Sob os ventos, os cabelos novamente voam
À espreita da chuva a voltar
O gelado no rosto e nas mãos
É a poética trazida ao altar
Revoltas as folhas que caem
Neste frio acabar de setembro
Primavera esperada não chega
Outono que findo recolhe o intento
Tantas flores perdidas
Salpicam o chão, sinos de vento
Tanta santa estrela esquecida
Sobre o peso das nuvens do tempo
Visita da dor e da morte
Neblina levando a boiada
Cada sopro arrastando era forte
Passos gélidos, escorregadia estrada
Foi-se vida pairando o norte
A felicidade na madrugada parada
*pequena nota: veio rompante de choro na rua escura e vazia. Vento que faz a gente sentar e pensar sobre a vida e sua finitude, sobre o amor que se vai mas é eterno, sobre a saudade que fica quando o destino final é mais forte que o querer estar sempre por perto. Para meu avô.
arte, cultura, baboseiras, relíquias por aí. saber o que é não importa, só é preciso mexer.
terça-feira, 8 de outubro de 2013
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
olho
vem de mansinho
fingindo a maciez do algodão
tão branda e suave
refrescante cinzento após de dias sol
escurecer do raiar matinal
melancolia em preto e branco
inquietando o renascimento
ao mudar de lado o farol
chega raio e vem trovão
como pausa contínua do que era esperado
castiga de negrume o coração
esse centro onde estava
um momento de estaca
e nada respinga paixão
fingindo a maciez do algodão
tão branda e suave
refrescante cinzento após de dias sol
escurecer do raiar matinal
melancolia em preto e branco
inquietando o renascimento
ao mudar de lado o farol
chega raio e vem trovão
como pausa contínua do que era esperado
castiga de negrume o coração
esse centro onde estava
um momento de estaca
e nada respinga paixão
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
turbilhão
entrou na água tomando um golpe do mar
a correnteza levou
aquilo que me havia de mais precioso
a calmaria, acabou
entre as lascas mortas de concha
embrenhando nos cabelos molhados
tanto pensamento absorto
tanto sofrimento guardado
a maré virou, fez-se cheia
atrita contra a pele
a aspereza dos grãos de areia
não tem chão,
turbilhão,
a perder o sentido
não dá pé nem pulso nem anca
é a água enchendo pulmão
desespero da indefinição
a correnteza levou
aquilo que me havia de mais precioso
a calmaria, acabou
entre as lascas mortas de concha
embrenhando nos cabelos molhados
tanto pensamento absorto
tanto sofrimento guardado
a maré virou, fez-se cheia
atrita contra a pele
a aspereza dos grãos de areia
não tem chão,
turbilhão,
a perder o sentido
não dá pé nem pulso nem anca
é a água enchendo pulmão
desespero da indefinição
domingo, 8 de setembro de 2013
alforria
é palavra, som, sentido
tocando meu eu sustenido
insiste me fazer escrever
dançar pelo rir e sofrer
artista, em tanto que sobra
da crise à última obra,
o que sou entreato e agora
e dói sentir muito assim
fogo longínquo ardendo em mim
imprimo a mordida no peito
mantenho o quedar do fardo rarefeito
forma de vida sem fôrma
ou lugar onde aperte e transborde
meu corpo esclarece a desforra
que o sapato do calo é a arte
a mesma que a alma retoma
afirmação do que falo e reflito
infinitude instável a qual acredito
Do momento: a gente só publica pra fingir pra gente que não se importa o quão ruim ta o treco.
tocando meu eu sustenido
insiste me fazer escrever
dançar pelo rir e sofrer
artista, em tanto que sobra
da crise à última obra,
o que sou entreato e agora
e dói sentir muito assim
fogo longínquo ardendo em mim
imprimo a mordida no peito
mantenho o quedar do fardo rarefeito
forma de vida sem fôrma
ou lugar onde aperte e transborde
meu corpo esclarece a desforra
que o sapato do calo é a arte
a mesma que a alma retoma
afirmação do que falo e reflito
infinitude instável a qual acredito
Do momento: a gente só publica pra fingir pra gente que não se importa o quão ruim ta o treco.
