Amei-te com a voracidade da entrega
Contra a leveza dos fatos
Amei-te completa
Com o ímpeto dos desejos mais secretos
Amei-te entre tantos passados
Amei-te no sonho, na queda
Desde o canto ao que fora tocado
Por cada céu de minha atmosfera
Amei-te distante e desnuda
Ante a mera perspectiva de ser tua
Amei-te por fora e por dentro
Em cada instante, a cada tempo
Amei-te braços, cabelos, costas e unhas
Amei-te mais do que eu mesma supunha
Com pernas bambas, colos e arestas
Entre as grandes e pequenas frestas
Amei tanto amor
Que quando passou
Deixou um buraco e tirou-me da inércia
arte, cultura, baboseiras, relíquias por aí. saber o que é não importa, só é preciso mexer.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
domingo, 30 de dezembro de 2012
Caminhante
Bate sol no movimento
Caminhante contra o vento
Corpo versus alma crua
Silhueta desenhando a rua
Caminhante solitário
Passageiro mercenário
Habitante da memória
Caminhante
Se afasta pela borda fria
Segue a sombra pela via
Se sorri ou se chora já não vejo
Segue a dúvida despedida pelo beijo
Sussurrar em teu ouvido era arrepio
Longe, grito teu nome no vazio
Caminhante distante
Cala a lágrima, deixa o coração estanque
Caminhante contra o vento
Corpo versus alma crua
Silhueta desenhando a rua
Caminhante solitário
Passageiro mercenário
Habitante da memória
Caminhante
Se afasta pela borda fria
Segue a sombra pela via
Se sorri ou se chora já não vejo
Segue a dúvida despedida pelo beijo
Sussurrar em teu ouvido era arrepio
Longe, grito teu nome no vazio
Caminhante distante
Cala a lágrima, deixa o coração estanque
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Pós-pós
Clique é (des)toque
Brilho no rosto escuro da vida
Não destoca: retoca
a imagem, o espelho sem volta.
Descontrole pelo medo de estar controlado
clicado
marcado
curtido em massa, tempero para não apodrecer.
Sem luz, o único corpo é o da vela.
Deixa o fogo consumir o comprado
Vontade de estar ao lado
Mantendo a distância da tela.
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Um pedacinho do livro
"Sentia-se condenado a sentir o que lhe era profundo, a
profanar o amor, deixar-se arder em toda a crueldade. Sua vida era uma grande
tragédia e mesmo quando decidira acabar de vez com esse conto de mau gosto,
fora mal sucedido. Pensava ser pela sua falta de competência em ir até o fim de
ato qualquer, mas se enganava – coisa habitual de Bruno – porque não queria
morrer; se sentia culpado por todas as maleficências que alcançaram sua família
e todos que amava. Ficar sozinho parecia ser a melhor punição para todos os
seus pecados: traições, mentiras, angústias que causara nas mulheres ao seu
redor.
E tudo parecia girar em torno de seu coração marcado a
ferrete."
Quem sabe é um bom começo...
sábado, 27 de outubro de 2012
Nu em outro
Em certo ponto, resolveu não se envolver em relacionamentos com amor. Sim. Dividir a vida em pré e pós romantismo de livro, esquecer dos contos de fadas com finais felizes. Até porque, se fada madrinha existisse, seria essa a sua função no mundo e nunca lera uma só história em que a fada tivesse outro fado que não fazer princesas felizes.
Fardada com ou sem varinha, foi com seu novo intento, boca, nuca, mão, e o coração não. Mas descobrir se é verdade que sexo com amor é melhor que sem medo não é tarefa fácil para uma moça criada segundo a tradição judaico-cristã; valorize o seu corpo, não o entregue para qualquer um.
Como se viesse embrulhada num papel presente gigante! Como se descobrir os prazeres de estar com alguém por estar com alguém fosse coisa terrível e impensável para uma mulher direita, para uma mulher que se ama acima de tudo. E era quieta, do tipo fofa, que agrada a todos. Pobre, ninguém é tão camaleão a ponto de satisfazer o mundo.
Sérias bobagens deixadas para lá, aventurou-se com o primeiro one night stand. Depois de casada por quatro anos, deitar com outro fora exótico. Ele não sabia o que ela gostava, o que ela queria, e a criatura se viu na estranha posição de ser ativa em seu sexo. Tinha que falar, tinha que pedir, seu desejo exposto de maneira tão visceral e necessária para o prazer. Era difícil, porém estava decidida a tentar quantas vezes fossem necessárias. One se tornou two e three e four...
Rapidamente sentiu se tornar uma maravilhosa amante. Conhecia truques, descobria e lembrava de uma noite para outra como enlouquecer o parceiro, se orgulhava. Gozava e adorava olhar os olhos daquele que morria de prazer em suas mãos, boca, corpo inteiro feito um furacão... Mas sobrava-lhe um vazio triste após os toques profundos e íntimos, carícias talhadas em suor e suspiros. Culpou o amor. Só podia ser sua falta a razão de tamanha infelicidade. Não era mesmo igualmente bom.
Caso de verão ou princesa do era uma vez, aprendera toda a vida a servir, perseguir a felicidade alheia. Culpava a falta e o excesso de amor pela sua incapacidade de se mostrar mulher desejante mais do que desejada, culpava o mundo pela anulação do seu existir.
