domingo, 21 de abril de 2013

abre e envolve


por tanto medo
só me chega poesia fria
poesia nua
sem brilho, sem metáfora
só me vem palavras cinzas
contrastar com a memória
destes coloridos dias
quando o tempo se apertou
e me escorregou das mãos

por tanto medo
pergunto se te cansas
se me esqueces
se te manchas
ou se te mantém só meu
te falo inseguranças
sabendo que o aperto,
coração ciumento,
só quem cuida sou eu

tanto medo
de braços dados com tanto sentimento
que não sei dar vazão

tanto medo
vivo, preenche o peito,
de perder outra paixão

domingo, 14 de abril de 2013

Bolsa, dinheiro e escrita

nos átrios dos prédios,
meio dos espaços da cidade
pequenez preenchendo a angústia.

esmagada pela alta velocidade
resido estanque no tráfego
buscando a lonjura apertada
entre o sonho e o prazo estourado


domingo, 24 de março de 2013

Onde bebe o desejo


não quero nada pelo qual não me apaixone
as negativas que afirmam minha existência
são resistência perante àquilo que insiste em me anular
não, eu quero é o intenso

não peço que me deixe fazer o que sinto
ninguém deixa e desdeixa de nada que é meu
não peço, nem mando
sou, pulso

taquicardia, filha do admirar por entre as frestas
não fatiga meus pulmões nem cansa o coração
revés da melancolia brinda com o estrago
não sinto que me para, eu ando pra frente

meu peito brada sem forçar a escuta:
não, não quero nada pelo qual não me apaixone!
quero que se quede infinito o desejo
quero o coração corifeu de minha história...

quinta-feira, 21 de março de 2013

Mainá e a Monografia, um caso sério

A questão do apaixonar-se pelo que se faz é contraditória. Ah, assim é o amor. Ora quer grudar, ora quer explodir.

Sinto-me assim em relação à dança e ao professorado. Escrever sobre meu trabalho traz, obviamente, a mesma contradição. Em certo momento, dá mesmo é vontade de mandar tudo para as cucuias, deixar para lá, não pegar o título (e daí, é só mais um título) e pronto. Dá vontade de falar "beijos" para as mães grosseiras, para as crianças em segundas calorentas e para as chefes que tolhem meu serviço.

Mas, e tudo que vem depois do mas é mais importante, meu trabalho trata de quem sou. Dos meus ideais, daquilo que sinto e transmito. É assim mesmo, dias de chuva, dias de sol.

Como é a vida.

Tomo uma água, um chá, e volto a escrever, dar aula, atender às mães, confrontar as chefas, e dançar - que devia vir primeiro, mas anda em último, para a minha tristeza.

São fases.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Reflexão

A beleza da vida reside em tudo o que é fugidio. A mão do outro tocando a tez molhada, a expiração perto da boca, o olhar desviado pela primeira vez. É a experiência singular que define os frames coados pela memória, frações de segundo levadas para sempre ao eterno. O regurgitar da lembrança transforma os milésimos em milhões, colore ou romanceia em preto e branco o que já era belo. Lapida o diamante e faz da saudade um raio de sol certeiro, impossível de resistir; deixa o momento ao alcance das mãos, tão perto... É apenas reflexo no espelho que engana fingindo voltar. 
Mas quando a beleza dá lugar ao vazio, a esperança sussurra: há mais segundos do que se imagina...

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Amor passado


A dor que por ora aperta
Sara e muda de lugar
Coração procura à hora certa
Mas desgraça escorrega e foge
Deixa a porta entreaberta pra depois repassar

Mazela é quebrar um termômetro velho
Mercúrio espalhado, condensado
Pá nem canudo recolhem
Parcela
Fraciona
Deixa invisível
Mas o corpo sabe que ainda está lá.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Trilha

Há poesia nos medos mais profundos
Há poesia no medo da dor, no medo da perda

Mas a vida não é feita de rima
É feita de liberdade
Quero alegria, letra solta no mundo
Encontrar esse medo mais profundo
Transformar em medo venoso
Expira, lança do corpo

No caminho, felicidade é barranco depois da enxurrada
Só enxerga quem pouco se apega