Mostrando postagens com marcador psicologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador psicologia. Mostrar todas as postagens

sábado, 27 de outubro de 2012

Nu em outro

Em certo ponto, resolveu não se envolver em relacionamentos com amor. Sim. Dividir a vida em pré e pós romantismo de livro, esquecer dos contos de fadas com finais felizes. Até porque, se fada madrinha existisse, seria essa a sua função no mundo e nunca lera uma só história em que a fada tivesse outro fado que não fazer princesas felizes.

Fardada com ou sem varinha, foi com seu novo intento, boca, nuca, mão, e o coração não. Mas descobrir se é verdade que sexo com amor é melhor que sem medo não é tarefa fácil para uma moça criada segundo a tradição judaico-cristã; valorize o seu corpo, não o entregue para qualquer um.

Como se viesse embrulhada num papel presente gigante! Como se descobrir os prazeres de estar com alguém por estar com alguém fosse coisa terrível e impensável para uma mulher direita, para uma mulher que se ama acima de tudo. E era quieta, do tipo fofa, que agrada a todos. Pobre, ninguém é tão camaleão a ponto de satisfazer o mundo.

Sérias bobagens deixadas para lá, aventurou-se com o primeiro one night stand. Depois de casada por quatro anos, deitar com outro fora exótico. Ele não sabia o que ela gostava, o que ela queria, e a criatura se viu na estranha posição de ser ativa em seu sexo. Tinha que falar, tinha que pedir, seu desejo exposto de maneira tão visceral e necessária para o prazer. Era difícil, porém estava decidida a tentar quantas vezes fossem necessárias. One se tornou two e three e four...

Rapidamente sentiu se tornar uma maravilhosa amante. Conhecia truques, descobria e lembrava de uma noite para outra como enlouquecer o parceiro, se orgulhava. Gozava e adorava olhar os olhos daquele que morria de prazer em suas mãos, boca, corpo inteiro feito um furacão... Mas sobrava-lhe um vazio triste após os toques profundos e íntimos, carícias talhadas em suor e suspiros. Culpou o amor. Só podia ser sua falta a razão de tamanha infelicidade. Não era mesmo igualmente bom.

Caso de verão ou princesa do era uma vez, aprendera toda a vida a servir, perseguir a felicidade alheia. Culpava a falta e o excesso de amor pela sua incapacidade de se mostrar mulher desejante mais do que desejada, culpava o mundo pela anulação do seu existir.

Abandonou os relacionamentos casuais. Abandonou o amor. E manteve-se no posto fixo de ser mártir procurando pelo no ovo do prazer alheio até a desrealização de sua escolha levar a cabo a pouca vontade que tinha de simplesmente ser.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Símbolos, signos e stuff. Sem (ou só com um pouquinho de) psicologismos

Esses dias estive revisitando o blog. Achei muito salgado, muito áspero, muito isso ou muito aquilo e resolvi mudar. Taca a fuçar os esquemas pra alterar as configurações, pois apesar de ter blog há quase e talvez dez anos, (OMG, crise), nunca aprendi direito como mexer nos settings. Toda vez a mesma história, clica aqui, clica ali, deixa as coisas verdes, chego onde é preciso mudar.

Decidi trocar as cores do blog, fading um pouco as coisas. Claro, analisanda mil anos se pergunta: o que é que eu estou querendo fazer esmaecer? Ou misturar com o fundo? E poderia escrever quinhentas (mais quinhentas e dez) horas sobre esse meu processo. Mas não é essa a ideia da escrita de hoje.

Nunca liguei muito pra psicanálise ao longo dos anos de graduação. Piração demais pra mim, esse negócio de alucinar com o seio materno, seio bom, seio mau, foraclusão do nome do pai. E de repente, como quem Fecha Gestalt ou tem um Insight, percebi que é tudo* da ordem do simbólico.

Coisa interessante!

Só que nem sempre é fácil perceber as conexões entre esse mundo de símbolos, signos e stuff (que pra mim é onde se travam os diálogos entre o inconsciente e o consciente) e o mundo real, causando certa dificuldade de auto-percepção e promoção de mudanças. Provavelmente estão ocorrendo erros teóricos nesse texto, início de reflexão sobre a bagaça que eu - de certa forma - rechacei ao longo dos anos; mas se há a necessidade de pensar sobre, porque não? Louco, rechaçar e buscar são dois lados de um mesmo processo. Bem psicanalítico mesmo.

A arte trabalha muito com as simbologias, com o que se fala por meio das linhas, cores, formas. A energia investida num processo de criação vem de algum lugar desconhecido, de um eu do artista que fala com linguagem diferente que, por mais que a razão procure métodos de tradução, tem um certo quê de incompreensível.

É massa procurar significados para as coisas simbólicas e artísticas. Só que chega em um ponto que aquele simbolo que para você era W, pra mim é V e pronto. Porque encontra a minha subjetividade, coisa tão inconfundivelmente única que aceita diálogo e não imposições. O que eu compreendo, você não, afinal nem a própria razão é igual pra todo mundo, já que fading pode ser:

1 desvanecimento, desaparecimento gradual. 2 Radiovariação do volume. • adj 1 passageiro, transitório, efêmero. 2 que murcha, definha ou desbota. (Michaelis)

... e não somente esmaecer.


Só pra deixar registrado, caso eu mude de novo...


*sendo reducionista, I know.