sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Só e a perigo

[[Às vezes me sinto nostálgica
Sobre um tempo que não chegou
Penso que pode não ser nostalgia
Sentimento qualquer que eu não possa nomear

Melancólicos os dias que a cinzenta noite traz
Era espaço o que ficava aberto 
Entre o nada e o lugar nenhum
Palavras perdidas ao som da cerveja se abrindo

Tudo isso pode parecer sem sentido
E em alguma medida o é.
Não faz rima, tem ponto
É findo o aquecer perto do peito]]

Estou clara como pode ser a morte
Mas certa do que não vejo
Neblina baixa rasgando a cidade
Cobre meu corpo enquanto me deito

Desce macio cada gole
Muito adjetivo para pouco sofrimento
Pode ser assim que se mata a prole
Aquela que nunca sairá deste ventre

São colchas vazias que cobrem
A esperança de algo que não flui
Estaca repartindo em três pedaços
Estilhaços pontiagudos produzindo finais

Porque todo final é um riste
Apontando no meio da fuça
Entregando o fugitivo a passar pelo ralo
Mas não pode se esconder de si
Vulnerável ao seu próprio estar...

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remexe ae...