arte, cultura, baboseiras, relíquias por aí. saber o que é não importa, só é preciso mexer.
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terça-feira, 28 de novembro de 2017
pensamentos
O ato de escrever se dá em casa, no silêncio, no espaço do aconchego. O de criar está. Está a todo o momento, flashes de palavras, movimentos, cenas, capítulos e notas. Às vezes tanto, sigo arrebatada pelo desenrolar da vida.
quinta-feira, 16 de novembro de 2017
de repente 30
Sempre que revisito meus textos me surpreendo com certa inocência, me deparo com alguma esperança lânguida. Reler parte do material aqui me ajuda a lembrar os caminhos percorridos e perceber o estado em que me encontro.
Eu usava palavras mais bonitas e escrevia com mais intensidade, talvez. Deixei os anos mediarem meu crescimento e o cuidado com o meu bem estar. Ainda choro, sofro, sinto e, definitivamente, passei a brigar mais do que eu brigava, mas acalmo mais fácil. Amores, todos os amores da vida, vieram e se foram, eventualmente voltaram e foram de novo, é um fluxo. Como eu escrevia sobre meus amores, encontros de alma, pessoas inspiradoras; cada amor novo seria o último. Ingenuamente doce.
No momento, não sei se amo e essa instabilidade me instiga a perceber o outro de outro modo. Somos frágeis, sensíveis e instáveis. Não sei se amo aquele que lembrou a minha distância da torre da princesa à espera de um salvador, essa bobagem que aprendemos nos livros da infância. Não sei se amo aquele de quem sinto falta, saudade, por quem choro rápido, me recomponho e retorno à vida. Não sei se amo aquele que eu já disse tantas vezes amar. Não sei se amo, se minto, se corro ou se imagino nossa vida juntos, acho que tudo isso. Não sei se quero uma vida juntos. Não sei se preciso saber agora. Sinto um apertinho no peito em saber de seu voo de volta. Uma dose de felicidade e questões, muitas questões, mais do que a certeza adolescente deste blog. E outra dose de felicidade em poder tocar. Tocar, coisa tão simples.
O fato é que, entra ano, sai ano, eu continuo falando de amor.
Eu usava palavras mais bonitas e escrevia com mais intensidade, talvez. Deixei os anos mediarem meu crescimento e o cuidado com o meu bem estar. Ainda choro, sofro, sinto e, definitivamente, passei a brigar mais do que eu brigava, mas acalmo mais fácil. Amores, todos os amores da vida, vieram e se foram, eventualmente voltaram e foram de novo, é um fluxo. Como eu escrevia sobre meus amores, encontros de alma, pessoas inspiradoras; cada amor novo seria o último. Ingenuamente doce.
No momento, não sei se amo e essa instabilidade me instiga a perceber o outro de outro modo. Somos frágeis, sensíveis e instáveis. Não sei se amo aquele que lembrou a minha distância da torre da princesa à espera de um salvador, essa bobagem que aprendemos nos livros da infância. Não sei se amo aquele de quem sinto falta, saudade, por quem choro rápido, me recomponho e retorno à vida. Não sei se amo aquele que eu já disse tantas vezes amar. Não sei se amo, se minto, se corro ou se imagino nossa vida juntos, acho que tudo isso. Não sei se quero uma vida juntos. Não sei se preciso saber agora. Sinto um apertinho no peito em saber de seu voo de volta. Uma dose de felicidade e questões, muitas questões, mais do que a certeza adolescente deste blog. E outra dose de felicidade em poder tocar. Tocar, coisa tão simples.