Abandonou os relacionamentos casuais. Abandonou o amor. E manteve-se no posto fixo de ser mártir procurando pelo no ovo do prazer alheio até a desrealização de sua escolha levar a cabo a pouca vontade que tinha de simplesmente ser.
Fardada com ou sem varinha, foi com seu novo intento, boca, nuca, mão, e o coração não. Mas descobrir se é verdade que sexo com amor é melhor que sem medo não é tarefa fácil para uma moça criada segundo a tradição judaico-cristã; valorize o seu corpo, não o entregue para qualquer um.
Como se viesse embrulhada num papel presente gigante! Como se descobrir os prazeres de estar com alguém por estar com alguém fosse coisa terrível e impensável para uma mulher direita, para uma mulher que se ama acima de tudo. E era quieta, do tipo fofa, que agrada a todos. Pobre, ninguém é tão camaleão a ponto de satisfazer o mundo.
Sérias bobagens deixadas para lá, aventurou-se com o primeiro one night stand. Depois de casada por quatro anos, deitar com outro fora exótico. Ele não sabia o que ela gostava, o que ela queria, e a criatura se viu na estranha posição de ser ativa em seu sexo. Tinha que falar, tinha que pedir, seu desejo exposto de maneira tão visceral e necessária para o prazer. Era difícil, porém estava decidida a tentar quantas vezes fossem necessárias. One se tornou two e three e four...
Rapidamente sentiu se tornar uma maravilhosa amante. Conhecia truques, descobria e lembrava de uma noite para outra como enlouquecer o parceiro, se orgulhava. Gozava e adorava olhar os olhos daquele que morria de prazer em suas mãos, boca, corpo inteiro feito um furacão... Mas sobrava-lhe um vazio triste após os toques profundos e íntimos, carícias talhadas em suor e suspiros. Culpou o amor. Só podia ser sua falta a razão de tamanha infelicidade. Não era mesmo igualmente bom.
Caso de verão ou princesa do era uma vez, aprendera toda a vida a servir, perseguir a felicidade alheia. Culpava a falta e o excesso de amor pela sua incapacidade de se mostrar mulher desejante mais do que desejada, culpava o mundo pela anulação do seu existir.
Abandonou os relacionamentos casuais. Abandonou o amor. E manteve-se no posto fixo de ser mártir procurando pelo no ovo do prazer alheio até a desrealização de sua escolha levar a cabo a pouca vontade que tinha de simplesmente ser.
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Apenas pontuando um update
Foi aí que, nesse dia gelado da capital, acordei tentada a escrever. Não porque me apareceu uma inspiração em sonho, mas pela necessidade de dar vida a fantasia que vive em mim sem cindir com a realidade, claro.
O melhor texto? Em definitivo, não. O importante é que, diante de minha agonia, consegui retomar o meu projeto de livro.
Só pra pontuar, porque foi uma pequena evolução causada por revoluções inside my skin.
O melhor texto? Em definitivo, não. O importante é que, diante de minha agonia, consegui retomar o meu projeto de livro.
Só pra pontuar, porque foi uma pequena evolução causada por revoluções inside my skin.
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Loucura wireless
Terminaram porque não havia mais o que seguir e de agora em diante eram os dois dissonantes.
*Toda aquela lenga-lenga sentimental desinteressante*
Eram mesmo mais do mesmo, vaidade neurótica permitindo o follow-up de fim de relacionamento. E nesses tempos de tecnologia avançada, qualquer livrinho de rosto ajudava. Um deles, não se sabe quem, desconectou-se do outro. Não somos mais amigos virtuais, toma essa, cara pálida, mas esqueceu-se de alterar as configurações de privacidade.
Não deixaram de ter amigos em comum - virtuais ou físicos, matemáticos, humanos - e nem se atreviam a perguntar um do outro, de modo a tornar a web rotina fácil de se diagnosticar:
Amig@ publica - Ela comenta - Ele lê - Pausa - Amig@ publica - Ele comenta - Ela lê - Pausa - Amig@ publica - Ele comenta - Ela lê - Pausa - Amig@ publica - Ela comenta - Ele lê - Pausa - Amig@ publica - Ela comenta - Ele comenta - Pausa - Amig@ publica - Ele comenta - Ela comenta - Pausa - Amig@ publica - Ele comenta - Ela comenta - Pausa [...]
Ninguém se fala, todos se leem, fazem-se notar. Hey-hey-hey, I can't get no satisfaction se você não olhar pra mim, todos querem os ex aos seus pés. EX significa que já foi, ué, quem liga?
E nosso casal tema se gabando por aí de sua peculiar maturidade ao terminar a paixão; esquecendo que sem ela só lhes sobrara a loucura.
Sem fio, claro.
*Toda aquela lenga-lenga sentimental desinteressante*
Eram mesmo mais do mesmo, vaidade neurótica permitindo o follow-up de fim de relacionamento. E nesses tempos de tecnologia avançada, qualquer livrinho de rosto ajudava. Um deles, não se sabe quem, desconectou-se do outro. Não somos mais amigos virtuais, toma essa, cara pálida, mas esqueceu-se de alterar as configurações de privacidade.
Não deixaram de ter amigos em comum - virtuais ou físicos, matemáticos, humanos - e nem se atreviam a perguntar um do outro, de modo a tornar a web rotina fácil de se diagnosticar:
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E nosso casal tema se gabando por aí de sua peculiar maturidade ao terminar a paixão; esquecendo que sem ela só lhes sobrara a loucura.
Sem fio, claro.
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