quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Aquele drama

Tem que gostar de sofrer
Pra gostar de você
Fugidio como as ondas que vão
No meu mar de ilusão

Em cada gesto, um afeto
Um bocado de cor
Que fere qualquer peito aberto
Sedento de amor

À espera, um sinal que não quer entregar
Aquilo que fica guardado
Batendo forte, no peito calado
É conversa de bar

Poesia da história mais fria
Quentura divina desta aventura
Sossego faceiro desgraçando o ego
instiga a memória à voltar pra você

domingo, 15 de julho de 2012

Procura

Olhou por entre os dedos a mão fatigada pela rotina. As teclinhas que apareciam, o movimento repetido de ir e vir naquele digitar sem técnica, recheado de sentido, apesar dos pesares. É que queria ler um livro. pensara em descer, ir atrás de sebo, fuçar. Mas pra chegar lá embaixo precisava de dinheiro e isso era coisa que não tinha por aqueles dias.

Voltou ao computador em busca de leitura interessante. Tentava reativar a memória sobre tudo aquilo que guardara no coração; sobre o que leu e não deixou passar. Porque não tinha o hábito de decorar frases ou lembrar dos títulos que lia, as palavras voltavam ao texto e raramente ficavam em si.

Quanto Machado na adolescência, quanta Clarisse. E por fim, nada tinha lido. As palavras deglutidas em sua observação rápida, sua loucura diária de fazer e fazer, não pensava. Até chegar nesse ponto de agora, onde só pensava, não descia pra buscar nada. À janela, procurava leitura; procurava deglutir mais palavras, alguma coisa que ficasse perto do coração e da memória.

Mas não havia nada. Apenas desesperança de encontrar coisa qualquer que resistisse.

Deitou e dormiu, porque não fazia sentido procurar livro que não adianta ler, vida que não existe, fantasia para viver. Vivia naquele momento e nada voltava a si. Pra que? Esquecia, porque é a memória casada com a emoção.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Estou nua em idéias
Com a faca na garganta
E o pulso na miséria

Mas o que vem e volta é repetição
Escancara a memória
Sufoca a alma e a razão

Como se flor fosse o que se entende com a mente
Como se conta fizesse ao coração

Movimenta a saia longa
Dança o adeus e separa
Leva a graça e a solidão






*Opção auto complete acionada meses depois.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Blog e Impressionismo. Not.

"Meu blog parece um chiclete de menina.

Mas eu posso dizer que tem um quê impressionista na escolha das cores. Nessa vida, basta ter o vocabulário certo para falar qualquer bobagem que interessa."

Ai eu lembrei que não manjo nada, ou quase nada de artes plásticas e fui fuçar por ai.

Lembrei também de um livro da Fayga (A Sensibilidade do Intelecto) que falava sobre as cores complementares no impressionismo, usadas para criar o jogo de luz e sombra, o que não tem nada a ver com o meu lay, que não usa cores complementares. De qualquer forma, curtindo Monet adoidado, mando um quadro que gosto. Um dia posto mais sobre as tais das cores complementares, quem sabe quando eu aprender direito sobre.


Imagem
CLAUDE MONET (1840-1926), Impressão, nascer do sol (1872), pintura, Musée Marmottan, Paris

(resguardadas as alterações de cores na reprodução)

Visitas

Vez por outra acho esse mundo muito estranho.

Se sinto saudade dos meus amigos, leio seus blogs, vou atrás de suas publicações no face. E tenho certeza que não sou sozinha nesse modo de agir.

Parece que estamos sempre à janela, observando a vida alheia, mesmo a de amigos mais próximos e queridos. Às vezes, email-lhes. Outras, mais raras, mando mensagem no celular. Dificilmente ligo, raramente os vejo, que bizarra é essa trilha do caminhar sozinho sem deixar-se estar.

"É a rotina". A rotina é a gente quem faz.

Na cidade natal parece ser tudo festa e diversão, como se não houvesse amanhã. E que bom que nos vemos, nos tocamos, nos ouvimos e sentimos de perto o calor de nossas existências. Mas segunda-feira volta a rotina. Como se essa fosse uma entidade com vida própria.

Claro que há diversidades de tempo-espaço entre nossas ações no mundo. Só acho um pouco triste sair da janela virtual para a janela do ônibus para a janela do trabalho para a janela do ônibus para a janela virtual.

Ver a vida dos outros passando rapidamente em frente aos olhos, enquanto o tempo escorre. E nem contamos uns para os outros que estamos ali, olhando, acompanhando atentamente os detalhes que deixam ser vistos pela criatura lida.

Saudades de tomar uma cerveja gelada no Amarelinho, no Empório, naquele bar do canal 5.
Saudades de brigar de verdade, olhando nos olhos
Saudades de dar abraços e gargalhar junto.
De derrubar água em cima dos outros e de tomar banho fora de hora.

Saudades de estar junto. Mas a rotina, essa é a gente quem faz.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Ai não dá vontade de nada


Alguém já escreveu as palavras que eram tão minhas
Já contou o que sinto, já estreou no palco onde piso.
Pergunto cadê subjetividade e ela responde perdida:
Estou como se vê, estou como se lida.

(quase) Nova regra ortográfica


Para não pensar, escrever,
Fazer,
Para não sofrer.
Para algum acalento para a loucura de alguém.

Para e pensa, para e faça,
Para deixar de esquecer.

E alguém para para você?
Para tu, deixa-te ver.