O fato é que, entra ano, sai ano, eu continuo falando de amor.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
Des Abends, der nacht
Guardo mais consciência da liquidez das coisas
não sei se chamo mesmo consciência
um jeito novo e meio velho de enxergar a vida
ou o fechar de olhos e abrir
destapamento inconsciente de poros e veias
ou só um escape de deixa-la fluir
Guardo, aquieto ou desfaço
imprimo em letras um sofrimento que não pode ser acessado
nem ao menos pelo esquecimento
fingindo ser o texto um poema
encadeado de ideias, pulo linhas
para baixo, como as vezes tudo parece correr
outra estrofe e me sinto melancólica
são as noites que me congelam com seu frescor
essa pureza toda que fingimos existir
é que é na noite que estamos mais vulneráveis
no cansaço e na tentativa frustrada de curar a dor do dia
todo dia, toda noite
derreto-me
liquefaço-me
escorro entre as pernas
sem gozar de nada
a vida
https://www.youtube.com/watch?v=5Jb-iHPz3tk#t=66
não sei se chamo mesmo consciência
um jeito novo e meio velho de enxergar a vida
ou o fechar de olhos e abrir
destapamento inconsciente de poros e veias
ou só um escape de deixa-la fluir
Guardo, aquieto ou desfaço
imprimo em letras um sofrimento que não pode ser acessado
nem ao menos pelo esquecimento
fingindo ser o texto um poema
encadeado de ideias, pulo linhas
para baixo, como as vezes tudo parece correr
outra estrofe e me sinto melancólica
são as noites que me congelam com seu frescor
essa pureza toda que fingimos existir
é que é na noite que estamos mais vulneráveis
no cansaço e na tentativa frustrada de curar a dor do dia
todo dia, toda noite
derreto-me
liquefaço-me
escorro entre as pernas
sem gozar de nada
a vida
https://www.youtube.com/watch?v=5Jb-iHPz3tk#t=66
sábado, 10 de janeiro de 2015
Por que não vai? (ou Pormenores)
Tenho de ti uma névoa madrugada
Mãos pelos cabelos lisos e grossos
Estado de estar escondido no meio da multidão
Pouco e muito tenho de ti
Guardo-te ainda em nenhuma caixa
Penso que não caberias
Nem dentro daquele apartamento pouco mobiliado
Onde tanto intenso se circunscreveu
Por aquilo que acho pradaria onde passo
Lembro teus olhos refletidos atrás dos meus
Estavas invertido
Eu pensando ser meu erro o que era crasso
Não te culpes, bem amado,
A distância semi-imposta estava à revelia dos fatos
Quis entrar nos teus espaços
Assim como depois entraria no meus
Ainda és bruma, não te conheço nem o mínimo
possível para amá-lo como se fosses
aquele que povoa minha mente
Num noitedianoite incansável
Me afasto, porque é o óbvio a fazer
Mas vens inacessível, uma frase
Um colapso
Tudo se esparrama ao menor contato
Ainda assim...
Num tudonada diferente em mim...
Nenhum outro imã me veste como o teu
Mãos pelos cabelos lisos e grossos
Estado de estar escondido no meio da multidão
Pouco e muito tenho de ti
Guardo-te ainda em nenhuma caixa
Penso que não caberias
Nem dentro daquele apartamento pouco mobiliado
Onde tanto intenso se circunscreveu
Por aquilo que acho pradaria onde passo
Lembro teus olhos refletidos atrás dos meus
Estavas invertido
Eu pensando ser meu erro o que era crasso
Não te culpes, bem amado,
A distância semi-imposta estava à revelia dos fatos
Quis entrar nos teus espaços
Assim como depois entraria no meus
Ainda és bruma, não te conheço nem o mínimo
possível para amá-lo como se fosses
aquele que povoa minha mente
Num noitedianoite incansável
Me afasto, porque é o óbvio a fazer
Mas vens inacessível, uma frase
Um colapso
Tudo se esparrama ao menor contato
Ainda assim...
Num tudonada diferente em mim...
Nenhum outro imã me veste como o teu
terça-feira, 21 de outubro de 2014
Momento
Parece existir toda uma poética nessa busca que tenho feito em relação a minha movimentação. Me sinto um pouco como um artista dos desenhos procurando o seu traço... Relendo alguns textos, percebo que estou falando sobre quase as mesmas coisas faz tempo e nunca me havia dado conta. Acho que eu não havia me dado conta de quem eu sou nesse mundo... Bom, acredito ter encontrado algo, nada que seja suficiente para concluir buscas e pesquisas; só pra botar mais lenha.
