como suportar finais tão tristes
encarar a solidão em riste?
esqueci de aprender a cair
e voar fora o único desejo
quando tantos pés nesse mundo eu vi
entretanto,
o solo traz tamanho incômodo
que preciso sair deste encanto
buscar o centro, sustentar o meneamento
encontrar de volta o eixo
por movimento torpe levanto
pé ante pé pelas mãos
e sobre o corpo pensamento absorto:
no peso reside a densa beleza
de escapar por entre os dedos da tristeza
se não esbarro em respostas
sei que delas não hão amostras
deixo o grito ecoar no vazio
ressoar no negrume daquilo que não vejo
pois basta por ora
viver a vida sem deixa-la ir embora
arte, cultura, baboseiras, relíquias por aí. saber o que é não importa, só é preciso mexer.
terça-feira, 28 de maio de 2013
quinta-feira, 9 de maio de 2013
Pelica
Por favor, me mostre paixão.
Diga-me que seu desejo é tão intenso
Que não cabe em corpo tamanha emoção
O que move sua alma pra frente,
Pra qualquer direção?
Não, não me conte
Não preciso saber do que sente
Somente que existe sangue em suas veias
Fervor e momentos de ação
Por favor,
Mostre-me sua existência
Para que resista em meu coração.
Diga-me que seu desejo é tão intenso
Que não cabe em corpo tamanha emoção
O que move sua alma pra frente,
Pra qualquer direção?
Não, não me conte
Não preciso saber do que sente
Somente que existe sangue em suas veias
Fervor e momentos de ação
Por favor,
Mostre-me sua existência
Para que resista em meu coração.
domingo, 21 de abril de 2013
abre e envolve
por tanto medo
só me chega poesia fria
poesia nua
sem brilho, sem metáfora
só me vem palavras cinzas
contrastar com a memória
destes coloridos dias
quando o tempo se apertou
e me escorregou das mãos
por tanto medo
pergunto se te cansas
se me esqueces
se te manchas
ou se te mantém só meu
te falo inseguranças
sabendo que o aperto,
coração ciumento,
só quem cuida sou eu
tanto medo
de braços dados com tanto sentimento
que não sei dar vazão
tanto medo
vivo, preenche o peito,
de perder outra paixão
domingo, 14 de abril de 2013
Bolsa, dinheiro e escrita
nos átrios dos prédios,
meio dos espaços da cidade
pequenez preenchendo a angústia.
esmagada pela alta velocidade
resido estanque no tráfego
buscando a lonjura apertada
entre o sonho e o prazo estourado
meio dos espaços da cidade
pequenez preenchendo a angústia.
esmagada pela alta velocidade
resido estanque no tráfego
buscando a lonjura apertada
entre o sonho e o prazo estourado
domingo, 24 de março de 2013
Onde bebe o desejo
não quero nada pelo qual não me apaixone
as negativas que afirmam minha existência
são resistência perante àquilo que insiste em me anular
não, eu quero é o intenso
não peço que me deixe fazer o que sinto
ninguém deixa e desdeixa de nada que é meu
não peço, nem mando
sou, pulso
taquicardia, filha do admirar por entre as frestas
não fatiga meus pulmões nem cansa o coração
revés da melancolia brinda com o estrago
não sinto que me para, eu ando pra frente
meu peito brada sem forçar a escuta:
não, não quero nada pelo qual não me apaixone!
quero que se quede infinito o desejo
quero o coração corifeu de minha história...
quinta-feira, 21 de março de 2013
Mainá e a Monografia, um caso sério
A questão do apaixonar-se pelo que se faz é contraditória. Ah, assim é o amor. Ora quer grudar, ora quer explodir.
Sinto-me assim em relação à dança e ao professorado. Escrever sobre meu trabalho traz, obviamente, a mesma contradição. Em certo momento, dá mesmo é vontade de mandar tudo para as cucuias, deixar para lá, não pegar o título (e daí, é só mais um título) e pronto. Dá vontade de falar "beijos" para as mães grosseiras, para as crianças em segundas calorentas e para as chefes que tolhem meu serviço.
Mas, e tudo que vem depois do mas é mais importante, meu trabalho trata de quem sou. Dos meus ideais, daquilo que sinto e transmito. É assim mesmo, dias de chuva, dias de sol.
Como é a vida.
Tomo uma água, um chá, e volto a escrever, dar aula, atender às mães, confrontar as chefas, e dançar - que devia vir primeiro, mas anda em último, para a minha tristeza.
São fases.
Sinto-me assim em relação à dança e ao professorado. Escrever sobre meu trabalho traz, obviamente, a mesma contradição. Em certo momento, dá mesmo é vontade de mandar tudo para as cucuias, deixar para lá, não pegar o título (e daí, é só mais um título) e pronto. Dá vontade de falar "beijos" para as mães grosseiras, para as crianças em segundas calorentas e para as chefes que tolhem meu serviço.
Mas, e tudo que vem depois do mas é mais importante, meu trabalho trata de quem sou. Dos meus ideais, daquilo que sinto e transmito. É assim mesmo, dias de chuva, dias de sol.
Como é a vida.
Tomo uma água, um chá, e volto a escrever, dar aula, atender às mães, confrontar as chefas, e dançar - que devia vir primeiro, mas anda em último, para a minha tristeza.
São fases.
quinta-feira, 7 de março de 2013
Reflexão
A beleza da vida reside em tudo o que é fugidio. A mão do outro tocando a tez molhada, a expiração perto da boca, o olhar desviado pela primeira vez. É a experiência singular que define os frames coados pela memória, frações de segundo levadas para sempre ao eterno. O regurgitar da lembrança transforma os milésimos em milhões, colore ou romanceia em preto e branco o que já era belo. Lapida o diamante e faz da saudade um raio de sol certeiro, impossível de resistir; deixa o momento ao alcance das mãos, tão perto... É apenas reflexo no espelho que engana fingindo voltar.
Mas quando a beleza dá lugar ao vazio, a esperança sussurra: há mais segundos do que se imagina...
Mas quando a beleza dá lugar ao vazio, a esperança sussurra: há mais segundos do que se imagina...
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