terça-feira, 4 de março de 2014

Confissões de um amor de carnaval

Não posso me conformar que na era de tanta ligeireza tecnológica possa ter me perdido da saia rodada e da flor de cabelo mais lindas que vi no carnaval. É mais ou menos como se fosse 1700, dançássemos na corte uma coreografia pré-moldada e meus acessórios fossem embora na correria, família toda, antes da 12° batida da meia noite. Logo eu e meu smartphone de última geração, GPS atualizado e internet ilimitada. Duas câmeras, dois chips, três redes sociais (foto, mini-blog e outra mais completa, todas muito na moda), três aplicativos de mensagens instantâneas, um aplicativo de vídeo, um de email, outro de compras aéreas, aliás, vários de compra virtual de todo tipo de coisa, até dois aplicativos de relacionamento virtual. Tudo para me conectar. Acho que a graça da vida está na conexão, especialmente entre as pessoas, e eu tinha tudo na palma da minha mão. Notas, calendário, as músicas que fui ouvindo até chegar no bloco, vídeos dos amigos virando algumas doses, fotos das belezas naturais pelo caminho.

Meu smartphone só não tinha bateria. E o smartbrain não tinha uma caneta. A flor e a saia voaram feito passarinho, e valia ter nas mãos; se foram para sempre, perdidas na 4° ou 5° badalada do relógio da Consolação. Me pergunto se foi mesmo real...

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Frenético - Intenso

Tomei muito café e agora preciso de um cigarro pra me acalmar. Não é uma droga de mundo? E quando você fala a verdade, as pessoas preferem tampar o ouvido, “me conte uma história de ninar, quero descansar”. As verdades são tão indeléveis, tão profundas, rasgam a gente em dois, antes e depois, e viramos um cristal quebrado. Como é sensível esse mundo do tocável. Como são sensíveis as pessoas que fingem não existir o sofrimento do outro. Como é estranho.
É uma droga de mundo e o MEU cigarro é o problema. Na minha casa, ao lado da cama que ocupo sozinha, acalmando meus nervos, o cigarro é o problema. Dos outros. Botam umas gentes morrendo na capa pra que eu me sensibilize, mas a gente finge não existir o sofrimento do outro. Eu vejo meu prazer. Subindo pelas minhas pernas, me aquecendo as noites frias e as quentes e as de chuva também. Molhando. Mas também não pode, é pecado, você jovem, velha, barriguda, saradinha, casada, carente, solteira, feliz, donzela ou atriz.
O propósito de isso tudo é que não há propósito algum além de falar e falar sobre aquilo que deixo calar tantas vezes. Já disse que tomei café demais, amanhã vai ser difícil acordar e perceber que nada mudou. Volto à rotina como se não houvesse falado nada. Esses desatinos solitários refratam a luz em tantos ângulos que físico nenhum podia suportar. Nem o meu próprio, esse tanto cigarro, e se eu morrer vai ser porque eu quis. Ora, mentira, todo mundo morre. Querendo ou não. Se é o destino, que eu encare a verdade com três doses de tequila em uma mão só, equilibrando aquilo que consigo na vida. Parece não fazer sentido, mas faz, basta ver quanta coisa a gente carrega nos ombros antes de empacotar. Pra NADA. Pra dizer que pode.
Quando a gente larga tudo, aí é depressão. Porque nem se encher o saco nos permitem mais. Ninguém quer ver a verdade, mas os poetas, médicos e jornalistas jogam na nossa cara o tempo todo que é ela a importante. Queria ver se quem faz o discurso usasse daquilo que diz. A verdade é outra droga, mas é uma droga que se faz para vender. Eu compro a sua e você compra a minha, sabe? E por fim, ela nem existe mesmo, a gente inventa, e se inventa não pode ser verdade. Não absoluta. Não há absoluto. Há Absolut. Umas boas quatro doses, é mais fraca que a tequila.
Ou eu que sou fraca. Essa coisa toda tá me endoidando, acabou meu cigarro e a paz.
Bom pra entrar nessa semana cuidando mais do físico. Me masturbo menos, quem sabe encontro um verdadeiro amor. Alguém que me venda carinho e afeto, qualquer droga que alimente.
É uma merda esse mundo.
Beijos, fui comprar um livro de dormir.