Como Ismael disse uma vez, "um bom coreógrafo não deve se apaixonar pelo seu trabalho" e eu estou bem longe disso, mas faz sentido pensar nessa frase como mais um incentivo a uma procura constante.
Vou indo não sei pra onde, e ao mesmo tempo é engraçado porque o caminho está cheio de mim mesma. E não só de mim, mas de interações. Com os olhos bem abertos vou, devagar, parando de me esconder e tomando a coragem de falar.
Estou feliz por me sentir viva outra vez.
Como Ismael disse uma vez, "um bom coreógrafo não deve se apaixonar pelo seu trabalho" e eu estou bem longe disso, mas faz sentido pensar nessa frase como mais um incentivo a uma procura constante.
Vou indo não sei pra onde, e ao mesmo tempo é engraçado porque o caminho está cheio de mim mesma. E não só de mim, mas de interações. Com os olhos bem abertos vou, devagar, parando de me esconder e tomando a coragem de falar.
Estou feliz por me sentir viva outra vez.
sábado, 4 de outubro de 2014
Repetição sustenida
Há uma fresta por onde passam os sonhos
Iluminada pela interpretação
Teatro de alguém que não se conhece
Um lugar distante onde não existo
Refúgio onde os pensamentos não alcançam
Frágil memória não me deixa envolver
O irreal é uma ilha cercada de verdades
Que guarda a beleza do que se esvai
Num piscar remoto de olhos
A busca do drama na tela
Apenas escape das paixões e ânimos reais
O que faz de mim alguém que espera
Coisa qualquer, música a apaziguar
O que há além da janela?
Céu de vanilla, vívido azul mortal
Entre nós, a trama da rede que me prende e cega
O estado torpe do meu corpo sentado ao chão da sala
Repleta de tudo o que não tem lugar
Eu não tenho também
Mais um móvel estático coberto de trapo
se pendurando na fragilidade dos sonhos
de um eu desconhecido
à espera de seu destino final
Iluminada pela interpretação
Teatro de alguém que não se conhece
Um lugar distante onde não existo
Refúgio onde os pensamentos não alcançam
Frágil memória não me deixa envolver
O irreal é uma ilha cercada de verdades
Que guarda a beleza do que se esvai
Num piscar remoto de olhos
A busca do drama na tela
Apenas escape das paixões e ânimos reais
O que faz de mim alguém que espera
Coisa qualquer, música a apaziguar
O que há além da janela?
Céu de vanilla, vívido azul mortal
Entre nós, a trama da rede que me prende e cega
O estado torpe do meu corpo sentado ao chão da sala
Repleta de tudo o que não tem lugar
Eu não tenho também
Mais um móvel estático coberto de trapo
se pendurando na fragilidade dos sonhos
de um eu desconhecido
à espera de seu destino final
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
Blog Confessionário
Preciso confessar que sinto um incômodo muito grande em relação a algo que eu não faço ideia do que seja... Tem uns dias que ouço reclamações de amigos, dizem eles que demoram a responder perante situações incômodas, angustiantes, etc, etc, etc. Compartilho o sentimento. Me sinto um pouco letárgica até para perceber o que está me afetando, e assim, me mantenho num lugar muito ruim de estática.
Da última vez que aconteceu, era fevereiro e eu não sabia muito bem o que fazer comigo. Descobri meio por acaso em julho, quando me botei em cima das pernas e resolvi andar pra frente. Ou dançar para todos os lados. Agora, meados de setembro, as angústias voltam a ser pungentes e eu nem sei se dá pra chamar de angústia essa sensação de vulnerabilidade. É que da última vez o problema foi abrir e sair de caixas; me questiono se hoje o problema não é fechar.
