A beleza da vida reside em tudo o que é fugidio. A mão do outro tocando a tez molhada, a expiração perto da boca, o olhar desviado pela primeira vez. É a experiência singular que define os frames coados pela memória, frações de segundo levadas para sempre ao eterno. O regurgitar da lembrança transforma os milésimos em milhões, colore ou romanceia em preto e branco o que já era belo. Lapida o diamante e faz da saudade um raio de sol certeiro, impossível de resistir; deixa o momento ao alcance das mãos, tão perto... É apenas reflexo no espelho que engana fingindo voltar.
Mas quando a beleza dá lugar ao vazio, a esperança sussurra: há mais segundos do que se imagina...
arte, cultura, baboseiras, relíquias por aí. saber o que é não importa, só é preciso mexer.
quinta-feira, 7 de março de 2013
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Amor passado
A dor que por ora aperta
Sara e muda de lugar
Coração procura à hora certa
Mas desgraça escorrega e foge
Deixa a porta entreaberta pra depois repassar
Mazela é quebrar um termômetro velho
Mercúrio espalhado, condensado
Pá nem canudo recolhem
Parcela
Fraciona
Deixa invisível
Mas o corpo sabe que ainda está lá.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Trilha
Há poesia nos medos mais profundos
Há poesia no medo da dor, no medo da perda
Mas a vida não é feita de rima
É feita de liberdade
Quero alegria, letra solta no mundo
Encontrar esse medo mais profundo
Transformar em medo venoso
Expira, lança do corpo
No caminho, felicidade é barranco depois da enxurrada
Só enxerga quem pouco se apega
Há poesia no medo da dor, no medo da perda
Mas a vida não é feita de rima
É feita de liberdade
Quero alegria, letra solta no mundo
Encontrar esse medo mais profundo
Transformar em medo venoso
Expira, lança do corpo
No caminho, felicidade é barranco depois da enxurrada
Só enxerga quem pouco se apega
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Sopro do barco
Amei-te com a voracidade da entrega
Contra a leveza dos fatos
Amei-te completa
Com o ímpeto dos desejos mais secretos
Amei-te entre tantos passados
Amei-te no sonho, na queda
Desde o canto ao que fora tocado
Por cada céu de minha atmosfera
Amei-te distante e desnuda
Ante a mera perspectiva de ser tua
Amei-te por fora e por dentro
Em cada instante, a cada tempo
Amei-te braços, cabelos, costas e unhas
Amei-te mais do que eu mesma supunha
Com pernas bambas, colos e arestas
Entre as grandes e pequenas frestas
Amei tanto amor
Que quando passou
Deixou um buraco e tirou-me da inércia
Contra a leveza dos fatos
Amei-te completa
Com o ímpeto dos desejos mais secretos
Amei-te entre tantos passados
Amei-te no sonho, na queda
Desde o canto ao que fora tocado
Por cada céu de minha atmosfera
Amei-te distante e desnuda
Ante a mera perspectiva de ser tua
Amei-te por fora e por dentro
Em cada instante, a cada tempo
Amei-te braços, cabelos, costas e unhas
Amei-te mais do que eu mesma supunha
Com pernas bambas, colos e arestas
Entre as grandes e pequenas frestas
Amei tanto amor
Que quando passou
Deixou um buraco e tirou-me da inércia
domingo, 30 de dezembro de 2012
Caminhante
Bate sol no movimento
Caminhante contra o vento
Corpo versus alma crua
Silhueta desenhando a rua
Caminhante solitário
Passageiro mercenário
Habitante da memória
Caminhante
Se afasta pela borda fria
Segue a sombra pela via
Se sorri ou se chora já não vejo
Segue a dúvida despedida pelo beijo
Sussurrar em teu ouvido era arrepio
Longe, grito teu nome no vazio
Caminhante distante
Cala a lágrima, deixa o coração estanque
Caminhante contra o vento
Corpo versus alma crua
Silhueta desenhando a rua
Caminhante solitário
Passageiro mercenário
Habitante da memória
Caminhante
Se afasta pela borda fria
Segue a sombra pela via
Se sorri ou se chora já não vejo
Segue a dúvida despedida pelo beijo
Sussurrar em teu ouvido era arrepio
Longe, grito teu nome no vazio
Caminhante distante
Cala a lágrima, deixa o coração estanque
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Pós-pós
Clique é (des)toque
Brilho no rosto escuro da vida
Não destoca: retoca
a imagem, o espelho sem volta.
Descontrole pelo medo de estar controlado
clicado
marcado
curtido em massa, tempero para não apodrecer.
Sem luz, o único corpo é o da vela.
Deixa o fogo consumir o comprado
Vontade de estar ao lado
Mantendo a distância da tela.
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Um pedacinho do livro
"Sentia-se condenado a sentir o que lhe era profundo, a
profanar o amor, deixar-se arder em toda a crueldade. Sua vida era uma grande
tragédia e mesmo quando decidira acabar de vez com esse conto de mau gosto,
fora mal sucedido. Pensava ser pela sua falta de competência em ir até o fim de
ato qualquer, mas se enganava – coisa habitual de Bruno – porque não queria
morrer; se sentia culpado por todas as maleficências que alcançaram sua família
e todos que amava. Ficar sozinho parecia ser a melhor punição para todos os
seus pecados: traições, mentiras, angústias que causara nas mulheres ao seu
redor.
E tudo parecia girar em torno de seu coração marcado a
ferrete."
Quem sabe é um bom começo...
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