Tomei muito café e agora preciso de um cigarro pra me
acalmar. Não é uma droga de mundo? E quando você fala a verdade, as pessoas
preferem tampar o ouvido, “me conte uma história de ninar, quero descansar”. As
verdades são tão indeléveis, tão profundas, rasgam a gente em dois, antes e
depois, e viramos um cristal quebrado. Como é sensível esse mundo do tocável.
Como são sensíveis as pessoas que fingem não existir o sofrimento do outro.
Como é estranho.
É uma droga de mundo e o MEU cigarro é o problema. Na minha
casa, ao lado da cama que ocupo sozinha, acalmando meus nervos, o cigarro é o
problema. Dos outros. Botam umas gentes morrendo na capa pra que eu me
sensibilize, mas a gente finge não existir o sofrimento do outro. Eu vejo meu
prazer. Subindo pelas minhas pernas, me aquecendo as noites frias e as quentes
e as de chuva também. Molhando. Mas também não pode, é pecado, você jovem,
velha, barriguda, saradinha, casada, carente, solteira, feliz, donzela ou
atriz.
O propósito de isso tudo é que não há propósito algum além
de falar e falar sobre aquilo que deixo calar tantas vezes. Já disse que tomei
café demais, amanhã vai ser difícil acordar e perceber que nada mudou. Volto à
rotina como se não houvesse falado nada. Esses desatinos solitários refratam a
luz em tantos ângulos que físico nenhum podia suportar. Nem o meu próprio, esse
tanto cigarro, e se eu morrer vai ser porque eu quis. Ora, mentira, todo mundo
morre. Querendo ou não. Se é o destino, que eu encare a verdade com três doses
de tequila em uma mão só, equilibrando aquilo que consigo na vida. Parece não
fazer sentido, mas faz, basta ver quanta coisa a gente carrega nos ombros antes
de empacotar. Pra NADA. Pra dizer que pode.
Quando a gente larga tudo, aí é depressão. Porque nem se
encher o saco nos permitem mais. Ninguém quer ver a verdade, mas os poetas,
médicos e jornalistas jogam na nossa cara o tempo todo que é ela a importante.
Queria ver se quem faz o discurso usasse daquilo que diz. A verdade é outra
droga, mas é uma droga que se faz para vender. Eu compro a sua e você compra
a minha, sabe? E por fim, ela nem existe mesmo, a gente inventa, e se inventa
não pode ser verdade. Não absoluta. Não há absoluto. Há Absolut. Umas boas
quatro doses, é mais fraca que a tequila.
Ou eu que sou fraca. Essa coisa toda tá me endoidando,
acabou meu cigarro e a paz.
Bom pra entrar nessa semana cuidando mais do físico. Me
masturbo menos, quem sabe encontro um verdadeiro amor. Alguém que me venda
carinho e afeto, qualquer droga que alimente.
É uma merda esse mundo.
Beijos, fui comprar um livro de dormir.
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remexe ae...