Da última vez que aconteceu, era fevereiro e eu não sabia muito bem o que fazer comigo. Descobri meio por acaso em julho, quando me botei em cima das pernas e resolvi andar pra frente. Ou dançar para todos os lados. Agora, meados de setembro, as angústias voltam a ser pungentes e eu nem sei se dá pra chamar de angústia essa sensação de vulnerabilidade. É que da última vez o problema foi abrir e sair de caixas; me questiono se hoje o problema não é fechar.
sábado, 26 de julho de 2014
Sexta
Quando toca, ressoa inteira
Perpassando alma, gesto e figura
Não há nada que dimensione
Os tantos entretantos existentes
Nesse seio reside um intenso
E uma paz peculiar
Reboliço equilibrado pelo encontro dos olhos
Tantos, eram apenas dois
A vida complexa se simplifica
Pela maciez de um toque
Atravessando os poros
Entra suave e desliza
Até o último suspirar de gozo
Hoje só em desalinho
Memória encostada nos braços do impossível
Todo me toma, entregue a guia do caminho...
Perpassando alma, gesto e figura
Não há nada que dimensione
Os tantos entretantos existentes
Nesse seio reside um intenso
E uma paz peculiar
Reboliço equilibrado pelo encontro dos olhos
Tantos, eram apenas dois
A vida complexa se simplifica
Pela maciez de um toque
Atravessando os poros
Entra suave e desliza
Até o último suspirar de gozo
Hoje só em desalinho
Memória encostada nos braços do impossível
Todo me toma, entregue a guia do caminho...
terça-feira, 1 de julho de 2014
[pensamentos - pré Viena]
Levo na mala uns sonhos, umas memórias, bastante carinho e muito, muito espaço. Coração aberto para outras experiências, novos caminhos e compreensões. Cada última aula foi uma pequena despedida, única e especial, cada último abraço e beijo dos amigos. Mas despedidas são sempre recomeços. Me despeço nesse primeiro de julho de vários pedaços de mim, em busca de reconstruções... E que assim seja.
quarta-feira, 18 de junho de 2014
[pensamentos]
Bambear a vida entre o tempo perdido e corridas atrás dele não deixa espaço para simplesmente estar...
sábado, 14 de junho de 2014
[pensamentos]
Às vezes estamos tão preocupados e seguir em frente que a vida trata de colocar quadros do nosso passado no caminho. O encontro entre a representação de algo não cabível no tempo do agora e o prumo para o futuro causa uma estranheza muito produtiva no olhar e no lidar com as coisas, lança mão da história de nós mesmos e arrebata a gente de qualquer automatismo.
quinta-feira, 5 de junho de 2014
[pensamentos]
Algumas pessoas tem algo de místico dentro de si. Não sei dizer se é a pele, a respiração ofegante no pescoço ou os olhos. Ah sim. Definitivamente os olhos... Que quando cruzam com os nossos trazem a mesma sensação arrebatadora da brisa quente depois de longos dias de inverno. É o sagrado manifestando-se em sua plenitude.
quarta-feira, 28 de maio de 2014
[pensamentos]
Procuro alguém pra olhar para um lado da Augusta enquanto olho o outro. Vamos atravessá-la com o sinal fechado, a gente fala "deu" e vai. Tem poucas pessoas no mundo que dá pra confiar assim.
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Repente de poesia fria
Sob os ventos, os cabelos novamente voam
À espreita da chuva a voltar
O gelado no rosto e nas mãos
É a poética trazida ao altar
Revoltas as folhas que caem
Neste frio acabar de setembro
Primavera esperada não chega
Outono que findo recolhe o intento
Tantas flores perdidas
Salpicam o chão, sinos de vento
Tanta santa estrela esquecida
Sobre o peso das nuvens do tempo
Visita da dor e da morte
Neblina levando a boiada
Cada sopro arrastando era forte
Passos gélidos, escorregadia estrada
Foi-se vida pairando o norte
A felicidade na madrugada parada
*pequena nota: veio rompante de choro na rua escura e vazia. Vento que faz a gente sentar e pensar sobre a vida e sua finitude, sobre o amor que se vai mas é eterno, sobre a saudade que fica quando o destino final é mais forte que o querer estar sempre por perto. Para meu avô.
