis, tão profundas, rasgam a gente em dois, antes e
depois, e viramos um cristal quebrado. Como é sensível esse mundo do tocável.
Como são sensíveis as pessoas que fingem não existir o sofrimento do outro.
Como é estranho.
É uma droga de mundo e o MEU cigarro é o problema. Na minha
casa, ao lado da cama que ocupo sozinha, acalmando meus nervos, o cigarro é o
problema. Dos outros. Botam umas gentes morrendo na capa pra que eu me
sensibilize, mas a gente finge não existir o sofrimento do outro. Eu vejo meu
prazer. Subindo pelas minhas pernas, me aquecendo as noites frias e as quentes
e as de chuva também. Molhando. Mas também não pode, é pecado, você jovem,
velha, barriguda, saradinha, casada, carente, solteira, feliz, donzela ou
atriz.
O propósito de isso tudo é que não há propósito algum além
de falar e falar sobre aquilo que deixo calar tantas vezes. Já disse que tomei
café demais, amanhã vai ser difícil acordar e perceber que nada mudou. Volto à
rotina como se não houvesse falado nada. Esses desatinos solitários refratam a
luz em tantos ângulos que físico nenhum podia suportar. Nem o meu próprio, esse
tanto cigarro, e se eu morrer vai ser porque eu quis. Ora, mentira, todo mundo
morre. Querendo ou não. Se é o destino, que eu encare a verdade com três doses
de tequila em uma mão só, equilibrando aquilo que consigo na vida. Parece não
fazer sentido, mas faz, basta ver quanta coisa a gente carrega nos ombros antes
de empacotar. Pra NADA. Pra dizer que pode.
Quando a gente larga tudo, aí é depressão. Porque nem se
encher o saco nos permitem mais. Ninguém quer ver a verdade, mas os poetas,
médicos e jornalistas jogam na nossa cara o tempo todo que é ela a importante.
Queria ver se quem faz o discurso usasse daquilo que diz. A verdade é outra
droga, mas é uma droga que se faz para vender. Eu compro a sua e você compra
a minha, sabe? E por fim, ela nem existe mesmo, a gente inventa, e se inventa
não pode ser verdade. Não absoluta. Não há absoluto. Há Absolut. Umas boas
quatro doses, é mais fraca que a tequila.
Ou eu que sou fraca. Essa coisa toda tá me endoidando,
acabou meu cigarro e a paz.
Bom pra entrar nessa semana cuidando mais do físico. Me
masturbo menos, quem sabe encontro um verdadeiro amor. Alguém que me venda
carinho e afeto, qualquer droga que alimente.
É uma merda esse mundo.
Beijos, fui comprar um livro de dormir.
Vee
Cabelos louros sob a tez macia
Charming
Escapa o verde de um olho entre
as mechas
Sexy
Encara os seus fixamente
Horny
Despindo-lhe com uma vontade que
não intimida
Invites
A hand under your dress
Sobe
Beautiful body showing your fears
Entra
Mess up your life, clothes and hair
Toma
Deligthful words with tender lies
Cospe
Plasticidade de escritos
incompreensíveis
Breath taking
Falas tão baixas que não pode
ouvir
Dirty
Cabeça para baixo, quem está por
cima?
Silky
Morde seus lábios fora de
esquadro
Desire
Aganist the sweated skin a wall
Pulsa
Back and forth all over again
Repete
Find the means to provide what it wants
Geme
Go with the flow to end up your being
Restringe
Voyeur ao horizonte escorre na
sacada
Melting
Faz samba na alma, reboliço
intento
Poison ivy
Entremeios de imagens, sombras e
metades
Madly
Gentilmente ferve o ressoar por
dentro
Leaves
Cabelos louros sob a tez macia
Escapa o verde de um olho entre
as mechas
Encara os seus fixamente
Despindo-lhe com uma vontade que
não intimida
Sobe
Entra
Toma
Cospe
Plasticidade de escritos
incompreensíveis
Falas tão baixas que não pode
ouvir
Cabeça para baixo, quem está por
cima?
Morde seus lábios fora de
esquadro
Pulsa
Repete
Geme
Restringe
Voyeur ao horizonte escorre na
sacada
Faz samba na alma, reboliço
intento
Entremeios de imagens, sombras e
metades
Gentilmente ferve o ressoar por
dentro
Charming
Sexy
Horny
Invites
A hand under your dress
Beautiful body showing your fears
Mess up your life, clothes and hair
Deligthful words with tender lies
Breath taking
Dirty
Silky
Desire
Aganist the sweated skin a wall
Back and forth all over again
Find the means to provide what it wants
Go with the flow to end up your being
Melting
Poison ivy
Madly
Leavesquinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Inusitado
Desejo dispara o coração
Atiça a ansiedade
Larga a perna bamba a envolver teus quadris a pulsar
Define certa tensão entre os dois
O que estava perto, era dado
Mão sobre os olhos escondendo o que vem depois...
Atiça a ansiedade
Larga a perna bamba a envolver teus quadris a pulsar
Define certa tensão entre os dois
O que estava perto, era dado
Mão sobre os olhos escondendo o que vem depois...
sábado, 25 de janeiro de 2014
Mais um, menos outro
Não vale uma rima da minha poesia
Mas tua beleza se espalha como erva daninha
Nesse tomar de corpo queima, arde e inebria
Nada compara a tua presença
Afeta a alma, o afeto, a estranha querelância de te ter por perto...
Extinguir de alegria é a falta que faz
Como se olhos fossem imãs a prender atenção
Usa de todo seu ser pra ter todas na mão
É tão fugaz!
Controle que expressa seu corpo sagaz
Belo, belíssimo, presença no estar
E sem choro nem vela
Parte estrofe, coração e cancela
Indo embora para não mais voltar
E eu, confiante e esperta
Caída por tantas paixões tão mais belas
Senti a falta do claro teu olhar
Não fosse a solidão tristeza a atormentar, era forte
Mas tu tao galante não pude evitar...
Se fosse mesmo esperta
Menos artista, mais racional
Fechava a porta entreaberta
E voltava a minha vida normal...
Mas o novo, o intenso e o desejo
Me torturam, esperança de ter ao menos um tempo
Com teus lábios carnudos que esquentam
Ao entreabrir de graça cruzando o olhar
Não vale nem uma rima de poesia
Mas uns instantes com tua pele, nao posso negar que queria...
Mas tua beleza se espalha como erva daninha
Nesse tomar de corpo queima, arde e inebria
Nada compara a tua presença
Afeta a alma, o afeto, a estranha querelância de te ter por perto...
Extinguir de alegria é a falta que faz
Como se olhos fossem imãs a prender atenção
Usa de todo seu ser pra ter todas na mão
É tão fugaz!
Controle que expressa seu corpo sagaz
Belo, belíssimo, presença no estar
E sem choro nem vela
Parte estrofe, coração e cancela
Indo embora para não mais voltar
E eu, confiante e esperta
Caída por tantas paixões tão mais belas
Senti a falta do claro teu olhar
Não fosse a solidão tristeza a atormentar, era forte
Mas tu tao galante não pude evitar...
Se fosse mesmo esperta
Menos artista, mais racional
Fechava a porta entreaberta
E voltava a minha vida normal...
Mas o novo, o intenso e o desejo
Me torturam, esperança de ter ao menos um tempo
Com teus lábios carnudos que esquentam
Ao entreabrir de graça cruzando o olhar
Não vale nem uma rima de poesia
Mas uns instantes com tua pele, nao posso negar que queria...
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