sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Só e a perigo

[[Às vezes me sinto nostálgica
Sobre um tempo que não chegou
Penso que pode não ser nostalgia
Sentimento qualquer que eu não possa nomear

Melancólicos os dias que a cinzenta noite traz
Era espaço o que ficava aberto 
Entre o nada e o lugar nenhum
Palavras perdidas ao som da cerveja se abrindo

Tudo isso pode parecer sem sentido
E em alguma medida o é.
Não faz rima, tem ponto
É findo o aquecer perto do peito]]

Estou clara como pode ser a morte
Mas certa do que não vejo
Neblina baixa rasgando a cidade
Cobre meu corpo enquanto me deito

Desce macio cada gole
Muito adjetivo para pouco sofrimento
Pode ser assim que se mata a prole
Aquela que nunca sairá deste ventre

São colchas vazias que cobrem
A esperança de algo que não flui
Estaca repartindo em três pedaços
Estilhaços pontiagudos produzindo finais

Porque todo final é um riste
Apontando no meio da fuça
Entregando o fugitivo a passar pelo ralo
Mas não pode se esconder de si
Vulnerável ao seu próprio estar...

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Não quero dar um título.

Entre num balão, pra subir bem alto
Que toda queda é passageira
E o certeiro feito a morte só atinge uma vez

Entre num carro, última velocidade
Se o vento arranca os cabelos
A emoção está por vir, corpo contra o banco, pé contra o pedal

Entre em ou na forma.
Não seria mais fácil que lidar
com as pequenas destruições do dia a dia?

O que é mais fácil? Pular de um precipício
Mergulhar até o fundo do mar?
"Tudo eventualmente volta rastejando para casa".

E cadê você, onde está?
Se embrenhando entre arbustos
Só o olhar amedrontado aparece. Está escuro, não te veem.

Não sei o que vai ser daqui pra frente
Depois de tantas tentativas latentes
Pequenas mortes

Entre aqui, entre lá.
Agora que saí, ou nunca entrei
Resta apenas o in between.

O que fazer?

Blog Confessionário

Preciso confessar que sinto um incômodo muito grande em relação a algo que eu não faço ideia do que seja... Tem uns dias que ouço reclamações de amigos, dizem eles que demoram a responder perante situações incômodas, angustiantes, etc, etc, etc. Compartilho o sentimento. Me sinto um pouco letárgica até para perceber o que está me afetando, e assim, me mantenho num lugar muito ruim de estática.
Da última vez que aconteceu, era fevereiro e eu não sabia muito bem o que fazer comigo. Descobri meio por acaso em julho, quando me botei em cima das pernas e resolvi andar pra frente. Ou dançar para todos os lados. Agora, meados de setembro, as angústias voltam a ser pungentes e eu nem sei se dá pra chamar de angústia essa sensação de vulnerabilidade. É que da última vez o problema foi abrir e sair de caixas; me questiono se hoje o problema não é fechar.

domingo, 7 de setembro de 2014