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terça-feira, 29 de abril de 2014

[pensamentos]

Mas tem sempre aquele pedaço de travesseiro que você encosta e está lá, vívido e meio viciante, o cheiro. E as lembranças daquilo que foi bom, apesar da decisão em seguir por caminhos diferentes. Como se pulsasse carinho e risadas, quanta coisa por um cheiro. O difícil é perceber que já se esteve nesse lugar um milhão de vezes, o da falta, da memória, da solidão e dos desencontros. Que quase sempre foi o problema do timing, ou as decisões afastando um do outro. Já foram tantas paixões intermináveis, tantos guardados, cheiros e indispensáveis abandonados que paira no ar a sensação de que só é possível viver mais do mesmo. Não é real, mas existe, maior ainda, um medo de que seja, apesar da ânsia por viver uma nova paixão.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Mais um, menos outro

Não vale uma rima da minha poesia
Mas tua beleza se espalha como erva daninha
Nesse tomar de corpo queima, arde e inebria

Nada compara a tua presença
Afeta a alma, o afeto, a estranha querelância de te ter por perto...
Extinguir de alegria é a falta que faz

Como se olhos fossem imãs a prender atenção
Usa de todo seu ser pra ter todas na mão
É tão fugaz!

Controle que expressa seu corpo sagaz
Belo, belíssimo, presença no estar

E sem choro nem vela
Parte estrofe, coração e cancela
Indo embora para não mais voltar
E eu, confiante e esperta
Caída por tantas paixões tão mais belas
Senti a falta do claro teu olhar
Não fosse a solidão tristeza a atormentar, era forte
Mas tu tao galante não pude evitar...

Se fosse mesmo esperta
Menos artista, mais racional
Fechava a porta entreaberta
E voltava a minha vida normal...

Mas o novo, o intenso e o desejo
Me torturam, esperança de ter ao menos um tempo
Com teus lábios carnudos que esquentam
Ao entreabrir de graça cruzando o olhar

Não vale nem uma rima de poesia
Mas uns instantes com tua pele, nao posso negar que queria...

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Loucura wireless

Terminaram porque não havia mais o que seguir e de agora em diante eram os dois dissonantes.

*Toda aquela lenga-lenga sentimental desinteressante*

Eram mesmo mais do mesmo, vaidade neurótica permitindo o follow-up de fim de relacionamento. E nesses tempos de tecnologia avançada, qualquer livrinho de rosto ajudava. Um deles, não se sabe quem, desconectou-se do outro. Não somos mais amigos virtuais, toma essa, cara pálida, mas esqueceu-se de alterar as configurações de privacidade.

Não deixaram de ter amigos em comum - virtuais ou físicos, matemáticos, humanos - e nem se atreviam a perguntar um do outro, de modo a tornar a web rotina fácil de se diagnosticar:

Amig@ publica - Ela comenta - Ele lê - Pausa - Amig@ publica - Ele comenta - Ela lê - Pausa - Amig@ publica - Ele comenta - Ela lê - Pausa - Amig@ publica - Ela comenta - Ele lê - Pausa - Amig@ publica - Ela comenta - Ele comenta - Pausa - Amig@ publica - Ele comenta - Ela comenta - Pausa - Amig@ publica - Ele comenta - Ela comenta - Pausa [...]

Ninguém se fala, todos se leem, fazem-se notar. Hey-hey-hey, I can't get no satisfaction se você não olhar pra mim, todos querem os ex aos seus pés. EX significa que já foi, ué, quem liga?

E nosso casal tema se gabando por aí de sua peculiar maturidade ao terminar a paixão; esquecendo que sem ela só lhes sobrara a loucura.

Sem fio, claro.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Aquele drama

Tem que gostar de sofrer
Pra gostar de você
Fugidio como as ondas que vão
No meu mar de ilusão

Em cada gesto, um afeto
Um bocado de cor
Que fere qualquer peito aberto
Sedento de amor

À espera, um sinal que não quer entregar
Aquilo que fica guardado
Batendo forte, no peito calado
É conversa de bar

Poesia da história mais fria
Quentura divina desta aventura
Sossego faceiro desgraçando o ego
instiga a memória à voltar pra você