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segunda-feira, 31 de março de 2014

Nós e fitas

Trago os dedos ósseos de um amor comprimido
Tantas as veias que me sugam a alma
Só eu sei o quanto ela é infinda
Pois então deixo sugar e tentar esmaecer

Mas é aquilo que não se apaga
O norte da vida a estar por estes castigos
Nada pode de maneira alguma me prender
Sou, ou pareço ser, evasivo

Entretanto, se há algo esquecido de dizer
Posto que fora vento de liberdade
A palavra escorrida da caneta ou lápis anti-borracha
Voltará, rompante brutal do meu ser

Como um grito
Um nó a desprender...

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Férias

O sal da água poderia disfarçar as lágrimas, mas nem toda a imensidão do mar é suficiente para levar embora aquilo que foi necessário viver... E é com essa consciência que deixo o peso da vida no oceano, guardando toda a sublime sensação da maré cheia a me navegar...


terça-feira, 8 de outubro de 2013

Repente de poesia fria

Sob os ventos, os cabelos novamente voam
À espreita da chuva a voltar
O gelado no rosto e nas mãos
É a poética trazida ao altar

Revoltas as folhas que caem
Neste frio acabar de setembro
Primavera esperada não chega
Outono que findo recolhe o intento

Tantas flores perdidas
Salpicam o chão, sinos de vento
Tanta santa estrela esquecida
Sobre o peso das nuvens do tempo

Visita da dor e da morte
Neblina levando a boiada
Cada sopro arrastando era forte
Passos gélidos, escorregadia estrada 

Foi-se vida pairando o norte
A felicidade na madrugada parada



*pequena nota: veio rompante de choro na rua escura e vazia. Vento que faz a gente sentar e pensar sobre a vida e sua finitude, sobre o amor que se vai mas é eterno, sobre a saudade que fica quando o destino final é mais forte que o querer estar sempre por perto. Para meu avô.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Diving

[Introduçãozinha Mequetrefe] Quando eu dancei pela última vez com o Balé da Cidade de Santos, achei que fosse a minha última vez em cena. O ballet, Tributo a Villa-Lobos (2005, Renata Pacheco) tinha como música final "Trenzinho do Caipira" e, desde então, sempre que acho que alguma coisa vai ser a última em minha vida, fico triste e ouço essa música. Porque meu ouvido e meu choro me lembram que tem sentimentos especiais que são mais fortes do que a vontade do tempo de por fim em certos encontros.

Wish I could write to you the most beautiful poem ever, but I'm not able to put down in words everything you mean to me. My love is greater than any possible lines...


Diving

Como música atravessando o coração
A saudade me preenche
E deixa o choro na madeira do violino

Ressoava felicidade no corpo a cada arcada
Agora é vazio no peito
Trem que parte sem hora na madrugada
Cheio de carinho roubado de mim

Ao longe é fumaça
Perdida no céu dos teus olhos
Diminui o ruído, finge ser finito
E aumenta a falta que esquece pra trás

E sobre os finais de poema e de alegria absorta
Basta dizer que o tempo é curto
Mas nosso amor nessa arte nunca se acaba



E eu abri meu violino e tirei a música que eu amo tanto... E repito: "Quando duas almas complementares se encontram, não há distância ou tempo que as separem. Pois o amor entre elas se manifesta por um espectro de tamanho colorido que a compreensão de um sem o outro se torna impossível."

domingo, 25 de agosto de 2013

Memória bruta, passada

Por ela você percorreu as mais belas distâncias
Sob a luz da via láctea, estrada iluminada
Pelas estrelas que contávamos a beira d'água

Porque tamanha beleza a ela destinada?
Não pude compreender porque me rechaçara antes de mais nada
Tantos quilômetros percorridos pra me ouvir dizer
Que de você tudo sobrara
Quando teu amor era o sofrimento que significava?

Percorrera a estrada que eu mais amava
Pra encontrá-la passou sobre o monte que me aproximava do infinito do universo
Antes da Riviera e do amanhecer daquele primeiro dia de ano novo
Quando todo sentimento era tão velho, tão usado...
Eu te deixava e você me usava

Caiu sob as pedras, parou o carro
Ouviu meu nunca mais e não voltou
Caiu no meu conceito
Sob a lua, teus defeitos
Caiu e não vi mais nada.
Caio com os pés gelados na minha estrada.

domingo, 9 de junho de 2013

Ansiedade

Qualquer lugar
Onde eu possa me abandonar
qualquer droga
que me faça esquecer essas horas
qualquer coisa
cuja beleza me aproxime do encanto
de viver mais do que ricos minutos de espanto

Coisa qualquer
que me entorpa
que me drene
Qualquer
que me lembre
que se pode sentir
Suficiência qualquer

Quero qualquer palavra
Que me aproxime
de onde o rio das paixões deságua...

domingo, 21 de abril de 2013

abre e envolve


por tanto medo
só me chega poesia fria
poesia nua
sem brilho, sem metáfora
só me vem palavras cinzas
contrastar com a memória
destes coloridos dias
quando o tempo se apertou
e me escorregou das mãos

por tanto medo
pergunto se te cansas
se me esqueces
se te manchas
ou se te mantém só meu
te falo inseguranças
sabendo que o aperto,
coração ciumento,
só quem cuida sou eu

tanto medo
de braços dados com tanto sentimento
que não sei dar vazão

tanto medo
vivo, preenche o peito,
de perder outra paixão

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Looping

Chorando num canto de solidão
Martela marasmo sem precisão
Busca e cria um rio de chiste

Como se fosse o poeta triste 
Escreve, caneta em riste
Desola a fé que mente e padece

Porque a palavra esquece
E o momento aquece
A dor que traz no coração