Há uma fresta por onde passam os sonhos
Iluminada pela interpretação
Teatro de alguém que não se conhece
Um lugar distante onde não existo
Refúgio onde os pensamentos não alcançam
Frágil memória não me deixa envolver
O irreal é uma ilha cercada de verdades
Que guarda a beleza do que se esvai
Num piscar remoto de olhos
A busca do drama na tela
Apenas escape das paixões e ânimos reais
O que faz de mim alguém que espera
Coisa qualquer, música a apaziguar
O que há além da janela?
Céu de vanilla, vívido azul mortal
Entre nós, a trama da rede que me prende e cega
O estado torpe do meu corpo sentado ao chão da sala
Repleta de tudo o que não tem lugar
Eu não tenho também
Mais um móvel estático coberto de trapo
se pendurando na fragilidade dos sonhos
de um eu desconhecido
à espera de seu destino final
arte, cultura, baboseiras, relíquias por aí. saber o que é não importa, só é preciso mexer.
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sábado, 4 de outubro de 2014
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Inusitado
Desejo dispara o coração
Atiça a ansiedade
Larga a perna bamba a envolver teus quadris a pulsar
Define certa tensão entre os dois
O que estava perto, era dado
Mão sobre os olhos escondendo o que vem depois...
Atiça a ansiedade
Larga a perna bamba a envolver teus quadris a pulsar
Define certa tensão entre os dois
O que estava perto, era dado
Mão sobre os olhos escondendo o que vem depois...
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
Sobre os 25, 26 e o antes de morrer
Não posso dizer que foi a experiência de quase morte da semana passada que me motivou a escrever esse texto [embora o evento tenha tomado importância maior do que eu gostaria deveria em minha pacata vidinha]. A publicação de um link no face de uma amiga do tumblr de uma desconhecida que me chamou atenção. 25 coisas que eu quero saber aos 25. Confesso que não li.
[pode parecer confuso e conflituoso, mas não é; quis fazer minha lista, sem copiar a da coleguinha]
Lembrei, desse modo esquisito, que eu não fiz nenhuma listinha de coisas que eu queria fazer aos 25. E agora não dá mais tempo, porque, né, faltam 2 meses pros 26.
Eu achava babaca, mais uma dessas de planejamento sem ação, coisa estúpida mesmo. Mas quando você coloca a coisa lá, num papel ou na internet, a coisa toma um rumo de realidade tangível muito mais agradável de tentar botar em prática. Falo isso porque fiz uma lista do tipo quem eu sou/onde estou, quem quero ser/onde quero estar e é lindo como venho me tornando cada vez mais a pessoa que eu quero, onde e quando quero.
Ai eu cai de cabeça numa pedra e quase morri [porra, só acontece comigo]. Tem tudo a ver com a história porque eu me acidentei aos 25. Até domingo nunca tinha tido nenhum trauma, quebra de ossos, nada de interessante. No máximo uma abertura de lábio antes de dançar, mas é texto para outras linhas. E ai eu abro a cabeçaquase que nem um melão, momento drama queen da vida, sem saber de uma porção de coisas, sem conhecer mais um milhão.
Então, libriana, vamos botar na balança:
DAQUILO QUE SEI
- Sei de amor, de amar, de ser e não ser amada... Amei (e amo!!) amigos, amigas, namorados, amantes. Amei quem nunca me amou de volta. Amei quem me amou com o mesmo furor, amei quem me entregou o coração. Amo meus pais e minha irmãzinha grande. Amei um montão de crianças. Amo minha afilhada, a criança mais linda do mundo, mesmo que ela esqueça quem eu sou de vez em quando (e não há nada mais belo que reconquistá-la a cada sorriso!). Amei o igual, claro. E o diferente. Amei artistas por suas artes, por seus corpos, por seus amores.
E só isso me bastaria ter vivido até agora, mas ia ser chato acabar uma reflexão tão íntima aqui.
- Sei um pouquinho de brigar. Briga com melhor amiga, com melhor amigo, com quem amo.
... com quem amei tanto...
- Sei de sonhar, e acho que é isso o que mais sei nessa vida.
- Sei de bater a cabeça na pedra de escada
- Sei de ficar horas intermináveis em hospitais
- Sei um pouco da solidão. E não quero saber mais.
- Sei de ballet. Quero sempre saber mais
- Sei de umas falhas de personalidade. Sei que quero mudar.
- Sei de bons livros, alguns.
- Sei de bons filmes
- Sei de sofrimento, de perda e de vários tipos de separações. E se eu pudesse saberia só o que sei mesmo.
- Sei de morar com as melhores amigas do mundo. E sei de morar com amigas e com quem tive inimizade também.
- Sei de viajar sem muito destino e sem hotel.
