terça-feira, 21 de outubro de 2014

Momento

Parece existir toda uma poética nessa busca que tenho feito em relação a minha movimentação. Me sinto um pouco como um artista dos desenhos procurando o seu traço... Relendo alguns textos, percebo que estou falando sobre quase as mesmas coisas faz tempo e nunca me havia dado conta. Acho que eu não havia me dado conta de quem eu sou nesse mundo... Bom, acredito ter encontrado algo, nada que seja suficiente para concluir buscas e pesquisas; só pra botar mais lenha.
Como Ismael disse uma vez, "um bom coreógrafo não deve se apaixonar pelo seu trabalho" e eu estou bem longe disso, mas faz sentido pensar nessa frase como mais um incentivo a uma procura constante.
Vou indo não sei pra onde, e ao mesmo tempo é engraçado porque o caminho está cheio de mim mesma. E não só de mim, mas de interações. Com os olhos bem abertos vou, devagar, parando de me esconder e tomando a coragem de falar.

Estou feliz por me sentir viva outra vez.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Fenster... Freiheit

Se fechar os meus posso ver os teus
mas isso aqui não tem lugar
presa em uma emboscada que eu criei
fico atrás de uma janela
Uma janela para a liberdade

Esta manhã me acordaram pássaros verdes
Um prenúncio de felicidade
me pergunto qual o porque de estar
já que o grosso do vidro (ou seria o cinza do tempo?)
Realiza tudo o que é distante

É apenas desatino
Não sofro pelo inexistente
A vida segue rolando ladeira abaixo
São contas, contos e espantos os diários
Pra aquilo, aqui não tem lugar...

somente há falta.

sábado, 4 de outubro de 2014

Repetição sustenida

Há uma fresta por onde passam os sonhos
Iluminada pela interpretação
Teatro de alguém que não se conhece
Um lugar distante onde não existo
Refúgio onde os pensamentos não alcançam

Frágil memória não me deixa envolver
O irreal é uma ilha cercada de verdades
Que guarda a beleza do que se esvai
Num piscar remoto de olhos

A busca do drama na tela
Apenas escape das paixões e ânimos reais
O que faz de mim alguém que espera
Coisa qualquer, música a apaziguar

O que há além da janela?
Céu de vanilla, vívido azul mortal
Entre nós, a trama da rede que me prende e cega
O estado torpe do meu corpo sentado ao chão da sala
Repleta de tudo o que não tem lugar

Eu não tenho também
Mais um móvel estático coberto de trapo
se pendurando na fragilidade dos sonhos
de um eu desconhecido
à espera de seu destino final

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Só e a perigo

[[Às vezes me sinto nostálgica
Sobre um tempo que não chegou
Penso que pode não ser nostalgia
Sentimento qualquer que eu não possa nomear

Melancólicos os dias que a cinzenta noite traz
Era espaço o que ficava aberto 
Entre o nada e o lugar nenhum
Palavras perdidas ao som da cerveja se abrindo

Tudo isso pode parecer sem sentido
E em alguma medida o é.
Não faz rima, tem ponto
É findo o aquecer perto do peito]]

Estou clara como pode ser a morte
Mas certa do que não vejo
Neblina baixa rasgando a cidade
Cobre meu corpo enquanto me deito

Desce macio cada gole
Muito adjetivo para pouco sofrimento
Pode ser assim que se mata a prole
Aquela que nunca sairá deste ventre

São colchas vazias que cobrem
A esperança de algo que não flui
Estaca repartindo em três pedaços
Estilhaços pontiagudos produzindo finais

Porque todo final é um riste
Apontando no meio da fuça
Entregando o fugitivo a passar pelo ralo
Mas não pode se esconder de si
Vulnerável ao seu próprio estar...

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Não quero dar um título.

Entre num balão, pra subir bem alto
Que toda queda é passageira
E o certeiro feito a morte só atinge uma vez

Entre num carro, última velocidade
Se o vento arranca os cabelos
A emoção está por vir, corpo contra o banco, pé contra o pedal

Entre em ou na forma.
Não seria mais fácil que lidar
com as pequenas destruições do dia a dia?

O que é mais fácil? Pular de um precipício
Mergulhar até o fundo do mar?
"Tudo eventualmente volta rastejando para casa".

E cadê você, onde está?
Se embrenhando entre arbustos
Só o olhar amedrontado aparece. Está escuro, não te veem.

Não sei o que vai ser daqui pra frente
Depois de tantas tentativas latentes
Pequenas mortes

Entre aqui, entre lá.
Agora que saí, ou nunca entrei
Resta apenas o in between.

O que fazer?

Blog Confessionário

Preciso confessar que sinto um incômodo muito grande em relação a algo que eu não faço ideia do que seja... Tem uns dias que ouço reclamações de amigos, dizem eles que demoram a responder perante situações incômodas, angustiantes, etc, etc, etc. Compartilho o sentimento. Me sinto um pouco letárgica até para perceber o que está me afetando, e assim, me mantenho num lugar muito ruim de estática.
Da última vez que aconteceu, era fevereiro e eu não sabia muito bem o que fazer comigo. Descobri meio por acaso em julho, quando me botei em cima das pernas e resolvi andar pra frente. Ou dançar para todos os lados. Agora, meados de setembro, as angústias voltam a ser pungentes e eu nem sei se dá pra chamar de angústia essa sensação de vulnerabilidade. É que da última vez o problema foi abrir e sair de caixas; me questiono se hoje o problema não é fechar.