Pôr do sol
Você viu?
A lua sorridente à espreitar seu sono
Claridade obscura pela janela
Delineando contornos e traços
Lhe tratando cada vez mais bela?
Você viu, ou mais uma vez se negou a enxergar
toda a pureza sentimental da estética
cada palavra jogada em balaio de estopa
clamando atenção para a falta métrica?
Você viu?
fechou os olhos para não revelar
o que lhe parece impossível explicar
movimento profano de procurar e esconder
à revelia daquilo que deixara morrer
viu ou deixou-se cegar?
seja pulsar seu fechar e abrir
destes olhos de amêndoa doce como
nada mais importasse para si
em busca do viver mais que olhando
olhe pra mim
esteja presente, enfim
completude coberta
porta entreaberta
fresta alcançada por fim
A lua sorridente à espreitar seu sono
Claridade obscura pela janela
Delineando contornos e traços
Lhe tratando cada vez mais bela?
Você viu, ou mais uma vez se negou a enxergar
toda a pureza sentimental da estética
cada palavra jogada em balaio de estopa
clamando atenção para a falta métrica?
Você viu?
fechou os olhos para não revelar
o que lhe parece impossível explicar
movimento profano de procurar e esconder
à revelia daquilo que deixara morrer
viu ou deixou-se cegar?
seja pulsar seu fechar e abrir
destes olhos de amêndoa doce como
nada mais importasse para si
em busca do viver mais que olhando
olhe pra mim
esteja presente, enfim
completude coberta
porta entreaberta
fresta alcançada por fim
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Shhhh
Silence, quiet little lamb!
A fragilidade da tua voz não interessa
Esconda o brilhante atrás do belo
Deixe admirar a estátua, imóvel de pedra.
Silence, little lamb...
A fragilidade da tua voz não interessa
Esconda o brilhante atrás do belo
Deixe admirar a estátua, imóvel de pedra.
Silence, little lamb...
Primeiro
Teu quarto na vahia cheio de nós
Desculpa qualquer que nos abrigasse
Tensa paixão, momento de impasse
Chamando amizade de algo maior
Naquele apartamento vazio,
Toda a expectativa me enchia
Cortina fechada para a vida lá fora
Voltas pra casa, idas para a escola
Eu não era quem eu dizia
Segredando impulsos, desejos
Bem a verdade, você já sabia
Intérprete perfeito de minha poesia
Mas à distância de duas bicicletas,
Silenciei sobre a tua beleza quando de jeans e de preto
E sobre a mão repousando em minha perna
Revelei a angústia de te ter por tão perto
Tanto calor resguardava teu corpo, abraço sem fim...
Era a menina eu deixando partir
Punha em teus lábios tamanha inocência
Sem saber da tristeza que estava por vir
Primeiro amor rechaçado
Primeiro beijo guardado
Memória pra sempre de ti
[Que difícil de sair, nenhum verso jamais estará perto]
Desculpa qualquer que nos abrigasse
Tensa paixão, momento de impasse
Chamando amizade de algo maior
Naquele apartamento vazio,
Toda a expectativa me enchia
Cortina fechada para a vida lá fora
Voltas pra casa, idas para a escola
Eu não era quem eu dizia
Segredando impulsos, desejos
Bem a verdade, você já sabia
Intérprete perfeito de minha poesia
Mas à distância de duas bicicletas,
Silenciei sobre a tua beleza quando de jeans e de preto
E sobre a mão repousando em minha perna
Revelei a angústia de te ter por tão perto
Tanto calor resguardava teu corpo, abraço sem fim...
Era a menina eu deixando partir
Punha em teus lábios tamanha inocência
Sem saber da tristeza que estava por vir
Primeiro amor rechaçado
Primeiro beijo guardado
Memória pra sempre de ti
[Que difícil de sair, nenhum verso jamais estará perto]
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