domingo, 15 de janeiro de 2012

Arquivo da Memória


Poesias que quis trazer do outro blog

O que vai e deixa ficar - 29/12/11

Tudo o que é efêmero pode revelar
A eternidade presente em si
Como se fosse a flor, o olhar
O cofre escondido que secreta a alma

E escoa o tempo na areia do movimento
Muda gente, sentimento e ideia
Mas que felicidade no olhar para trás:
Do eterno não se moveu uma pedra...


Memórias do Rio e da baía - 09/12/11

Entrara como uma diva
Como se de todos a presença quisesse
Sabida do carmim que a boca cativa
Deixa ver a beleza daquele Tristesse

Cabelo que voa ao mar beijando a orla
Sorriso pr'alem do tocável, chegava de lado
Me tange e me queima a negrura dos olhos
Como se eu pudesse me largar sentado

Não fez-se mais colorido o dia
Nem mesmo mais viscoso o tempo
Mas o espasmo daquele momento
Manteve em meu olhar singela alegria

Tão fugaz quanto o encanto do vento
Me escapas a revelia das horas
Esqueces de mim, seco, sem pensamento
Levas consigo o charme que defloras



A confiança... - 07/11/11
é como uma flor que desabrocha
Sob o olhar da platéia da vida




(sem título) - 7/12/11
Não sei viver a tristeza
Tampouco a melancolia
quando me arraiga a beleza
ao fim deste longo dia

Não sei o que sinto à noite
Que toca minha'alma vazia
Parece o destino, uma foice,
No rosto uma lâmina fria

Não sei se é o sentido que falta
Que descobre o rosto na estrada
Ou o silêncio que teima e que volta
Deixando-me plena na madrugada


like a tree (ou encadeando) - 26/11/11
Às vezes me sinto podada
Às vezes sinto que me podo
Como uma árvore encanada
Que carrega seu próprio dolo

Às vezes o mundo me rasga
Às vezes o mundo ignoro
Como se fosse uma pedra dopada
Como se fosse um simples decoro

Tanta música me assalta a alma
Tanta música eu finjo que gosto
Como se fosse o som cadeado
Que embalasse esse tanto desgosto 

Tanta inspiração que me toma
Tanta inspiração que eu devoro
Como se fosse carta marcada
Como se fosse o pau que me escoro 



Sem título - 04/04/2010
Sempre o choro acalenta quando teus braços faltam
Estes, que conhecem tão bem meus pensamentos esguios,
Meu falso brio que escorre dos lábios
Sentimentalismo barato e diário
Pensamentos tolos... Deixemos passar.

Esconderijo - 06/08/09

o tempo se esconde
entre os risos produzidos na sala,
pelos dedos no cabelo da amada
que sente macio e não deixa ficar

o tempo se esconde
no gesto que imita o passado
em quem esquece conselhos raros
dos que brevemente se sentem enterrar

o tempo se esconde
nos vales que crescem no rosto
inventando o limite do corpo
que busca a respiração ofegante

o tempo se esconde
no breu da alma, nos cantos da mente
que diminuem lentamente
a cada dia e noite...


Pequeno - 05/05/09

Eu gosto do meu lugar e dele sinto falta.
O meu canto é quietinho, só pode ser preenchido por um eu vazio,
um eu que a cada dia perde seu ninho...
O que eu queria mesmo era ser um bichinho
pra me engrenhar no meio das conversas e me beirar no céu quando quisesse ficar sozinho.

inhoninhoininhoinho.


Autobiodigestor - 28/7/07

Ponho-me em frente ao espelho e o que vejo?
Esse é aquele que eu procuro
Ou sou eu disfarçado em mim mesmo?

As luzes da cidade lá embaixo iluminam a corrente de gente
Que a gente segue sem estar preso a correntes...
E é essa fluência que me faz perguntar
“O que me passa, Deus, o que me passa?”

Volto a beber meu chá quente.
É isso o que realmente importa, saber as respostas?
Entender o que me é pertinente?
Ou ser um descrente de tantas bobagens letradas e descuidadas,
Espalhadas por um ângulo qualquer de burrice?

Parto então cada palavra à sombra de uma falsa identidade
De um falso alfabetismo, que eu sequer preciso.
Parto de uma falsa verdade, esquecendo-me que ela não existe.
(agora é só um buraco no ventre)

Foi-se. E me intimida dizer que já não sei se ainda há o que fazer.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

remexe ae...