À espreita da chuva a voltar
O gelado no rosto e nas mãos
É a poética trazida ao altar
Revoltas as folhas que caem
Neste frio acabar de setembro
Primavera esperada não chega
Outono que findo recolhe o intento
Tantas flores perdidas
Salpicam o chão, sinos de vento
Tanta santa estrela esquecida
Sobre o peso das nuvens do tempo
Visita da dor e da morte
Neblina levando a boiada
Cada sopro arrastando era forte
Passos gélidos, escorregadia estrada
Foi-se vida pairando o norte
A felicidade na madrugada parada
*pequena nota: veio rompante de choro na rua escura e vazia. Vento que faz a gente sentar e pensar sobre a vida e sua finitude, sobre o amor que se vai mas é eterno, sobre a saudade que fica quando o destino final é mais forte que o querer estar sempre por perto. Para meu avô.
domingo, 8 de setembro de 2013
Pôr do sol
Você viu?
A lua sorridente à espreitar seu sono
Claridade obscura pela janela
Delineando contornos e traços
Lhe tratando cada vez mais bela?
Você viu, ou mais uma vez se negou a enxergar
toda a pureza sentimental da estética
cada palavra jogada em balaio de estopa
clamando atenção para a falta métrica?
Você viu?
fechou os olhos para não revelar
o que lhe parece impossível explicar
movimento profano de procurar e esconder
à revelia daquilo que deixara morrer
viu ou deixou-se cegar?
seja pulsar seu fechar e abrir
destes olhos de amêndoa doce como
nada mais importasse para si
em busca do viver mais que olhando
olhe pra mim
esteja presente, enfim
completude coberta
porta entreaberta
fresta alcançada por fim
A lua sorridente à espreitar seu sono
Claridade obscura pela janela
Delineando contornos e traços
Lhe tratando cada vez mais bela?
Você viu, ou mais uma vez se negou a enxergar
toda a pureza sentimental da estética
cada palavra jogada em balaio de estopa
clamando atenção para a falta métrica?
Você viu?
fechou os olhos para não revelar
o que lhe parece impossível explicar
movimento profano de procurar e esconder
à revelia daquilo que deixara morrer
viu ou deixou-se cegar?
seja pulsar seu fechar e abrir
destes olhos de amêndoa doce como
nada mais importasse para si
em busca do viver mais que olhando
olhe pra mim
esteja presente, enfim
completude coberta
porta entreaberta
fresta alcançada por fim
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Primeiro
Teu quarto na vahia cheio de nós
Desculpa qualquer que nos abrigasse
Tensa paixão, momento de impasse
Chamando amizade de algo maior
Naquele apartamento vazio,
Toda a expectativa me enchia
Cortina fechada para a vida lá fora
Voltas pra casa, idas para a escola
Eu não era quem eu dizia
Segredando impulsos, desejos
Bem a verdade, você já sabia
Intérprete perfeito de minha poesia
Mas à distância de duas bicicletas,
Silenciei sobre a tua beleza quando de jeans e de preto
E sobre a mão repousando em minha perna
Revelei a angústia de te ter por tão perto
Tanto calor resguardava teu corpo, abraço sem fim...