- Sei de esperar em rodoviáriaônibus ou gente que parece que nunca vai chegar
- Sei de praias de São Paulo
- Sei de ser sensível e de ter sensibilidade
- Sei de correr na chuva e preciso de mais chuvaespecialmente se não houverem escadas no caminho
- Sei de escrever quando aperta o calo, quando o coração dispara, quando a música toca...
- Sei que tenho fé.
DAQUILO QUE NÃO SEI
- Não sei de casar. Não de verdade, embora a experiência com quem não queria casar comigo conte um pouco nesse pontoe dá vontade de rir dessa frase
- Não sei de ter filhos
- Não sei de morar fora do país
- Não sei do meu país
- Não sei de coisas cult, não o quanto gostaria de saber
- Não sei do meu estilo, que anda mudando muito. rs.
- Não sei do meu corte de cabelo
- Na verdade, não sei de cuidar da minha aparência
- Não sei de cuidar de gente do modo que eu gostaria
- Não sei de ser bailarina de verdade. E eu quero. E eu busco. E eu fervo pra saber.
- Não sei de ser fria
- Não sei cuidar de um bichinho. E não vou ter um bichinho ao mudar de casa, porque eu não vou poder cuidar dele ficando 838746654 horas fora de casa. Preciso ser enfática nisso porque é uma discussão constante na minha cabeça.
- Falo que sei, mas não sei de beber que nem adulto quando estou triste. A tristeza me faz ter 15 anos de novo. Nota mental: parar com isso, pelamor.
- Não sei de me perder às vezes. Como diria minha querida Clarisse, genia indomável, "perder-se também é caminho".
- Não sei lidar com distâncias. Preciso trabalhar muito isso.
Apesar da lista não sei ser menor, acho que vou descobrindo mais coisas que não faço ideia dia após dia. Me sinto muito feliz em não ter morrido no domingo. Me sinto grata por existir e poder buscar saber dessas coisas que não sei. Mas estou indo bem.
Bater a cabeça é bom pra chacoalhar os miolinhos. Crise é bom pra crescer, bem ericksoniana (e como eu gosto desse fulano Erik Erickson!)
[pode parecer confuso e conflituoso, mas não é; quis fazer minha lista, sem copiar a da coleguinha]
Lembrei, desse modo esquisito, que eu não fiz nenhuma listinha de coisas que eu queria fazer aos 25. E agora não dá mais tempo, porque, né, faltam 2 meses pros 26.
Eu achava babaca, mais uma dessas de planejamento sem ação, coisa estúpida mesmo. Mas quando você coloca a coisa lá, num papel ou na internet, a coisa toma um rumo de realidade tangível muito mais agradável de tentar botar em prática. Falo isso porque fiz uma lista do tipo quem eu sou/onde estou, quem quero ser/onde quero estar e é lindo como venho me tornando cada vez mais a pessoa que eu quero, onde e quando quero.
Ai eu cai de cabeça numa pedra e quase morri [porra, só acontece comigo]. Tem tudo a ver com a história porque eu me acidentei aos 25. Até domingo nunca tinha tido nenhum trauma, quebra de ossos, nada de interessante. No máximo uma abertura de lábio antes de dançar, mas é texto para outras linhas. E ai eu abro a cabeça
Então, libriana, vamos botar na balança:
DAQUILO QUE SEI
- Sei de amor, de amar, de ser e não ser amada... Amei (e amo!!) amigos, amigas, namorados, amantes. Amei quem nunca me amou de volta. Amei quem me amou com o mesmo furor, amei quem me entregou o coração. Amo meus pais e minha irmãzinha grande. Amei um montão de crianças. Amo minha afilhada, a criança mais linda do mundo, mesmo que ela esqueça quem eu sou de vez em quando (e não há nada mais belo que reconquistá-la a cada sorriso!). Amei o igual, claro. E o diferente. Amei artistas por suas artes, por seus corpos, por seus amores.
E só isso me bastaria ter vivido até agora, mas ia ser chato acabar uma reflexão tão íntima aqui.
- Sei um pouquinho de brigar. Briga com melhor amiga, com melhor amigo, com quem amo.
... com quem amei tanto...
- Sei de sonhar, e acho que é isso o que mais sei nessa vida.
- Sei de bater a cabeça na pedra de escada
- Sei de ficar horas intermináveis em hospitais
- Sei um pouco da solidão. E não quero saber mais.
- Sei de ballet. Quero sempre saber mais
- Sei de umas falhas de personalidade. Sei que quero mudar.
- Sei de bons livros, alguns.
- Sei de bons filmes
- Sei de sofrimento, de perda e de vários tipos de separações. E se eu pudesse saberia só o que sei mesmo.
- Sei de morar com as melhores amigas do mundo. E sei de morar com amigas e com quem tive inimizade também.