Vee

Cabelos louros sob a tez macia
Charming
Escapa o verde de um olho entre as mechas
Sexy
Encara os seus fixamente
Horny
Despindo-lhe com uma vontade que não intimida
Invites

A hand under your dress
Sobe
Beautiful body showing your fears
Entra
Mess up your life, clothes and hair
Toma
Deligthful words with tender lies
Cospe

Plasticidade de escritos incompreensíveis
Breath taking
Falas tão baixas que não pode ouvir
Dirty
Cabeça para baixo, quem está por cima?
Silky
Morde seus lábios fora de esquadro
Desire

Aganist the sweated skin a wall
Pulsa
Back and forth all over again
Repete
Find the means to provide what it wants
Geme
Go with the flow to end up your being
Restringe

Voyeur ao horizonte escorre na sacada
Melting
Faz samba na alma, reboliço intento
Poison ivy
Entremeios de imagens, sombras e metades
Madly
Gentilmente ferve o ressoar por dentro
Leaves
  

Ou 

  
Cabelos louros sob a tez macia
Escapa o verde de um olho entre as mechas
Encara os seus fixamente
Despindo-lhe com uma vontade que não intimida

Sobe
Entra
Toma
Cospe

Plasticidade de escritos incompreensíveis
Falas tão baixas que não pode ouvir
Cabeça para baixo, quem está por cima?
Morde seus lábios fora de esquadro

Pulsa
Repete
Geme
Restringe

Voyeur ao horizonte escorre na sacada
Faz samba na alma, reboliço intento
Entremeios de imagens, sombras e metades
Gentilmente ferve o ressoar por dentro

Charming
Sexy
Horny
Invites

A hand under your dress
Beautiful body showing your fears
Mess up your life, clothes and hair
Deligthful words with tender lies

Breath taking
Dirty
Silky
Desire

Aganist the sweated skin a wall
Back and forth all over again
Find the means to provide what it wants
Go with the flow to end up your being

Melting
Poison ivy
Madly
Leaves

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Inusitado

Desejo dispara o coração
Atiça a ansiedade
Larga a perna bamba a envolver teus quadris a pulsar
Define certa tensão entre os dois
O que estava perto, era dado
Mão sobre os olhos escondendo o que vem depois...

sábado, 25 de janeiro de 2014

Mais um, menos outro

Não vale uma rima da minha poesia
Mas tua beleza se espalha como erva daninha
Nesse tomar de corpo queima, arde e inebria

Nada compara a tua presença
Afeta a alma, o afeto, a estranha querelância de te ter por perto...
Extinguir de alegria é a falta que faz

Como se olhos fossem imãs a prender atenção
Usa de todo seu ser pra ter todas na mão
É tão fugaz!

Controle que expressa seu corpo sagaz
Belo, belíssimo, presença no estar

E sem choro nem vela
Parte estrofe, coração e cancela
Indo embora para não mais voltar
E eu, confiante e esperta
Caída por tantas paixões tão mais belas
Senti a falta do claro teu olhar
Não fosse a solidão tristeza a atormentar, era forte
Mas tu tao galante não pude evitar...

Se fosse mesmo esperta
Menos artista, mais racional
Fechava a porta entreaberta
E voltava a minha vida normal...

Mas o novo, o intenso e o desejo
Me torturam, esperança de ter ao menos um tempo
Com teus lábios carnudos que esquentam
Ao entreabrir de graça cruzando o olhar

Não vale nem uma rima de poesia
Mas uns instantes com tua pele, nao posso negar que queria...

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Férias

O sal da água poderia disfarçar as lágrimas, mas nem toda a imensidão do mar é suficiente para levar embora aquilo que foi necessário viver... E é com essa consciência que deixo o peso da vida no oceano, guardando toda a sublime sensação da maré cheia a me navegar...


terça-feira, 8 de outubro de 2013

Repente de poesia fria

Sob os ventos, os cabelos novamente voam
À espreita da chuva a voltar
O gelado no rosto e nas mãos
É a poética trazida ao altar

Revoltas as folhas que caem
Neste frio acabar de setembro
Primavera esperada não chega
Outono que findo recolhe o intento

Tantas flores perdidas
Salpicam o chão, sinos de vento
Tanta santa estrela esquecida
Sobre o peso das nuvens do tempo

Visita da dor e da morte
Neblina levando a boiada
Cada sopro arrastando era forte
Passos gélidos, escorregadia estrada 

Foi-se vida pairando o norte
A felicidade na madrugada parada



*pequena nota: veio rompante de choro na rua escura e vazia. Vento que faz a gente sentar e pensar sobre a vida e sua finitude, sobre o amor que se vai mas é eterno, sobre a saudade que fica quando o destino final é mais forte que o querer estar sempre por perto. Para meu avô.