Era a menina eu deixando partir
Punha em teus lábios tamanha inocência
Sem saber da tristeza que estava por vir
Primeiro amor rechaçado
Primeiro beijo guardado
Memória pra sempre de ti
[Que difícil de sair, nenhum verso jamais estará perto]
Desculpa qualquer que nos abrigasse
Tensa paixão, momento de impasse
Chamando amizade de algo maior
Naquele apartamento vazio,
Toda a expectativa me enchia
Cortina fechada para a vida lá fora
Voltas pra casa, idas para a escola
Eu não era quem eu dizia
Segredando impulsos, desejos
Bem a verdade, você já sabia
Intérprete perfeito de minha poesia
Mas à distância de duas bicicletas,
Silenciei sobre a tua beleza quando de jeans e de preto
E sobre a mão repousando em minha perna
Revelei a angústia de te ter por tão perto
Tanto calor resguardava teu corpo, abraço sem fim...
Era a menina eu deixando partir
Punha em teus lábios tamanha inocência
Sem saber da tristeza que estava por vir
Primeiro amor rechaçado
Primeiro beijo guardado
Memória pra sempre de ti
[Que difícil de sair, nenhum verso jamais estará perto]
domingo, 1 de setembro de 2013
Dia do Bailarino
Hoje é dia de um profissional que todo mundo acha bonitinho. Mas que é muito, muito pouco valorizado. É dia de um artista que sofre e demonstra em seu corpo a paixão por seu trabalho que, muitas vezes é tratado como brincadeira de criança. E o brincar do adulto, na nossa sociedade, infelizmente, é também tratado como algo que diminui...
Enfim, hoje é dia do bailarino. Me sinto muito feliz em poder dizer que faço parte dessa categoria, que toca as pessoas pelos palcos que passa. Hoje eu digo com muito orgulho: sou bailarina, sou artista da dança. E parabenizo todos aqueles que seguem na luta; especialmente os que não conseguem lugar nas poucas companhias profissionais do nosso país. Porque não é o local onde estamos que define o ser bailarino: é o suor, o trabalho e o coração...
Enfim, hoje é dia do bailarino. Me sinto muito feliz em poder dizer que faço parte dessa categoria, que toca as pessoas pelos palcos que passa. Hoje eu digo com muito orgulho: sou bailarina, sou artista da dança. E parabenizo todos aqueles que seguem na luta; especialmente os que não conseguem lugar nas poucas companhias profissionais do nosso país. Porque não é o local onde estamos que define o ser bailarino: é o suor, o trabalho e o coração...
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
Diving
[Introduçãozinha Mequetrefe] Quando eu dancei pela última vez com o Balé da Cidade de Santos, achei que fosse a minha última vez em cena. O ballet, Tributo a Villa-Lobos (2005, Renata Pacheco) tinha como música final "Trenzinho do Caipira" e, desde então, sempre que acho que alguma coisa vai ser a última em minha vida, fico triste e ouço essa música. Porque meu ouvido e meu choro me lembram que tem sentimentos especiais que são mais fortes do que a vontade do tempo de por fim em certos encontros.
Wish I could write to you the most beautiful poem ever, but I'm not able to put down in words everything you mean to me. My love is greater than any possible lines...
Diving
Como música atravessando o coração
A saudade me preenche
E deixa o choro na madeira do violino
Ressoava felicidade no corpo a cada arcada
Agora é vazio no peito
Trem que parte sem hora na madrugada
Cheio de carinho roubado de mim
Ao longe é fumaça
Perdida no céu dos teus olhos
Diminui o ruído, finge ser finito
E aumenta a falta que esquece pra trás
E sobre os finais de poema e de alegria absorta
Basta dizer que o tempo é curto
Mas nosso amor nessa arte nunca se acaba
E eu abri meu violino e tirei a música que eu amo tanto... E repito: "Quando duas almas complementares se encontram, não há distância ou tempo que as separem. Pois o amor entre elas se manifesta por um espectro de tamanho colorido que a compreensão de um sem o outro se torna impossível."
Wish I could write to you the most beautiful poem ever, but I'm not able to put down in words everything you mean to me. My love is greater than any possible lines...
