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quarta-feira, 28 de maio de 2014

[pensamentos]

Tenho andado muito quieta, espaçando comentários a tiro de bala. Esse silêncio nada tem de positivo: é fruto de uma indefinição interna bloqueando a comunicação. Engraçado, se posso dizer isso é porque algo em mim se restabelece, sou rápida e não posso perder tempo com esses percalços. Já passou...

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Férias

O sal da água poderia disfarçar as lágrimas, mas nem toda a imensidão do mar é suficiente para levar embora aquilo que foi necessário viver... E é com essa consciência que deixo o peso da vida no oceano, guardando toda a sublime sensação da maré cheia a me navegar...


terça-feira, 8 de outubro de 2013

Repente de poesia fria

Sob os ventos, os cabelos novamente voam
À espreita da chuva a voltar
O gelado no rosto e nas mãos
É a poética trazida ao altar

Revoltas as folhas que caem
Neste frio acabar de setembro
Primavera esperada não chega
Outono que findo recolhe o intento

Tantas flores perdidas
Salpicam o chão, sinos de vento
Tanta santa estrela esquecida
Sobre o peso das nuvens do tempo

Visita da dor e da morte
Neblina levando a boiada
Cada sopro arrastando era forte
Passos gélidos, escorregadia estrada 

Foi-se vida pairando o norte
A felicidade na madrugada parada



*pequena nota: veio rompante de choro na rua escura e vazia. Vento que faz a gente sentar e pensar sobre a vida e sua finitude, sobre o amor que se vai mas é eterno, sobre a saudade que fica quando o destino final é mais forte que o querer estar sempre por perto. Para meu avô.

domingo, 8 de setembro de 2013

alforria

é palavra, som, sentido
tocando meu eu sustenido
insiste me fazer escrever
dançar pelo rir e sofrer

artista, em tanto que sobra
da crise à última obra,
o que sou entreato e agora

e dói sentir muito assim
fogo longínquo ardendo em mim
imprimo a mordida no peito
mantenho o quedar do fardo rarefeito

forma de vida sem fôrma
ou lugar onde aperte e transborde
meu corpo esclarece a desforra

que o sapato do calo é a arte
a mesma que a alma retoma
afirmação do que falo e reflito
infinitude instável a qual acredito



Do momento: a gente só publica pra fingir pra gente que não se importa o quão ruim ta o treco.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Primeiro

Teu quarto na vahia cheio de nós
Desculpa qualquer que nos abrigasse
Tensa paixão, momento de impasse
Chamando amizade de algo maior

Naquele apartamento vazio,
Toda a expectativa me enchia
Cortina fechada para a vida lá fora
Voltas pra casa, idas para a escola

Eu não era quem eu dizia
Segredando impulsos, desejos
Bem a verdade, você já sabia
Intérprete perfeito de minha poesia

Mas à distância de duas bicicletas,
Silenciei sobre a tua beleza quando de jeans e de preto
E sobre a mão repousando em minha perna
Revelei a angústia de te ter por tão perto

Tanto calor resguardava teu corpo, abraço sem fim...
Era a menina eu deixando partir
Punha em teus lábios tamanha inocência
Sem saber da tristeza que estava por vir

Primeiro amor rechaçado
Primeiro beijo guardado
Memória pra sempre de ti






[Que difícil de sair, nenhum verso jamais estará perto]

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Sobre os 25, 26 e o antes de morrer

Não posso dizer que foi a experiência de quase morte da semana passada que me motivou a escrever esse texto [embora o evento tenha tomado importância maior do que eu gostaria deveria em minha pacata vidinha]. A publicação de um link no face de uma amiga do tumblr de uma desconhecida que me chamou atenção. 25 coisas que eu quero saber aos 25. Confesso que não li.

[pode parecer confuso e conflituoso, mas não é; quis fazer minha lista, sem copiar a da coleguinha]

Lembrei, desse modo esquisito, que eu não fiz nenhuma listinha de coisas que eu queria fazer aos 25. E agora não dá mais tempo, porque, né, faltam 2 meses pros 26.

Eu achava babaca, mais uma dessas de planejamento sem ação, coisa estúpida mesmo. Mas quando você coloca a coisa lá, num papel ou na internet, a coisa toma um rumo de realidade tangível muito mais agradável de tentar botar em prática. Falo isso porque fiz uma lista do tipo quem eu sou/onde estou, quem quero ser/onde quero estar e é lindo como venho me tornando cada vez mais a pessoa que eu quero, onde e quando quero.

Ai eu cai de cabeça numa pedra e quase morri [porra, só acontece comigo]. Tem tudo a ver com a história porque eu me acidentei aos 25. Até domingo nunca tinha tido nenhum trauma, quebra de ossos, nada de interessante. No máximo uma abertura de lábio antes de dançar, mas é texto para outras linhas. E ai eu abro a cabeça quase que nem um melão, momento drama queen da vida, sem saber de uma porção de coisas, sem conhecer mais um milhão.

