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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Frenético - Intenso

Tomei muito café e agora preciso de um cigarro pra me acalmar. Não é uma droga de mundo? E quando você fala a verdade, as pessoas preferem tampar o ouvido, “me conte uma história de ninar, quero descansar”. As verdades são tão indeléveis, tão profundas, rasgam a gente em dois, antes e depois, e viramos um cristal quebrado. Como é sensível esse mundo do tocável. Como são sensíveis as pessoas que fingem não existir o sofrimento do outro. Como é estranho.
É uma droga de mundo e o MEU cigarro é o problema. Na minha casa, ao lado da cama que ocupo sozinha, acalmando meus nervos, o cigarro é o problema. Dos outros. Botam umas gentes morrendo na capa pra que eu me sensibilize, mas a gente finge não existir o sofrimento do outro. Eu vejo meu prazer. Subindo pelas minhas pernas, me aquecendo as noites frias e as quentes e as de chuva também. Molhando. Mas também não pode, é pecado, você jovem, velha, barriguda, saradinha, casada, carente, solteira, feliz, donzela ou atriz.
O propósito de isso tudo é que não há propósito algum além de falar e falar sobre aquilo que deixo calar tantas vezes. Já disse que tomei café demais, amanhã vai ser difícil acordar e perceber que nada mudou. Volto à rotina como se não houvesse falado nada. Esses desatinos solitários refratam a luz em tantos ângulos que físico nenhum podia suportar. Nem o meu próprio, esse tanto cigarro, e se eu morrer vai ser porque eu quis. Ora, mentira, todo mundo morre. Querendo ou não. Se é o destino, que eu encare a verdade com três doses de tequila em uma mão só, equilibrando aquilo que consigo na vida. Parece não fazer sentido, mas faz, basta ver quanta coisa a gente carrega nos ombros antes de empacotar. Pra NADA. Pra dizer que pode.
Quando a gente larga tudo, aí é depressão. Porque nem se encher o saco nos permitem mais. Ninguém quer ver a verdade, mas os poetas, médicos e jornalistas jogam na nossa cara o tempo todo que é ela a importante. Queria ver se quem faz o discurso usasse daquilo que diz. A verdade é outra droga, mas é uma droga que se faz para vender. Eu compro a sua e você compra a minha, sabe? E por fim, ela nem existe mesmo, a gente inventa, e se inventa não pode ser verdade. Não absoluta. Não há absoluto. Há Absolut. Umas boas quatro doses, é mais fraca que a tequila.
Ou eu que sou fraca. Essa coisa toda tá me endoidando, acabou meu cigarro e a paz.
Bom pra entrar nessa semana cuidando mais do físico. Me masturbo menos, quem sabe encontro um verdadeiro amor. Alguém que me venda carinho e afeto, qualquer droga que alimente.
É uma merda esse mundo.
Beijos, fui comprar um livro de dormir.

sábado, 27 de outubro de 2012

Nu em outro

Em certo ponto, resolveu não se envolver em relacionamentos com amor. Sim. Dividir a vida em pré e pós romantismo de livro, esquecer dos contos de fadas com finais felizes. Até porque, se fada madrinha existisse, seria essa a sua função no mundo e nunca lera uma só história em que a fada tivesse outro fado que não fazer princesas felizes.

Fardada com ou sem varinha, foi com seu novo intento, boca, nuca, mão, e o coração não. Mas descobrir se é verdade que sexo com amor é melhor que sem medo não é tarefa fácil para uma moça criada segundo a tradição judaico-cristã; valorize o seu corpo, não o entregue para qualquer um.

Como se viesse embrulhada num papel presente gigante! Como se descobrir os prazeres de estar com alguém por estar com alguém fosse coisa terrível e impensável para uma mulher direita, para uma mulher que se ama acima de tudo. E era quieta, do tipo fofa, que agrada a todos. Pobre, ninguém é tão camaleão a ponto de satisfazer o mundo.

Sérias bobagens deixadas para lá, aventurou-se com o primeiro one night stand. Depois de casada por quatro anos, deitar com outro fora exótico. Ele não sabia o que ela gostava, o que ela queria, e a criatura se viu na estranha posição de ser ativa em seu sexo. Tinha que falar, tinha que pedir, seu desejo exposto de maneira tão visceral e necessária para o prazer. Era difícil, porém estava decidida a tentar quantas vezes fossem necessárias. One se tornou two e three e four...

Rapidamente sentiu se tornar uma maravilhosa amante. Conhecia truques, descobria e lembrava de uma noite para outra como enlouquecer o parceiro, se orgulhava. Gozava e adorava olhar os olhos daquele que morria de prazer em suas mãos, boca, corpo inteiro feito um furacão... Mas sobrava-lhe um vazio triste após os toques profundos e íntimos, carícias talhadas em suor e suspiros. Culpou o amor. Só podia ser sua falta a razão de tamanha infelicidade. Não era mesmo igualmente bom.

Caso de verão ou princesa do era uma vez, aprendera toda a vida a servir, perseguir a felicidade alheia. Culpava a falta e o excesso de amor pela sua incapacidade de se mostrar mulher desejante mais do que desejada, culpava o mundo pela anulação do seu existir.

Abandonou os relacionamentos casuais. Abandonou o amor. E manteve-se no posto fixo de ser mártir procurando pelo no ovo do prazer alheio até a desrealização de sua escolha levar a cabo a pouca vontade que tinha de simplesmente ser.