segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Verão em Viena. Ou Antes do amanhecer. Ou o que valha.

Esse texto é sobre as coisas como eu queria que tivessem sido. São muitos desejos obstruídos pela realidade da memória daqueles tempos. Aqueles tempos que tive medo de sentar ao seu lado e tomar café junto, conectados. Tive medo de tantas coisas e ele mesmo me impediu de viver mais detalhes de cada uma daquelas horas rápidas. Não era o meu mundo, nem o dele, mas fui eu todo o tempo, entre a beleza de um olhar, o encontro, e a distância do abraço que sela aquilo que foi. Foi. Não há como voltar nem ao menos para olhar de fora. A memória, traiçoeira, passa a borrar os rostos, os poucos objetos do apartamento. Eu quis deixar apagar. Não sei por onde ir, se é melhor reviver os enquantos que a lembrança não se vai ou se o esforço para esquecer me cabe mais.
Eu queria caber em seus braços por mais horas, que as horas parassem por todo o verão. E as reconexões se dessem de forma naturalmente expandidas mais um milhão de vezes. Talvez o que eu queria mesmo é voltar no momento de aproximação e me deixar ficar lá, estática, olhando-o intensamente até que todos fossem embora. Pra que eu virasse de costas e não quisesse olhar para trás, pois era aquilo e aquilo só.
Talvez tenha sido aquilo o que foi e só; provavelmente. Mas a sensação de que ainda há mais não morreu com a sua entrada no táxi, nem com a moeda, presente dele, lançada rio abaixo. Quero achar um modo de terminar o texto com a pouca esperança do que "ainda pode ser" que me sobra.
Chega de texto, de frase, de palavras mas, por fim, não acaba.