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sábado, 10 de janeiro de 2015

Por que não vai? (ou Pormenores)

Tenho de ti uma névoa madrugada
Mãos pelos cabelos lisos e grossos
Estado de estar escondido no meio da multidão
Pouco e muito tenho de ti

Guardo-te ainda em nenhuma caixa
Penso que não caberias
Nem dentro daquele apartamento pouco mobiliado
Onde tanto intenso se circunscreveu

Por aquilo que acho pradaria onde passo
Lembro teus olhos refletidos atrás dos meus
Estavas invertido
Eu pensando ser meu erro o que era crasso

Não te culpes, bem amado,
A distância semi-imposta estava à revelia dos fatos
Quis entrar nos teus espaços
Assim como depois entraria no meus

Ainda és bruma, não te conheço nem o mínimo
possível para amá-lo como se fosses
aquele que povoa minha mente
Num noitedianoite incansável

Me afasto, porque é o óbvio a fazer
Mas vens inacessível, uma frase
Um colapso
Tudo se esparrama ao menor contato

Ainda assim...
Num tudonada diferente em mim...
Nenhum outro imã me veste como o teu

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Verão em Viena. Ou Antes do amanhecer. Ou o que valha.

Esse texto é sobre as coisas como eu queria que tivessem sido. São muitos desejos obstruídos pela realidade da memória daqueles tempos. Aqueles tempos que tive medo de sentar ao seu lado e tomar café junto, conectados. Tive medo de tantas coisas e ele mesmo me impediu de viver mais detalhes de cada uma daquelas horas rápidas. Não era o meu mundo, nem o dele, mas fui eu todo o tempo, entre a beleza de um olhar, o encontro, e a distância do abraço que sela aquilo que foi. Foi. Não há como voltar nem ao menos para olhar de fora. A memória, traiçoeira, passa a borrar os rostos, os poucos objetos do apartamento. Eu quis deixar apagar. Não sei por onde ir, se é melhor reviver os enquantos que a lembrança não se vai ou se o esforço para esquecer me cabe mais.
Eu queria caber em seus braços por mais horas, que as horas parassem por todo o verão. E as reconexões se dessem de forma naturalmente expandidas mais um milhão de vezes. Talvez o que eu queria mesmo é voltar no momento de aproximação e me deixar ficar lá, estática, olhando-o intensamente até que todos fossem embora. Pra que eu virasse de costas e não quisesse olhar para trás, pois era aquilo e aquilo só.
Talvez tenha sido aquilo o que foi e só; provavelmente. Mas a sensação de que ainda há mais não morreu com a sua entrada no táxi, nem com a moeda, presente dele, lançada rio abaixo. Quero achar um modo de terminar o texto com a pouca esperança do que "ainda pode ser" que me sobra.
Chega de texto, de frase, de palavras mas, por fim, não acaba.

sábado, 26 de julho de 2014

Sexta

Quando toca, ressoa inteira
Perpassando alma, gesto e figura
Não há nada que dimensione
Os tantos entretantos existentes

Nesse seio reside um intenso
E uma paz peculiar
Reboliço equilibrado pelo encontro dos olhos
Tantos, eram apenas dois

A vida complexa se simplifica
Pela maciez de um toque
Atravessando os poros
Entra suave e desliza
Até o último suspirar de gozo

Hoje só em desalinho
Memória encostada nos braços do impossível
Todo me toma, entregue a guia do caminho...