- Sei de viajar sem muito destino e sem hotel.
- Sei de esperar em rodoviária
- Sei de praias de São Paulo
- Sei de ser sensível e de ter sensibilidade
- Sei de correr na chuva e preciso de mais chuva
- Sei de escrever quando aperta o calo, quando o coração dispara, quando a música toca...
- Sei que tenho fé.
DAQUILO QUE NÃO SEI
- Não sei de casar. Não de verdade, embora a experiência com quem não queria casar comigo conte um pouco nesse ponto
- Não sei de ter filhos
- Não sei de morar fora do país
- Não sei do meu país
- Não sei de coisas cult, não o quanto gostaria de saber
- Não sei do meu estilo, que anda mudando muito. rs.
- Não sei do meu corte de cabelo
- Na verdade, não sei de cuidar da minha aparência
- Não sei de cuidar de gente do modo que eu gostaria
- Não sei de ser bailarina de verdade. E eu quero. E eu busco. E eu fervo pra saber.
- Não sei de ser fria
- Não sei cuidar de um bichinho. E não vou ter um bichinho ao mudar de casa, porque eu não vou poder cuidar dele ficando 838746654 horas fora de casa. Preciso ser enfática nisso porque é uma discussão constante na minha cabeça.
- Falo que sei, mas não sei de beber que nem adulto quando estou triste. A tristeza me faz ter 15 anos de novo. Nota mental: parar com isso, pelamor.
- Não sei de me perder às vezes. Como diria minha querida Clarisse, genia indomável, "perder-se também é caminho".
- Não sei lidar com distâncias. Preciso trabalhar muito isso.
Apesar da lista não sei ser menor, acho que vou descobrindo mais coisas que não faço ideia dia após dia. Me sinto muito feliz em não ter morrido no domingo. Me sinto grata por existir e poder buscar saber dessas coisas que não sei. Mas estou indo bem.
Bater a cabeça é bom pra chacoalhar os miolinhos. Crise é bom pra crescer, bem ericksoniana (e como eu gosto desse fulano Erik Erickson!)
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
Mais um inacabado
Dois
Escorregando entre os dedos dos sentimentos incertos
Um
Anseio carregado de rompantes de ansiedade
Pois o silêncio do olhar é um refúgio natural
e se a entrega me parece consequente
Dois, quente
A sutileza dos instantes define o que vem adiante
(esperança), um ou dois
Doce é a poética do desejo
Escancarada a cada gesto recheado de ardor
Palavra cuja rima perigosa de ser revelada
Define a tensão sobre tudo o aquilo que é sincero
Escorregando entre os dedos dos sentimentos incertos
Um
Anseio carregado de rompantes de ansiedade
Pois o silêncio do olhar é um refúgio natural
e se a entrega me parece consequente
Dois, quente
A sutileza dos instantes define o que vem adiante
(esperança), um ou dois
Doce é a poética do desejo
Escancarada a cada gesto recheado de ardor
Palavra cuja rima perigosa de ser revelada
Define a tensão sobre tudo o aquilo que é sincero
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Trilha
Há poesia nos medos mais profundos
Há poesia no medo da dor, no medo da perda
Mas a vida não é feita de rima
É feita de liberdade
Quero alegria, letra solta no mundo
Encontrar esse medo mais profundo
Transformar em medo venoso
Expira, lança do corpo
No caminho, felicidade é barranco depois da enxurrada
Só enxerga quem pouco se apega
Há poesia no medo da dor, no medo da perda
Mas a vida não é feita de rima
É feita de liberdade
Quero alegria, letra solta no mundo
Encontrar esse medo mais profundo
Transformar em medo venoso
Expira, lança do corpo
No caminho, felicidade é barranco depois da enxurrada
Só enxerga quem pouco se apega
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Aquele drama
Tem que gostar de sofrer
Pra gostar de você
Fugidio como as ondas que vão
No meu mar de ilusão
Em cada gesto, um afeto
Um bocado de cor
Que fere qualquer peito aberto
Sedento de amor
À espera, um sinal que não quer entregar
Aquilo que fica guardado
Batendo forte, no peito calado
É conversa de bar
Poesia da história mais fria
Quentura divina desta aventura
Sossego faceiro desgraçando o ego
instiga a memória à voltar pra você
Pra gostar de você
Fugidio como as ondas que vão
No meu mar de ilusão
Em cada gesto, um afeto
Um bocado de cor
Que fere qualquer peito aberto
Sedento de amor
À espera, um sinal que não quer entregar
Aquilo que fica guardado
Batendo forte, no peito calado
É conversa de bar
Poesia da história mais fria
Quentura divina desta aventura
Sossego faceiro desgraçando o ego
instiga a memória à voltar pra você
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