Então, libriana, vamos botar na balança:

DAQUILO QUE SEI
- Sei de amor, de amar, de ser e não ser amada... Amei (e amo!!) amigos, amigas, namorados, amantes. Amei quem nunca me amou de volta. Amei quem me amou com o mesmo furor, amei quem me entregou o coração. Amo meus pais e minha irmãzinha grande. Amei um montão de crianças. Amo minha afilhada, a criança mais linda do mundo, mesmo que ela esqueça quem eu sou de vez em quando (e não há nada mais belo que reconquistá-la a cada sorriso!). Amei o igual, claro. E o diferente. Amei artistas por suas artes, por seus corpos, por seus amores.
  
E só isso me bastaria ter vivido até agora, mas ia ser chato acabar uma reflexão tão íntima aqui.
  
- Sei um pouquinho de brigar. Briga com melhor amiga, com melhor amigo, com quem amo.
... com quem amei tanto...
  
- Sei de sonhar, e acho que é isso o que mais sei nessa vida.
- Sei de bater a cabeça na pedra de escada
- Sei de ficar horas intermináveis em hospitais
- Sei um pouco da solidão. E não quero saber mais.
- Sei de ballet. Quero sempre saber mais
- Sei de umas falhas de personalidade. Sei que quero mudar.
- Sei de bons livros, alguns.
- Sei de bons filmes
- Sei de sofrimento, de perda e de vários tipos de separações. E se eu pudesse saberia só o que sei mesmo.
- Sei de morar com as melhores amigas do mundo. E sei de morar com amigas e com quem tive inimizade também.
- Sei de viajar sem muito destino e sem hotel.
- Sei de esperar em rodoviária ônibus ou gente que parece que nunca vai chegar
- Sei de praias de São Paulo
- Sei de ser sensível e de ter sensibilidade
- Sei de correr na chuva e preciso de mais chuva especialmente se não houverem escadas no caminho
- Sei de escrever quando aperta o calo, quando o coração dispara, quando a música toca...
- Sei que tenho fé.

DAQUILO QUE NÃO SEI
- Não sei de casar. Não de verdade, embora a experiência com quem não queria casar comigo conte um pouco nesse ponto e dá vontade de rir dessa frase
- Não sei de ter filhos
- Não sei de morar fora do país
- Não sei do meu país
- Não sei de coisas cult, não o quanto gostaria de saber
- Não sei do meu estilo, que anda mudando muito. rs.
- Não sei do meu corte de cabelo
- Na verdade, não sei de cuidar da minha aparência
- Não sei de cuidar de gente do modo que eu gostaria
- Não sei de ser bailarina de verdade. E eu quero. E eu busco. E eu fervo pra saber.
- Não sei de ser fria
- Não sei cuidar de um bichinho. E não vou ter um bichinho ao mudar de casa, porque eu não vou poder cuidar dele ficando 838746654 horas fora de casa. Preciso ser enfática nisso porque é uma discussão constante na minha cabeça.
- Falo que sei, mas não sei de beber que nem adulto quando estou triste. A tristeza me faz ter 15 anos de novo. Nota mental: parar com isso, pelamor.
- Não sei de me perder às vezes. Como diria minha querida Clarisse, genia indomável, "perder-se também é caminho".
- Não sei lidar com distâncias. Preciso trabalhar muito isso.

Apesar da lista não sei ser menor, acho que vou descobrindo mais coisas que não faço ideia dia após dia. Me sinto muito feliz em não ter morrido no domingo. Me sinto grata por existir e poder buscar saber dessas coisas que não sei. Mas estou indo bem.


Bater a cabeça é bom pra chacoalhar os miolinhos. Crise é bom pra crescer, bem ericksoniana (e como eu gosto desse fulano Erik Erickson!)

terça-feira, 28 de maio de 2013

medos privados em lugares públicos: içar

como suportar finais tão tristes
encarar a solidão em riste?
esqueci de aprender a cair
e voar fora o único desejo
quando tantos pés nesse mundo eu vi

entretanto,
o solo traz tamanho incômodo
que preciso sair deste encanto
buscar o centro, sustentar o meneamento
encontrar de volta o eixo

por movimento torpe levanto
pé ante pé pelas mãos
e sobre o corpo pensamento absorto:
no peso reside a densa beleza
de escapar por entre os dedos da tristeza

se não esbarro em respostas
sei que delas não hão amostras
deixo o grito ecoar no vazio
ressoar no negrume daquilo que não vejo
pois basta por ora
viver a vida sem deixa-la ir embora

quinta-feira, 21 de março de 2013

Mainá e a Monografia, um caso sério

A questão do apaixonar-se pelo que se faz é contraditória. Ah, assim é o amor. Ora quer grudar, ora quer explodir.

Sinto-me assim em relação à dança e ao professorado. Escrever sobre meu trabalho traz, obviamente, a mesma contradição. Em certo momento, dá mesmo é vontade de mandar tudo para as cucuias, deixar para lá, não pegar o título (e daí, é só mais um título) e pronto. Dá vontade de falar "beijos" para as mães grosseiras, para as crianças em segundas calorentas e para as chefes que tolhem meu serviço.

Mas, e tudo que vem depois do mas é mais importante, meu trabalho trata de quem sou. Dos meus ideais, daquilo que sinto e transmito. É assim mesmo, dias de chuva, dias de sol.

Como é a vida.

Tomo uma água, um chá, e volto a escrever, dar aula, atender às mães, confrontar as chefas, e dançar - que devia vir primeiro, mas anda em último, para a minha tristeza.

São fases.