[pensamentos]

Como pode o toque de dois corpos, pele contra pele, sugerir tamanha intimidade? Como se houvesse uma fusão momentânea entre as duas pessoas, transformando-as em uma. Porosidade sentimental e entrega. Unicidade.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Primeiro

Teu quarto na vahia cheio de nós
Desculpa qualquer que nos abrigasse
Tensa paixão, momento de impasse
Chamando amizade de algo maior

Naquele apartamento vazio,
Toda a expectativa me enchia
Cortina fechada para a vida lá fora
Voltas pra casa, idas para a escola

Eu não era quem eu dizia
Segredando impulsos, desejos
Bem a verdade, você já sabia
Intérprete perfeito de minha poesia

Mas à distância de duas bicicletas,
Silenciei sobre a tua beleza quando de jeans e de preto
E sobre a mão repousando em minha perna
Revelei a angústia de te ter por tão perto

Tanto calor resguardava teu corpo, abraço sem fim...
Era a menina eu deixando partir
Punha em teus lábios tamanha inocência
Sem saber da tristeza que estava por vir

Primeiro amor rechaçado
Primeiro beijo guardado
Memória pra sempre de ti






[Que difícil de sair, nenhum verso jamais estará perto]

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Diving

[Introduçãozinha Mequetrefe] Quando eu dancei pela última vez com o Balé da Cidade de Santos, achei que fosse a minha última vez em cena. O ballet, Tributo a Villa-Lobos (2005, Renata Pacheco) tinha como música final "Trenzinho do Caipira" e, desde então, sempre que acho que alguma coisa vai ser a última em minha vida, fico triste e ouço essa música. Porque meu ouvido e meu choro me lembram que tem sentimentos especiais que são mais fortes do que a vontade do tempo de por fim em certos encontros.

Wish I could write to you the most beautiful poem ever, but I'm not able to put down in words everything you mean to me. My love is greater than any possible lines...


Diving

Como música atravessando o coração
A saudade me preenche
E deixa o choro na madeira do violino

Ressoava felicidade no corpo a cada arcada
Agora é vazio no peito
Trem que parte sem hora na madrugada
Cheio de carinho roubado de mim

Ao longe é fumaça
Perdida no céu dos teus olhos
Diminui o ruído, finge ser finito
E aumenta a falta que esquece pra trás

E sobre os finais de poema e de alegria absorta
Basta dizer que o tempo é curto
Mas nosso amor nessa arte nunca se acaba



E eu abri meu violino e tirei a música que eu amo tanto... E repito: "Quando duas almas complementares se encontram, não há distância ou tempo que as separem. Pois o amor entre elas se manifesta por um espectro de tamanho colorido que a compreensão de um sem o outro se torna impossível."

domingo, 9 de junho de 2013

Versinhos [2]

Em mim há tanta poesia
que se saísse eu nadaria
por mar de cana, pradaria
até o oriente

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Pelica

Por favor, me mostre paixão.
Diga-me que seu desejo é tão intenso
Que não cabe em corpo tamanha emoção

O que move sua alma pra frente,
Pra qualquer direção?
Não, não me conte
Não preciso saber do que sente
Somente que existe sangue em suas veias
Fervor e momentos de ação

Por favor,
Mostre-me sua existência
Para que resista em meu coração.

domingo, 21 de abril de 2013

abre e envolve


por tanto medo
só me chega poesia fria
poesia nua
sem brilho, sem metáfora
só me vem palavras cinzas
contrastar com a memória
destes coloridos dias
quando o tempo se apertou
e me escorregou das mãos

por tanto medo
pergunto se te cansas
se me esqueces
se te manchas
ou se te mantém só meu
te falo inseguranças
sabendo que o aperto,
coração ciumento,
só quem cuida sou eu

tanto medo
de braços dados com tanto sentimento
que não sei dar vazão

tanto medo
vivo, preenche o peito,
de perder outra paixão

domingo, 24 de março de 2013

Onde bebe o desejo


não quero nada pelo qual não me apaixone
as negativas que afirmam minha existência
são resistência perante àquilo que insiste em me anular
não, eu quero é o intenso

não peço que me deixe fazer o que sinto
ninguém deixa e desdeixa de nada que é meu
não peço, nem mando
sou, pulso

taquicardia, filha do admirar por entre as frestas
não fatiga meus pulmões nem cansa o coração
revés da melancolia brinda com o estrago
não sinto que me para, eu ando pra frente

meu peito brada sem forçar a escuta:
não, não quero nada pelo qual não me apaixone!
quero que se quede infinito o desejo
quero o coração corifeu de minha história...