Diving
Como música atravessando o coração
A saudade me preenche
E deixa o choro na madeira do violino
Ressoava felicidade no corpo a cada arcada
Agora é vazio no peito
Trem que parte sem hora na madrugada
Cheio de carinho roubado de mim
Ao longe é fumaça
Perdida no céu dos teus olhos
Diminui o ruído, finge ser finito
E aumenta a falta que esquece pra trás
E sobre os finais de poema e de alegria absorta
Basta dizer que o tempo é curto
Mas nosso amor nessa arte nunca se acaba
E eu abri meu violino e tirei a música que eu amo tanto... E repito: "Quando duas almas complementares se encontram, não há distância ou tempo que as separem. Pois o amor entre elas se manifesta por um espectro de tamanho colorido que a compreensão de um sem o outro se torna impossível."
domingo, 25 de agosto de 2013
Memória bruta, passada
Por ela você percorreu as mais belas distâncias
Sob a luz da via láctea, estrada iluminada
Pelas estrelas que contávamos a beira d'água
Porque tamanha beleza a ela destinada?
Não pude compreender porque me rechaçara antes de mais nada
Tantos quilômetros percorridos pra me ouvir dizer
Que de você tudo sobrara
Quando teu amor era o sofrimento que significava?
Percorrera a estrada que eu mais amava
Pra encontrá-la passou sobre o monte que me aproximava do infinito do universo
Antes da Riviera e do amanhecer daquele primeiro dia de ano novo
Quando todo sentimento era tão velho, tão usado...
Eu te deixava e você me usava
Caiu sob as pedras, parou o carro
Ouviu meu nunca mais e não voltou
Caiu no meu conceito
Sob a lua, teus defeitos
Caiu e não vi mais nada.
Caio com os pés gelados na minha estrada.
Sob a luz da via láctea, estrada iluminada
Pelas estrelas que contávamos a beira d'água
Porque tamanha beleza a ela destinada?
Não pude compreender porque me rechaçara antes de mais nada
Tantos quilômetros percorridos pra me ouvir dizer
Que de você tudo sobrara
Quando teu amor era o sofrimento que significava?
Percorrera a estrada que eu mais amava
Pra encontrá-la passou sobre o monte que me aproximava do infinito do universo
Antes da Riviera e do amanhecer daquele primeiro dia de ano novo
Quando todo sentimento era tão velho, tão usado...
Eu te deixava e você me usava
Caiu sob as pedras, parou o carro
Ouviu meu nunca mais e não voltou
Caiu no meu conceito
Sob a lua, teus defeitos
Caiu e não vi mais nada.
Caio com os pés gelados na minha estrada.
Sobre um passado litôraneo
Podiam ser quaisquer novos amantes em teus bancos
Mas éramos nós das duas às cinco da madrugada
como se nos intimidássemos pelas câmeras da orla
como se sobrasse coragem ao embrenharmos pelos veios das árvores
Eram palmeiras imperiais aquelas da beira da praia
Podiam ser chapéus de sol sob a noite nublada
E as barracas onde escondíamos nosso amor interminável
Apenas cúmplices dos beijos e dos sonhos trocados
Nunca fora aquela areia, entretanto,
Espectadora de outro casal tão apaixonado
Podiam ser quaisquer novos amantes
Mas nenhum como eu e meu [já esquecido amado]

[inspiração inicial pela foto do face de Santos. Depois pelas memórias remexidas no aquário]
Mas éramos nós das duas às cinco da madrugada
como se nos intimidássemos pelas câmeras da orla
como se sobrasse coragem ao embrenharmos pelos veios das árvores
Eram palmeiras imperiais aquelas da beira da praia
Podiam ser chapéus de sol sob a noite nublada
E as barracas onde escondíamos nosso amor interminável
Apenas cúmplices dos beijos e dos sonhos trocados
Nunca fora aquela areia, entretanto,
Espectadora de outro casal tão apaixonado
Podiam ser quaisquer novos amantes
Mas nenhum como eu e meu [já esquecido amado]

[inspiração inicial pela foto do face de Santos. Depois pelas memórias remexidas no aquário]
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