Esse texto é sobre as coisas como eu queria que tivessem sido. São muitos desejos obstruídos pela realidade da memória daqueles tempos. Aqueles tempos que tive medo de sentar ao seu lado e tomar café junto, conectados. Tive medo de tantas coisas e ele mesmo me impediu de viver mais detalhes de cada uma daquelas horas rápidas. Não era o meu mundo, nem o dele, mas fui eu todo o tempo, entre a beleza de um olhar, o encontro, e a distância do abraço que sela aquilo que foi. Foi. Não há como voltar nem ao menos para olhar de fora. A memória, traiçoeira, passa a borrar os rostos, os poucos objetos do apartamento. Eu quis deixar apagar. Não sei por onde ir, se é melhor reviver os enquantos que a lembrança não se vai ou se o esforço para esquecer me cabe mais.
Eu queria caber em seus braços por mais horas, que as horas parassem por todo o verão. E as reconexões se dessem de forma naturalmente expandidas mais um milhão de vezes. Talvez o que eu queria mesmo é voltar no momento de aproximação e me deixar ficar lá, estática, olhando-o intensamente até que todos fossem embora. Pra que eu virasse de costas e não quisesse olhar para trás, pois era aquilo e aquilo só.
Talvez tenha sido aquilo o que foi e só; provavelmente. Mas a sensação de que ainda há mais não morreu com a sua entrada no táxi, nem com a moeda, presente dele, lançada rio abaixo. Quero achar um modo de terminar o texto com a pouca esperança do que "ainda pode ser" que me sobra.
Chega de texto, de frase, de palavras mas, por fim, não acaba.
arte, cultura, baboseiras, relíquias por aí. saber o que é não importa, só é preciso mexer.
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segunda-feira, 25 de agosto de 2014
sábado, 26 de julho de 2014
[pensamentos]
Como pode o toque de dois corpos, pele contra pele, sugerir tamanha intimidade? Como se houvesse uma fusão momentânea entre as duas pessoas, transformando-as em uma. Porosidade sentimental e entrega. Unicidade.
segunda-feira, 14 de julho de 2014
[pensamentos]
Sou afeita a repetições. Mas quando você entra num processo de exploração, repetir demais não se torna interessante.
terça-feira, 1 de julho de 2014
[pensamentos - pré Viena]
Levo na mala uns sonhos, umas memórias, bastante carinho e muito, muito espaço. Coração aberto para outras experiências, novos caminhos e compreensões. Cada última aula foi uma pequena despedida, única e especial, cada último abraço e beijo dos amigos. Mas despedidas são sempre recomeços. Me despeço nesse primeiro de julho de vários pedaços de mim, em busca de reconstruções... E que assim seja.
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